Campeão dos médios em evidência no UFC, Khamzat Chimaev mostrou, nos bastidores que antecedem o UFC 328, que não está muito interessado no que Sean Strickland tem dito nos últimos dias. Ainda assim, o lutador reconheceu que a troca de provocações — especialmente o volume de críticas do rival — acabou virando combustível financeiro para ele, com a promessa de resolver a situação dentro do octógono no sábado.
Chimaev ironiza Strickland e diz que provocação paga contas
A rivalidade entre os dois pesos-médios já era conhecida: Strickland vem mirando Chimaev com uma sequência de ofensas e ataques verbais antes do confronto. Do outro lado, Chimaev manteve postura mais contida, tentando não se deixar levar pelo clima, mas reforçando que a história será encerrada quando os dois se encontrarem oficialmente no octógono.
Em entrevista coletiva na terça-feira, durante um momento de interação com jornalistas no “scrum”, Chimaev comentou a postura do rival com ironia e pragmatismo. “Eu gosto dele”, disse. “Eu não sei se eles pagam bem pra ele. O que importa é que eu nunca tinha ganhado tanto dinheiro antes. Isso é bom.”
Separação rígida nos bastidores do UFC 328
Para evitar qualquer tipo de atrito antes do duelo, o UFC adotou medidas incomuns para manter Chimaev e Strickland longe um do outro durante a semana. A organização, segundo o contexto narrado pelos bastidores, teria tomado providências para que eles não tivessem contato direto antes da coletiva de imprensa tradicional do evento, marcada para quinta-feira, e também antes da pesagem de sexta-feira.
Além do distanciamento planejado, a promoção reforçou a segurança extra para garantir que nada aconteça entre os dois antes de, enfim, pisarem juntos no octógono no sábado.
“Eu tentei achar, mas não foi possível”: a visão de Chimaev
Chimaev admitiu que, desde que chegou à região de New Jersey, tentou localizar Strickland para tratar do que precisava, mas não teria conseguido. Mesmo com a tensão evidente, o peso-médio enquadrou a questão mais como resultado do excesso de barulho do oponente do que como algo pessoal.
“Deixa ele vir. Eu acho que eles levaram ele pra outro hotel, então talvez ele pense assim”, afirmou Chimaev. “Eu tentei procurar o cara, mas não deu muito certo. Não é tanto pessoal. O cara fala demais.”
Chimaev também sugeriu que um “vai e vem” entre os dois não teria espaço, já que o próprio evento não permitiria esse tipo de encontro. “Eu não acho que seja possível [rolar troca] porque eles não deixam eu ver esse cara.”
Referência à ameaça com arma durante a semana de luta
No meio do clima tenso, Chimaev ainda retomou uma ameaça feita por Strickland em um momento anterior do camp. Na ocasião, o ex-campeão teria dito que, caso fosse atacado durante a semana do combate, recorreria a uma arma e estaria disposto a atirar se fosse necessário.
Mesmo considerando o cenário improvável, Chimaev deixou claro que não está preocupado com uma tentativa de violência letal antes do UFC 328 chegar. Ele respondeu com sarcasmo, citando que estaria no local há dias e que teria ouvido a ameaça diretamente, mas que não levou a sério.
“Cadê ele? Eu tô aqui há três dias no lobby e o cara falou que vai atirar em mim”, disse Chimaev. “Vamos lá. Faz. Eu vou ficar feliz em morrer.”
Na sequência, o lutador completou que não se importaria com o que o rival diz quando o momento de tudo acontecer chegar. “Você acha que eu ligo pro que ele fala? Quando chegar a hora de morrer, eu vou ficar feliz. A vida inteira eu ouvi esse tipo de coisa. Eu não dou a mínima pra esse tipo de fala.”
Sem acordo depois: Chimaev não quer “apagar o fogo”
Com tanta animosidade e tanto discurso de ambos os lados, Chimaev indicou que não espera que o duelo resulte em reconciliação. Para ele, mesmo que a luta termine, não existe motivo para “enterrarem a história” — especialmente se o objetivo for apenas terminar o que foi combinado dentro do octógono.
Quando foi questionado sobre a possibilidade de seguir em frente após o combate e, inclusive, apertar a mão de Strickland, Chimaev reagiu com desdém e respondeu que a postura muda pouco o que acontece na prática.
“Qual é o sentido se eu apertar a mão ou não depois da luta?”, declarou. “Eu vou ter colocado ele pra baixo [na lógica do confronto], vou ter batido nele. Talvez eu nunca mais veja ele de novo. Os outros 15 caras que eu bati, eu quase não vi de novo. Eu não me importo com a vida dele. Eu me importo com a minha.”

