Em meio aos preparativos para o UFC 328, Khamzat Chimaev ficou relativamente discreto nos dias que antecederam o evento — até a coletiva de imprensa pré-luta, quando a postura mudou completamente. No palco, o lutador explodiu em uma sequência de provocações direcionadas a Sean Strickland, transformando o momento em um confronto verbal intenso, com ataques pessoais que ultrapassaram o esperado para a semana de combate.
O clima já carregava combustível suficiente para acender ainda mais quando os dois se encararam pela primeira vez na frente do público. Ainda assim, o nível das ofensas surpreendeu. Strickland abriu a investida mirando a ligação de Chimaev com Ramzan Kadyrov, líder checheno, além do tempo em que os dois teriam treinado juntos anos atrás, usando essa memória como ponto de partida para a sequência de ataques.
Strickland também trouxe à tona o período em que Chimaev quase se afastou do esporte. Segundo o americano, o russo teria ficado à beira da aposentadoria após lidar com consequências de uma infecção por Covid-19 que o tirou de um compromisso e, em determinado momento, fez parecer que ele talvez não voltasse a competir. A partir daí, a coletiva ganhou um tom ainda mais agressivo, com Strickland reforçando a narrativa de que Chimaev teria recuado por motivos que ele considera fracos.
“Deixa eu te contar sobre esse covarde… Eu estava lá quando você saiu do tablado, teve Covid e se aposentou. O pai dele, Ali, teve que ligar e dizer: ‘Você precisa voltar e fazer dinheiro pra mim’. Eu quase morri em um acidente de moto. Eu fui embora? Eu me aposentei? Foi uma ‘gripezinha’ que te derrubou e te fez parar. Não fala de mim como se eu fosse fraco. Você estava tossindo e largou este esporte”, disparou Strickland.
O duelo verbal seguiu para o tema das sessões de treino. Aqui, as versões dos dois também não coincidem — mas a mensagem que Strickland deixou foi clara: ele prometeu reproduzir no sábado, no octógono, o que acredita ter feito contra Chimaev nos bastidores.
“Eu te bati na academia. Vou te bater aqui. Vou te bater nesse palco, na frente de todo mundo, seu… Cala a boca, seu…”, afirmou Strickland, completando as provocações com ofensas relacionadas à origem do adversário.
Na sequência, Chimaev ampliou a estratégia e decidiu atacar justamente a criação de Strickland e as marcas de trauma de infância que o americano já mencionou publicamente — associando a narrativa ao contexto de um pai violento, algo que também foi usado por Dricus du Plessis antes do primeiro encontro entre os dois.
“Em dois dias ele vai estar morto. Eu bato nele todo dia. Olha esse cara… O pai dele batia nele todo dia. Acaba com ele. E ainda tem problemas mentais. Ele está chorando. Olha a cara dele. Eu estou aqui agora. Olha a cara dele. Você vai chorar agora. Ele nunca vai me vencer. Nunca. Eu vou ser o seu pai. Vou te fazer chorar de novo. Vou ser seu pai dentro da jaula. Eu estive o dia inteiro, todos os dias, sendo o seu pai. Você sabe disso. Eu sou o seu pai. Escuta o seu pai”, declarou Chimaev.
As palavras de Chimaev parecem ter mexido com Strickland de forma direta. E não era difícil esperar esse efeito: antes do primeiro duelo entre Strickland e Dricus du Plessis, o americano teria pulado por cima de cadeiras para partir em direção ao adversário em um evento do UFC. Na coletiva, ele revidou com acusações ligadas ao tema de abuso infantil e manteve o tom degradante contra o rival.
“Você está zombando de abuso contra criança. É por isso que você é um animal. Você é uma… Você nunca vai ser um… Você é um covarde. Vai se…”, disse Strickland, encerrando com um xingamento em tom de provocação para o público.
Mesmo depois dessa troca, Chimaev não abandonou o caminho das provocações relacionadas à infância de Strickland. Ele continuou, em tom de desafio, tentando transformar a narrativa do passado do adversário em combustível para a luta que está marcada para acontecer no sábado, no octógono.
“Só o seu pai gosta de você. Ele te bate e eu também vou te bater. Fala para as pessoas: seu pai te bateu. Chora aí agora. Você vai chorar, seu… Senta e cala a boca. Vai se…”, completou Chimaev.
A guerra de provocações, em formato de pingue-pongue, não diminuiu o ritmo por quase meia hora. Chimaev e Strickland tomaram grande parte do tempo da coletiva com ofensas trocadas em sequência, enquanto a segurança permanecia próxima o tempo todo para impedir que alguém realmente partisse para cima do outro e transformasse o encontro em briga.
Mesmo assim, o clima seguiu escalando após o encerramento do evento. Com a autorização do CEO do UFC, Dana White, os protagonistas do UFC 328 foram colocados frente a frente logo depois da coletiva. Nesse momento, Chimaev acabou chutando Strickland antes que a equipe de segurança interviesse para separar os dois e conter a situação.

