Darren Till mira Mike Perry no BKFC e provoca: estreia já vira tema do card

Darren Till, que vinha perseguindo Mike Perry por anos, finalmente assinou um contrato de múltiplas lutas para integrar o plantel do BKFC com um objetivo claro: estrear na modalidade encarando “The Prodigy”. A construção do duelo, porém, não saiu como o planejado — e a estreia do inglês na trocação sem luvas ganhou um novo capítulo em um card que já promete repercussão global.

O plano que mudou de rota

Till e Perry trocaram farpas por um bom tempo, com o norte-americano desafiando o britânico para um combate de bare-knuckle. Till, por sua vez, respondeu propondo que a conversa seguisse em outra regra, no boxe, até que a negociação com o BKFC avançou. A expectativa, então, era que a luta entre os dois finalmente acontecesse — mas o timing virou contra Till.

O problema é que Perry assinou para enfrentar Nate Diaz em uma luta de MMA no card que será encabeçado por Ronda Rousey contra Gina Carano, marcado para 16 de maio. Até por isso, o duelo que Till imaginava para sua estreia no BKFC foi adiado.

“Esse era o plano original”, disse Till. “Se o Mike voltar, ainda tem que ser a ideia. Essa luta está sendo construída há oito anos. Sim, tem que acontecer. Eu e o Mike precisamos lutar.”

O lutador também projetou cenários para um possível encontro com Perry, citando até possibilidades de maior escala: “Talvez a gente lute no Echo Arena [em Liverpool], ou no Anfield Stadium. Pode ser uma luta em estádio. É uma luta enorme, de verdade”.

Card com grandes nomes e um duelo que chama atenção

Embora Perry e Diaz não disputem uma luta em MMA há cerca de cinco anos, o confronto é visto como um dos mais aguardados do evento. O motivo é simples: Ronda Rousey não compete há uma década, enquanto Gina Carano ficou afastada do esporte por 17 anos, o que torna difícil prever como o main event se desenrolará.

No mesmo card, Francis Ngannou também estará em ação e aparece como favorito absoluto em seu duelo contra o veterano Philipe Lins.

Enquanto isso, Perry e Diaz carregam uma reputação de lutadores que entregam luta de forma agressiva, o que tende a transformar o combate em um espetáculo — pelo menos enquanto ambos estiverem dentro do ritmo necessário para sustentar o ritmo alto.

Críticas pesadas de Till a Perry e Diaz

Apesar de reconhecer o interesse do público, Till não poupou o confronto entre Perry e Diaz. O britânico acompanhou as tentativas de promoção do duelo antes do evento de 16 de maio, e avaliou a estratégia e o “clima” do combate com desdém.

“É só uma briga sem sentido, não é?”, disparou Till sobre Perry vs. Diaz. “Dois caras… é como se fossem dois bonecos lutando. O Nate Diaz não consegue nem formar uma frase direito, e o Mike também não. Isso é lixo. Lixo americano. Só lixo.”

Ele foi além ao ampliar a crítica para o restante do card: “Na verdade, todo mundo naquele card é lixo. É um card inteiro de pessoas… tudo lixo”.

Sobre a MVP e a aproximação com Jake Paul

Mesmo com o tom duro sobre o evento, Till admitiu que houve uma breve tentativa de colocá-lo no card promovido pela Most Valuable Promotion, ligado a Jake Paul. As conversas não avançaram, mas o lutador ressaltou que não tem nada negativo para dizer sobre a organização.

“A MVP estava conversando com o meu empresário”, explicou Till. “Acho que eles chegaram a ter contato. Eu, obviamente, teria interesse em lutar contra o Jake. O Jake tem outros planos na vida. Se um dia essa luta acontecer, então… ela está aí. Mas não chegaram a um acordo. Não tem nada ruim para falar deles, sinceramente. O Nakisa [Bidarian] parece ser uma pessoa legal. Espero que um dia a gente faça negócio.”

Na sequência, Till ainda reforçou sua situação no mercado: “Como eu disse, eu tenho várias propostas e várias opções na mesa. Estou bem com o Misfits. Estou bem com o BKFC. Eu acho que ainda estou bem com o UFC, mesmo depois de eu ter dado trabalho para o Dana [White] outro dia. Mas vamos ver”.

Dinheiro como fator decisivo e respeito pelo acerto

Mesmo sem gostar da forma como ele enxerga o duelo, Till não criticou a decisão de Perry e Diaz de buscar um grande pagamento para viabilizar a luta. O britânico admitiu que o fator financeiro foi determinante para sua própria mudança para o bare-knuckle — e, por isso, diz entender por que Perry pode ter deixado o BKFC por um tempo para encarar Diaz em busca de um cheque maior.

“Eu dou um pouco de desvantagem pro Mike, mas… se ele vai ganhar muito dinheiro aí com a MVP contra o Nate Diaz, respeito”, afirmou Till. “Mas eu não odeio o Nate. Eu não odeio o Mike. Eu faço provocação, dou trabalho, mas se eles estão ganhando uma grana grande, eu tenho que dar respeito e reconhecer os méritos também.”

Rousey vs. Carano: Till não se preocupa com a reação do público

Além de comentar Perry e Diaz, Till também não escondeu a opinião sobre o próprio card encabeçado por Ronda Rousey contra Gina Carano. Ele sabe que sua visão tende a gerar reações fortes, mas afirma que isso não muda seu comportamento.

“Olha, eu não dou a mínima”, disse Till. “Eu vou falar o que eu penso, e as pessoas que interpretem como quiserem. Eu não me importo. Ninguém está acima disso ou coisa parecida. Meu ego já foi machucado o suficiente. Eu já fui nocauteado diante de milhões. Imagina como eu me sinto!”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.