Allen x Strickland: farpas no “war of words” antes do UFC 328

Brendan Allen e Sean Strickland se encontraram no octógono há cerca de seis anos, mas desde então trilharam caminhos bem diferentes. Ainda assim, a distância entre eles não impede que troquem farpas verbais antes de suas respectivas agendas ganharem força. Strickland será o desafiante no main event do UFC 328 neste sábado, em Newark, nos Estados Unidos, quando encara Khamzat Chimaev pelo cinturão dos meio-médios. Allen, por sua vez, acabou entrando no camp do próprio Chimaev para o próximo compromisso do campeão, o que criou um cenário perfeito para provocações — e, segundo os dois lados, sem qualquer freio na hora de falar.

Chimaev x Strickland no UFC 328: Allen duvida das ameaças

O duelo entre Chimaev e Strickland vem acompanhado de clima pesado fora do cage. Ambos já deixaram claro, em entrevistas e interações pré-luta, que não descartam partir para a violência caso o confronto escalone além do esperado. Allen, no entanto, não acredita que Strickland realmente vá colocar em prática tudo o que vem dizendo.

Ao comentar o assunto, Allen afirmou que “tagarelar” é algo que não o convence. Ele disse que Strickland é exatamente o tipo de pessoa que fala para provocar reação, e que ele próprio faria o adversário “surtar” em uma coletiva. Na visão do brasileiro, a diferença apareceria assim que a luta começasse, deixando claro que Allen entende o próprio papel como alguém que tenta “matar” o oponente com as palavras antes mesmo da ação no octógono, mas que, no momento em que o contrato é assinado, não sobra espaço para discussão.

Allen também ressaltou que, encerrada a negociação, a conversa termina. Para ele, não há muito mais o que dizer: “sabemos que vamos lutar”. Assim, ele indicou que o foco precisa ficar no que acontece dentro do ringue, e não no discurso.

Histórico entre Allen e Strickland e o impacto do camp

Allen e Strickland já se enfrentaram anteriormente em um evento realizado no UFC APEX, em novembro de 2020. Naquele período, por conta das restrições ligadas à pandemia, a possibilidade de promover o combate publicamente era limitada, o que fez com que o clima de provocação ficasse mais contido fora do dia da luta. Ainda assim, quando chegou o momento decisivo, Strickland venceu Allen por nocaute no segundo round.

Agora, com Allen integrado ao camp de Chimaev, ele diz ter acompanhado de perto como a equipe do campeão reagiu às ameaças de Strickland. Na prática, o brasileiro afirma que o grupo trata os comentários com “um grão de sal” e que existe uma espécie de consenso interno sobre a intenção por trás das falas.

Allen: “a gente ri” e explica como o camp encara as provocações

Segundo Allen, a postura dentro do ambiente de treinamento é de riso e desarme. Ele mencionou que Strickland tenta puxar uma resposta emocional, mas que, para o time, a melhor resposta é simples: deixar claro que a briga será resolvida apenas no sábado, no momento do combate.

Allen também afirmou que, durante a preparação, Strickland teria demonstrado comportamento diferente ao longo dos treinos — e que, por isso, a equipe prefere não perder tempo com narrativas sobre sparring, supostos momentos de domínio e histórias que surgem apenas para alimentar a discussão. A ideia, conforme Allen descreveu, é não transformar o que ocorre no camp em combustível para o jogo psicológico.

Na visão do lutador, a leitura é que o objetivo é “passar por cima” do time para manter o foco em Khamzat Chimaev. Allen sustentou que, se alguém se importa com o campeão, precisa respeitar o próprio espaço e não colocar em risco a oportunidade de Chimaev finalizar o trabalho. Ele ainda acrescentou que, com contrato assinado dos dois lados, o confronto está definido: Strickland pode falar o que quiser, e os gestos e atitudes do adversário tendem a “fazer o que tiver que fazer”.

Por fim, Allen limitou a tolerância: se não houver agressão de fato, a estratégia é apenas deixar o discurso seguir seu curso. Caso haja contato físico, aí a situação muda. Ele concluiu dizendo que, no fim, Chimaev terá 25 minutos para sentir na prática o que Strickland tenta impor no discurso — e que a equipe acredita ser isso que vai prevalecer.

Strickland responde a Allen: provocações duras na mesa com jornalistas

Na terça-feira, durante um encontro com a imprensa, Strickland foi questionado sobre o que Allen havia dito. O desafiante então respondeu sem suavizar o tom, mirando diretamente o lutador brasileiro com críticas pesadas e acusações sobre o camp e o desempenho recente.

Strickland começou dizendo que Allen seria “a definição” de um comportamento desprezível, e em seguida tentou justificar por que considera a postura dele incoerente. Ele argumentou que Allen aparece em posição alta no ranking e que, mesmo assim, teria feito escolhas que, na leitura do norte-americano, não combinam com a busca por disputa de cinturão.

O desafiante também citou Edmen Shahbazyan como parte da narrativa. Strickland afirmou que Shahbazyan estaria prestes a vencer Allen, reforçando o que ele chama de fragilidade do brasileiro diante do nível exigido para brigar por título.

Na sequência, Strickland mencionou que o mundo teria visto Chimaev dominar Allen repetidas vezes durante os treinamentos — e que, para ele, essa contradição é o ponto central do problema. Strickland sustentou que tudo o que se sabe do camp de Allen seria ligado a apanhar de Chimaev, e concluiu que Allen jamais voltaria a disputar um cinturão.

Com o mesmo tom agressivo, Strickland ainda deu conselhos: se Allen quiser escutar alguma orientação, que pare de treinar com o campeão. E, caso opte por permanecer no ambiente, que não permita — segundo ele — que Chimaev o “desmonte” durante semanas seguidas.

Prévias e outros destaques do UFC 328

A semana de preparação para o evento segue movimentada, com falas envolvendo bastidores e expectativas em torno do ciclo de entrevistas. Em paralelo, surgiram comentários sobre possíveis rumos para atletas como Max Holloway e discussões sobre a real dimensão de determinados combates, incluindo a análise de que uma luta em evento específico poderia ser tratada como disputa de título na categoria de pesos pesados. Também houve destaque para conteúdos em vídeo relacionados a interações de imprensa e materiais do “embedded” do UFC 328.

Confrontos e agenda de lutas anunciados

Entre as informações de combates divulgadas, consta o confronto de Rafael Fiziev, com cartel de 13 vitórias e 5 derrotas, contra Manuel Torres, que soma 17 vitórias e 3 derrotas. A luta está marcada para o UFC Baku, no dia 27 de junho.

Fechamento: expectativa cresce para o ciclo de entrevistas

O clima do UFC 328 só aumenta conforme a semana avança. Mesmo sendo apenas quarta-feira, a cobertura do ciclo de provocações entre Khamzat Chimaev e Sean Strickland já teria atingido o limite para quem acompanha de perto o vai e vem de falas. Ainda faltam, segundo a programação do evento, o dia de mídia, a coletiva com a imprensa e a pesagem cerimonial antes do encontro no octógono.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.