Daniel Cormier ficou impressionado com o nível exibido por Carlos Prates no duelo do main event do UFC Fight Night 275, contra Jack Della Maddalena, e agora admite que a percepção sobre o topo dos meio-médios (até 170 libras) mudou. Além de reconhecer a evolução do brasileiro, o ex-campeão e comentarista do UFC passou a considerar Prates como um nome capaz de colocar pressão direta no cinturão.
Antes mesmo de enfrentar Jack Della Maddalena, Cormier já colocava Carlos Prates entre os principais lutadores do peso após a finalização com finalização decisiva no UFC 322, em novembro, quando o brasileiro nocauteou Leon Edwards, ex-campeão. O cartel citado por Cormier para o momento era de 24-7 no MMA e 7-1 no UFC.
Na noite de sábado, porém, Prates elevou ainda mais o patamar ao enfrentar Jack Della Maddalena, que chegava com 18-4 no MMA e 8-2 no UFC. O brasileiro atropelou o adversário e chegou ao TKO no terceiro round, em uma atuação descrita como “destruição completa”, consolidando a ideia de que ele não só venceu, como impôs um ritmo dominante do começo ao fim.
Para Cormier, o recado do desempenho foi imediato: a atuação colocou Prates “no radar” de quem pode desafiar diretamente o atual campeão do peso, Islam Makhachev.
Em seu canal no YouTube, o Hall da Fama do UFC afirmou que Carlos Prates entrou no grupo curto de lutadores que podem, de fato, ameaçar o cinturão. Cormier também destacou que Prates já estava próximo desse patamar antes da luta, mas que o resultado contra Della Maddalena foi o elemento decisivo para deixar o nome na conversa do título.
Na fala, Cormier ressaltou o impacto de bater um ex-campeão na forma como Jack foi derrotado. Ele mencionou que, ao observar o duelo à distância, não entendia como Della Maddalena poderia ser dominado daquele jeito, já que considerava o estilo do inglês capaz de causar problemas reais ao brasileiro. Mesmo assim, disse que não houve “nenhum problema” para Prates — citando a potência nos golpes, a ameaça com joelhadas e a capacidade de impor ritmo antes do adversário, além do comportamento sereno dentro do combate.
Em situações comuns, vencer dois ex-campeões em sequência, do modo como Prates fez, normalmente colocaria o lutador diretamente na rota do title shot. Ainda assim, Cormier indica que pode haver espera por conta do cronograma. O rumor que circula aponta Ian Machado Garry como o próximo desafiante ao cinturão contra Makhachev, em um card marcado para 15 de agosto, no UFC 330. Porém, Cormier ressaltou que nada teria sido confirmado pela organização até o momento.
O debate ganha força porque Ian Machado Garry é o único nome que venceu Carlos Prates dentro do UFC. O irlandês venceu por decisão unânime em abril de 2025, o que, na leitura de Cormier, explicaria por que Garry poderia ser o primeiro passo rumo ao título. Ainda assim, o comentarista ponderou que, dependendo do que a organização decidir, a “porta” foi aberta para ajustes no planejamento caso Prates siga como prioridade.
Cormier também afirmou que o resultado trouxe duas mensagens claras: que Prates está pronto para disputar o cinturão e que ele aprendeu com a derrota anterior. Ele citou especificamente o confronto contra Ian Garry, dizendo que, naquele dia, o brasileiro teria “congelado” e não lutado em alto nível, ainda mais contra um adversário que classifica como um lutador de elite (“um absoluto talento”, na forma como descreveu).
Na avaliação de Cormier, naquela semana de luta havia sinais públicos de que Prates talvez não estivesse pronto para o peso do momento, com repercussões nas redes sociais que indicavam possível falta de preparo para lidar com a pressão do main event. Mas, segundo ele, desta vez o cenário foi diferente: o brasileiro entregou um desempenho em patamar de campeonato.
O ex-campeão então apontou a grande barreira: a categoria está extremamente recheada. Ele disse sentir que a tendência poderia ser rumo a Ian Garry, mas que, caso fosse Prates depois dessa atuação, ninguém reclamaria. Para justificar, Cormier comparou a forma como Islam Makhachev lidou com Jack Della Maddalena: ele lembrou que viu Makhachev dominar o adversário para conquistar o cinturão, mas considerou que a atuação de Carlos Prates foi ainda mais convincente em termos de impacto e superioridade no octógono.
Se Prates não for o próximo desafiante de Makhachev, Cormier afirmou que não gosta da ideia de o brasileiro esperar para enfrentar o vencedor do possível duelo entre Makhachev e Garry — algo que, segundo ele, Prates teria como plano. Em vez de esperar por esse desenrolar, o comentarista sugeriu que o caminho mais interessante seria um confronto eliminatório de título com o invicto Michael Morales.
Fechando a análise, Cormier afirmou que, pela força e densidade do peso, Prates talvez precise lutar novamente antes de chegar ao cinturão. E, caso isso aconteça, ele disse que a expectativa deve ser que seja contra Morales.

