Robert Whittaker projetou um cenário difícil para Sean Strickland na primeira defesa de cinturão dos meio-médios/”middleweight” de Khamzat Chimaev. O ex-campeão apontou que, embora Strickland chegue com postura confiante, o ucraniano?—não, o sueco?—no caso, Chimaev tem um grappling capaz de “encaixar” com eficiência assim que agarrar o adversário, algo que Whittaker já sentiu na prática em seu confronto anterior no UFC.
Ranqueamento e impacto: por que a defesa do cinturão pode consolidar o domínio do Chimaev
Chimaev entra como favorito absoluto para a sua primeira defesa de título contra Strickland no card principal do UFC 328, marcado para este sábado, no Prudential Center, em Newark, Nova Jersey. O duelo terá transmissão pelo serviço Paramount+ no main event, com Chimaev ostentando cartel de 15 vitórias e zero derrotas no MMA (e 9-0 no UFC) contra Strickland, que chega com 30-7 no MMA e 17-7 dentro do Ultimate.
Whittaker acredita que a forma como o campeão controla o ritmo e as posições no chão torna qualquer tentativa de “resposta” do desafiante extremamente improvável. O ex-campeão resumiu que, ao enfrentar Chimaev no UFC 308, foi rapidamente finalizado, justamente depois de o rival conseguir colocar as mãos nele e conduzir a luta para onde o campeão se sente mais confortável.
- Chimaev: 15-0 no MMA e 9-0 no UFC, buscando a primeira defesa de cinturão
- Strickland: 30-7 no MMA e 17-7 no UFC, tentando sustentar o plano contra o grappling do campeão
- Whittaker: já viu de perto a eficiência do campeão em levar a luta para o chão e definir rapidamente
Cinturão em jogo: a confiança de Strickland esbarra no “pós-colocar as mãos” de Chimaev
Ao comentar o confronto, Whittaker destacou que quer ver se Strickland realmente tem respostas para o que o campeão faz no grappling. Ele observou que o desafiante fala com segurança, passa a ideia de que consegue competir em todas as fases — mas a experiência dentro do octógono pesa. Para Whittaker, o ponto decisivo não é apenas a transição inicial para a luta no chão, e sim o que acontece depois que Chimaev consegue o controle.
De acordo com o ex-campeão, Chimaev costuma buscar quedas a partir de distâncias consideravelmente longas, “se comprometendo de verdade” na investida e levando o adversário ao solo. A partir daí, Whittaker afirma que o problema passa a ser a sequência: controlar posições, manter a pressão e seguir avançando mesmo quando o oponente tenta se recompor. Ele também acrescentou que, além do encaixe técnico, Chimaev demonstra preparo físico para sustentar essa pressão por rounds inteiros, inclusive por cinco minutos repetidos ao longo de uma luta de campeonato.
Whittaker foi direto ao projetar o desfecho caso Strickland não consiga impedir o domínio: “na pior hipótese”, ele vê Chimaev simplesmente pressionando e avançando sobre o desafiante conforme o combate evolui.
O que torna o campeão “inparável”: controle de posições, ajustes e cardio que não cai
Whittaker explicou que não foi apenas uma questão de “planejar bem”; para ele, Chimaev foi superior até mesmo ao trabalho de preparação. O ex-campeão disse que o campeão tem uma capacidade especial de grudar no adversário, manter o controle das posições e, quando consegue as mãos, transitar para outro ponto de vantagem sem dar tempo para recuperação. Esse padrão, segundo Whittaker, aparece com clareza na trajetória do campeão e também no que foi visto em lutas anteriores.
Ele citou o confronto de Chimaev com Dricus (Du Plessis) como exemplo de como o fenômeno ajusta o plano durante os cinco rounds, sustentando o ritmo e evitando que o próprio desempenho caísse cedo demais. Whittaker ressaltou que Du Plessis é um homem difícil de ser segurado no chão e que, mesmo assim, Chimaev conseguiu lidar com as dificuldades do adversário, estendendo o preparo físico ao longo do tempo regulamentar e fazendo mudanças de rota de maneira eficiente.
Por fim, Whittaker reforçou que tanto ele quanto Dricus teriam preparado o máximo possível — mas que o nível do campeão é algo que precisa ser respeitado. Em outras palavras, não se trata apenas de estratégia: é a execução consistente e a capacidade de manter o domínio, com ajustes e fôlego, que colocam Chimaev como um protagonista ainda mais perigoso em lutas de alto nível.
Com o cinturão em jogo no UFC 328, o próximo passo provável para Strickland, na visão de Whittaker, passa por impedir a fase em que Chimaev “encaixa” as mãos e controla posições — algo que, pelo histórico recente citado pelo ex-campeão, tem sido o diferencial que decide o combate cedo e com eficiência.

