Colby Covington confirma aposentadoria do MMA e diz que está mais feliz agora

Colby Covington está voltando ao que considera suas origens. O norte-americano comunicou à organização do UFC, no começo deste mês, que se aposentou do MMA — uma decisão que, apesar de não ter sido totalmente inesperada, chama atenção por envolver um dos nomes mais conhecidos do esporte e por ele ainda ter potencial para seguir competindo por muitos anos.

Apesar do anúncio de “aposentadoria”, Covington fez questão de deixar claro que enxerga o movimento de forma diferente: segundo ele, o passo foi necessário para liberar negociações e possibilitar confrontos específicos dentro do ambiente do wrestling. A ideia é que ele concentre toda a energia no retorno às disputas no Real America Freestyle (RAF), torneio ligado ao estilo freestyle.

“Eu não estou realmente aposentado. O que aconteceu foi aquele lado burocrático que eu precisava resolver para abrir todas as partidas com Chad Bronstein e RAF”, afirmou Covington. “Eu quero enfrentar Arman [Tsarukyan]. Quero me testar nessa modalidade na primeira prática esportiva em que comecei. Eu comecei no wrestling. Quando eu era criança, foi essa modalidade que me trouxe para o UFC e me deu tudo o que eu tive lá dentro. É o wrestling. Foi assim que eu consegui uma formação. Consegui até um diploma para ir para a faculdade.”

“Então, para liberar esses grandes confrontos com Arman, com Marty [Kamaru Usman] e, potencialmente, [Belal Muhammad], seja como for que você queira chamar, eu precisei lidar com essa burocracia e fazer esse ‘retire’. Mas, na minha cabeça, eu não me sinto aposentado porque eu ainda aceitaria uma luta. Eu continuo treinando todo dia. Estou em excelente forma, com boa saúde. Então eu não me sinto aposentado. Mas, se essa foi a condição necessária para colocar todas essas lutas dentro do RAF, então tudo bem.”

Quando fala em “burocracia”, Covington se refere a uma regra que existe no UFC para restringir que atletas da organização enfrentem lutadores do próprio elenco fora do controle da empresa. Embora o UFC pareça aceitar que seus atletas participem de eventos do RAF, a companhia teria traçado um limite quando se trata de lutadores do seu plantel encarando outros nomes também ligados ao UFC. Isso, na prática, inviabilizaria muitas das lutas que Covington desejava — a não ser que ele deixasse o MMA, como ele fez agora.

Mesmo que a questão prática tenha pesado bastante na decisão, Covington também deixa claro que o componente emocional e a preferência pessoal foram decisivos. Para ele, o RAF teria mais espaço no dia a dia do que o próprio UFC.

“Eu estou muito mais feliz agora”, disse Covington. “Eu tive um bom tempo para refletir depois daquela luta e pensar: ‘Eu ainda quero fazer isso? Minha cabeça ainda está nesse jogo?’. Eu já alcancei tudo. Já lutei por cinturão quatro vezes. Já enfrentei em 7, 8, 9 eventos principais diferentes. Então eu sou grato por tudo o que conquistei e por tudo o que fiz no UFC. Mas agora eu voltei para o meu verdadeiro amor e para a minha paixão: o RAF.”

“É muito divertido. É mais leve. Você vê as pessoas se abraçando no palco. No UFC não é assim. Todo mundo fica naquela vibe de: ‘A gente quer se matar!’ antes da luta. Você vê o adversário e ele vem com aquelas provocações: ‘O que foi, vai, sua… eu vou te destruir!’ É tudo sério. Aqui é diferente. Aqui é amor. É família. Eu sou muito grato por fazer parte do RAF.”

As aposentadorias no MMA, historicamente, costumam durar pouco. E o próprio Covington admite que sua retirada pode nem ser definitiva, o que mantém aberta a possibilidade de ele voltar ao octógono pelo menos uma vez mais. Ainda assim, caso essa seja realmente a última etapa e o anúncio se confirme como encerramento definitivo, “Chaos” diz que já está em paz com o que construiu dentro da organização.

“Sim, eu estou bem. Estou bem com tudo que eu consegui fazer”, declarou Covington. “Eu conquistei um título mundial lá. Enfrentei muitas lutas de alto nível, fui cabeça de cartaz de muitos pay-per-views e, ao longo dos anos, vendi milhões de transmissões. Então eu vou ficar bem. Não vou ter arrependimentos pelo que aconteceu. Tudo acontece por um motivo.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.