Chris Weidman sempre deixou claro que, para voltar ao MMA, teria de existir um motivo muito forte. E foi exatamente com essa lógica que ele considerou a investida da Most Valuable Promotions (MVP) para um novo encontro com Anderson Silva — dessa vez, a possibilidade de uma terceira luta entre os dois.
Ex-campeão dos pesos-médios do UFC, Weidman se aposentou da organização no início de 2025 e, pouco depois, assinou com a GFL por dois motivos principais: dinheiro e a chance de tentar se vingar da derrota que sofreu anteriormente para Luke Rockhold. O cenário mudou quando a liga acabou colapsando, e Weidman acabou deixando o MMA de lado por um período. Mesmo assim, ele topou entrar em uma luta de boxe contra Anderson Silva, dentro de um card que Jake Paul estava montando — inicialmente com programação ligada a lutas como a de Gervonta “Tank” Davis contra Anthony Joshua.
O plano, porém, sofreu um duro golpe: Weidman acabou lesionado, com uma ruptura no bíceps, o que o tirou da disputa. Ainda assim, por um breve momento, ele acreditou que poderia ganhar uma nova chance de enfrentar Anderson Silva mais uma vez, quando a MVP entrou em contato durante a construção do evento que envolveria Ronda Rousey contra Gina Carano, marcado para 16 de maio.
Antecedentes
Ao comentar o contato, Weidman explicou que a iniciativa partiu de sua equipe e que a proposta era justamente avaliar a viabilidade de um duelo no MMA com Anderson. Segundo ele, o ponto determinante seria o valor ofertado, especialmente considerando a estrutura necessária para atravessar um camp inteiro de preparação.
Ele também relembrou que, apesar de ter um cartel favorável contra Silva na carreira — incluindo duas vitórias na organização —, a ideia de uma terceira luta só faria sentido se o negócio fechasse financeiramente. Weidman citou, ainda, que a questão teria de ser bem maior do que a de um retorno “padrão”, já que a logística e o investimento para um camp são altos.
A luta
- Weidman apontou que a proposta da MVP existiu e que sua equipe foi quem recebeu o contato, com interesse em colocar um confronto de MMA contra Anderson Silva.
- Ele reforçou que a resposta positiva dependeria de um pacote de remuneração ainda mais alto, já que precisaria passar por todo o ciclo de treinamento para voltar ao octógono.
- O ex-campeão afirmou que, até o momento, não obteve retorno com uma oferta concreta após a sinalização de interesse condicionada a valores mais altos.
- Mesmo assim, Weidman mostrou abertura para a trilogia, desde que “o número certo” aparecesse — destacando o peso da história entre os dois e a possibilidade de serem bem pagos por um novo capítulo.
O pós-luta
Mesmo com o contato para MMA não avançando como ele esperava, Weidman disse que também estaria disposto a reprogramar a luta de boxe contra Anderson Silva. Ele explicou que já estava em período completo de preparação para esse combate quando a lesão no bíceps aconteceu e o tirou do card.
Enquanto Weidman ficava fora, Anderson Silva seguiu em atividade e acabou anotando um nocaute brutal sobre o ex-campeão do UFC Tyron Woodley. O brasileiro-americano comentou que, ao ver o resultado, reforçou ainda mais o respeito pelo boxe de Silva e pela capacidade de finalizar adversários em alto nível.
Weidman também demonstrou surpresa com a baixa movimentação em torno do boxe neste momento. Ele afirmou que, no lado da negociação, tem recebido poucas informações e que, mesmo assim, toparia o combate com Anderson “de 100%”. Para ele, Silva é um talento fora da curva no boxe, com características que tornam difícil encontrar explicações fora do “natural” — e citou o impacto de como a carreira do lutador se manteve em alto patamar mesmo com a idade e o que ele já enfrentou ao longo do tempo.
Por fim, Weidman abordou o cenário do evento envolvendo Ronda Rousey e Gina Carano, no contexto de uma das noites mais comentadas do ano. Ele admitiu que ficou impressionado com a forma como Rousey vem construindo a expectativa para seu retorno — especialmente após uma sequência de derrotas consecutivas no UFC que encerrou sua trajetória na organização. Ainda assim, Weidman não acredita que Carano consiga sustentar o ritmo da luta por muito tempo.
O ex-campeão observou que Carano retorna depois de um período ainda mais longo fora do MMA: sua última aparição no esporte ocorreu em 2009, enquanto Rousey volta após um intervalo de cerca de uma década desde a última luta. Para Weidman, essa diferença de tempo, somada ao nível técnico atual de Rousey, torna o confronto desfavorável.
Ele projetou que a luta não deve chegar aos minutos finais, citando especificamente o jogo de finalizações de Rousey. Na visão dele, a tendência é que Carano encontre dificuldades rapidamente para defender uma finalização do tipo chave de braço. Weidman ressaltou que, quando Carano encara um adversário como Rousey — especialmente alguém que já mostrou domínio com finalizações como o armlock — a chance de sobreviver ao primeiro “assédio” do grappling diminui drasticamente.
Com isso, Weidman concluiu que, embora o evento seja empolgante por reunir grandes nomes e por conta do clima de promoção, ele não enxerga equilíbrio real no confronto. Para ele, a diferença de nível entre Rousey e as adversárias que Carano enfrentou no passado, somada ao tempo fora do esporte, torna o duelo “injusto” e com baixa probabilidade de resistência de Carano dentro dos três primeiros minutos.

