Covington encara Tsarukyan em Milwaukee e provoca antes do evento principal do UFC

Colby Covington conseguiu, finalmente, aquilo que vinha buscando: enfrentar Arman Tsarukyan no dia 18 de julho. O confronto será o evento principal do RAF 11, em Milwaukee, nos Estados Unidos — e, por mais que pareça uma simples revanche de interesses, o caminho até aqui chama atenção. Afinal, o norte-americano teria chegado ao ponto de encerrar a carreira na organização para viabilizar a luta, segundo o que foi reportado, já que a promoção teria barrado atletas em atividade de se enfrentarem em disputas de wrestling.

O motivo do desejo de Covington é duplo. Primeiro, ele precisava “abrir” espaço para ser mais ativo no RAF. Segundo, existe um recado pessoal direcionado ao atual destaque do roster. Antes do anúncio do confronto contra Tsarukyan em julho, Covington passou por Chris Weidman no sábado, registrando uma vitória impressionante por 5 a 4 sobre o ex-campeão do UFC. Weidman, vale lembrar, também tem base de luta greco-romana e foi um “All-American” duas vezes — o que, na leitura de Covington, torna o triunfo ainda mais relevante para medir o próximo degrau contra Tsarukyan.

Por que Covington quis tanto essa luta?

Na entrevista coletiva pós-luta do RAF 9, Covington deixou claro que sua insatisfação com Tsarukyan não se resume ao tamanho do duelo. Para ele, o jovem grappler estaria ultrapassando limites ao adotar comportamentos que, segundo o norte-americano, não combinam com a cultura do wrestling.

“Ele é um garoto muito elétrico, cheio de fogo”, disse Covington, sobre Tsarukyan. “Só que eu não gosto das atitudes dele. Ele jogou Urijah Faber, que é uma lenda do esporte, para fora do palco. Ele parte para briga com caras no tapete. Isso não é profissional. Não é assim que a gente age no mundo do wrestling. Não é a cultura do wrestling.”

Covington seguiu com o discurso no mesmo tom, deixando a mensagem de que pretende “corrigir” o adversário dentro do esporte. “Eu quero colocar ele no lugar. Quero ensinar uma lição. Você não vem ao solo americano e desrespeita os americanos. Agora vai ter que encarar um dos maiores americanos do wrestling. Minha ideia é nocaute… digo, fazer ele sentir na prática, e dar esse tipo de resposta que combina com quem age como um ‘nerd’ teimoso.”

A conduta polêmica que virou combustível

Embora Tsarukyan tenha acelerado o crescimento de popularidade desde que se firmou no RAF, o lutador também acumulou episódios considerados questionáveis. Um dos mais marcantes aconteceu após a primeira luta entre Tsarukyan e Georgio Poullas: quando o combate terminou, Tsarukyan atingiu Poullas com um soco, e isso detonou uma confusão generalizada no palco. Houve briga e só depois a segurança conseguiu controlar a situação.

No mesmo enredo citado por Covington, Tsarukyan também executou uma tentativa de queda que acabou culminando no arremesso de Urijah Faber para fora do palco. Foi uma manobra arriscada, mas felizmente não teria causado lesões graves.

Além desse episódio, o retrospecto recente no RAF foi construído, até aqui, contra adversários em geral considerados abaixo do nível que Tsarukyan enfrentará em julho. Entre os duelos, houve duas lutas contra Georgio Poullas, além de vitórias sobre Urijah Faber e Lance Palmer — que, conforme a narrativa do contexto, estavam cedendo uma diferença grande de porte físico em relação ao desafiante. No sábado, Tsarukyan também ampliou sua sequência ao derrotar o influencer social Mugzy por tech fall.

Weidman como prova — e Tsarukyan como “a missão”

Covington sabe que o confronto contra Tsarukyan será o teste mais duro até agora para o adversário em julho, e por isso ele trata essa luta como o momento de encerrar uma sequência de vitórias. Ele explicou que, ao chegar no RAF 11, não estava olhando para o desempenho de Tsarukyan no RAF 9 por foco total em seu próprio compromisso — e, ao mesmo tempo, reconheceu o tamanho do desafio que teria pela frente contra Weidman.

“Eu não vi a apresentação do Arman no RAF 9”, afirmou Covington. “Eu estava concentrado na minha luta. Eu sabia que teria um ‘dog fight’. Era uma briga de cachorro contra um cara duas vezes All-American, ex-campeão mundial no UFC, um dos maiores nomes. Ele tinha uns 20, 30 libras a mais do que eu, dá para ver aí na hora. Eu sabia que ia ser uma pancadaria. Não me importei em ficar pensando em qualquer outra coisa além do Chris Weidman naquela noite.”

Com a vitória sobre Weidman, Covington cravou o cenário para o grande duelo marcado para Milwaukee. E, ao tratar Tsarukyan como alguém que vinha falando demais, ele reforçou que agora não existem mais “desculpas”.

“Graças a Deus eu consegui colocar essa luta grande de pé com o Arman”, continuou. “Ele anda falando muita coisa. Agora acabou a conversa e não tem mais desculpa. Ele vai ter que me encarar no tapete no dia 18 de julho, em Milwaukee, Wisconsin.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.