Se a parceria do UFC com o ex-presidente e atual liderança política dos Estados Unidos, Donald Trump, teria prejudicado a saúde financeira da organização, Dana White não demonstrou qualquer preocupação. Em entrevista gravada para o podcast “Katie Miller Podcast”, divulgado na terça-feira, o presidente do UFC foi questionado diretamente sobre se a proximidade com Trump poderia ter impactado o faturamento da empresa.
Durante os dois mandatos de Trump na Casa Branca, o UFC esteve repetidamente em evidência ao lado do presidente, ampliando o apoio justamente no segundo período. Mesmo assim, um levantamento recente envolvendo uma pesquisa com participação de veículos de notícia indicou que a reprovação de Trump atingiu um recorde: 62%. O índice foi associado à forma como ele lidou com a guerra no Irã, além de questões econômicas e do custo de vida.
Diante de um personagem tão polarizador e que costuma ser pouco aceito por parte do eleitorado americano, a lógica sugeriria que empresas alinhadas ao presidente poderiam sofrer algum tipo de efeito negativo no caixa. No entanto, White descarta a hipótese com firmeza.
“Não dou a mínima” — White sobre possível impacto financeiro
“Eu não dou a mínima. Eu não sei a resposta para essa pergunta”, declarou Dana White no “Katie Miller Podcast”, quando perguntado se a relação próxima com Trump teria custado ao UFC em termos de negócio. O dirigente ainda afirmou que, após a pandemia e um período “caótico” vivido no mundo, passou a priorizar apenas conversas e parcerias com pessoas com as quais se identifica.
O contexto político e o relacionamento pessoal com Trump colocam o UFC em posição de destaque, já que a organização mantém apoio constante ao longo de aproximadamente uma década. Mesmo assim, White insiste que não trata o tema como algo ligado a estratégia partidária.
UFC mais alinhado com Trump: evento especial na Casa Branca
Na prática, o UFC parece ainda mais conectado ao cenário atual: a empresa tem como projeto sediar um evento esportivo único, o “UFC Freedom 250”, no gramado da Casa Branca, no dia 14 de junho. Segundo White, a ideia de realizar lutas no local partiu do próprio Trump durante a presença dele em uma edição recente de evento numerado do UFC.
Desde que assumiu a presidência, Trump tem comparecido a eventos do UFC e, em todas as ocasiões, White promoveu um reconhecimento especial ao amigo: o ex-presidente recebe uma entrada em caminhada até o assento junto ao octógono. O mais recente desses momentos aconteceu no mês passado, no UFC 327, realizado no Kaseya Center, em Miami.
Além das entradas ao lado do cage, White também esteve envolvido na articulação política do ambiente republicano: participou do apoio a Trump em três convenções nacionais do Partido Republicano e teve papel relevante na reeleição em 2024 por meio de uma estratégia baseada em entrevistas com influenciadores que atuam em podcasts. Mesmo com tudo isso, o presidente do UFC repete que não se considera uma figura política, que a organização não é “politizada” e que o “UFC Freedom 250” na Casa Branca não deve ser encarado como um evento partidário.
Esporte e política devem ficar separados? White compara a religião
Ao ser perguntado se ele acredita que política e esporte precisam permanecer separados, White recorreu a uma comparação com a religião para explicar o raciocínio. Para o dirigente, o clima político atual nos Estados Unidos se comporta, de certa forma, como um tema religioso: as pessoas se enfrentam por questões “insanas” e isso acaba ditando o comportamento do público.
“Eu adoraria que ficasse separado. Quer dizer, quando você pensa nos anos 80 e 90, religião, né? É basicamente assim que a política está agora — como se fosse religião”, disse Dana White. “Todo mundo está brigando por essas coisas malucas. E eu acho que a gente deveria voltar para uma situação em que você não sabe em quem a pessoa votou e nem precisa saber… mas eu acho que cabe ao atleta, ou à organização, ou a quem decide se eles querem participar de política ou falar sobre isso. No fim, é uma decisão de indivíduos, de equipes, de ligas, de cada um”, completou.

