De aneurisma ao cinturão do Pancrase: Rafael Barbosa mira vaga no UFC

Rafael Barbosa voltou ao octógono depois de um susto de saúde que colocou em dúvida até a continuidade da carreira. Exames realizados poucos dias antes do maior compromisso da vida do atleta apontaram um aneurisma cerebral, e ele seguiu em frente para conquistar o cinturão do Pancrase, agora carregando o título sobre os ombros.

Do risco de parar à volta por cima

  • Barbosa foi forçado a deixar a disputa do cinturão do LFA contra Jonas Bilharinho em março de 2022 por causa de um problema de saúde.
  • Na época, não havia clareza sobre se ele conseguiria voltar a competir.
  • O lutador passou por cirurgia semanas depois, em São José do Rio Preto (Brasil), e o procedimento foi considerado bem-sucedido.
  • Médicos informaram que “Coxinha” estaria liberado para lutar no futuro.
  • Em 2025, ele emplacou duas finalizações no Pancrase até parar Tatsuya Saika e ficar com o cinturão dos leves no último mês de março.

O caminho até o retorno foi marcado por incerteza. Em meio ao diagnóstico, Rafael Barbosa descreveu o sentimento de estar sem “base” emocional, mesmo sabendo que estava pronto para enfrentar Bilharinho.

“Foi um momento bem delicado, em que eu senti que não tinha onde me apoiar”, disse o lutador. Para ele, havia dois caminhos: desistir da carreira ou reagir ao cenário, “virar a chave” e construir algo histórico, seguindo adiante apesar do choque de ter a cabeça como preocupação central.

A cirurgia aconteceu algumas semanas depois, no Brasil. Rafael relatou que, ao chegar ao hospital, teve uma conversa marcada pela fé e acordou ainda na mesa cirúrgica, com tensão no ambiente e orientação para manter-se acordado durante o processo.

Segundo “Coxinha”, depois de uma cirurgia de dez horas, o retorno à UTI não era esperado, mas ele acabou indo. Dois dias mais tarde ele já circulava pelo quarto, e no terceiro dia conseguiu ir para casa, interpretando a recuperação rápida como um sinal para continuar.

Curto prazo no LFA e mudança de categoria

Em março de 2023, um ano após a luta do LFA contra Bilharinho ter sido cancelada e antes do prazo final definido pelos médicos, Rafael Barbosa aceitou uma oportunidade em cima da hora. Ele viajou para Niagara Falls, nos Estados Unidos, para encarar Mairon Santos em um compromisso co-main event do LFA.

Apesar da decisão a favor do adversário, o lutador decidiu ajustar o planejamento de peso. Ele optou por subir para o peso leve, reduzindo o impacto de cortes extras, e a partir daí passou a buscar novos rumos na carreira.

Mais tarde, “Coxinha” assinou com o Pancrase. Em 2025, ele conseguiu duas vitórias por finalização dentro do evento, até chegar ao duelo decisivo que lhe deu o cinturão na categoria dos leves.

No compromisso mais recente, Rafael Barbosa finalizou Tatsuya Saika e conquistou o título dos leves do Pancrase neste último mês de março. O feito consolidou a volta depois do susto e transformou a trajetória em uma história de superação.

O que o cinturão representa para “Coxinha”

Rafael Barbosa não trata apenas o título como troféu; ele associa o cinturão a um sentimento mais profundo no esporte. Para ele, além do resultado, o que mais importa é poder estar vivo e competir dentro do cage.

“De tudo o que o cinturão do Pancrase pode me dar, isso é o que me deixa mais feliz”, afirmou. Ele também ressaltou que os fãs mais antigos do evento entendem o peso do Pancrase e, por isso, a conquista tem um significado especial.

Barbosa ainda comentou o período sem lutar e o processo emocional vivido ao longo da jornada. Ele contou que ficou dois anos fora dos combates e que, quando entrou na divisão, já tinha a convicção de que se tornaria campeão.

Com o cinturão de prata no corpo, o lutador passou a projetar os próximos passos. A meta inclui uma chance no Dana White’s Contender Series ou, caso não surja a oportunidade, um acordo com a RIZIN para tentar novamente um título.

“Acho que uma vaga vai abrir logo [para o DWCS], e acredito que estou de volta no radar”, disse “Coxinha”. Se a chance no programa não acontecer, ele prefere seguir competindo no Japão e mirar a RIZIN.

O raciocínio do atleta também envolve o caminho dos campeões do Pancrase. Ele lembrou que o lutador que ele derrotou na luta mais recente, Tatsuya Saika, já foi para a RIZIN antes e venceu por nocaute por lá. Além disso, segundo Rafael, todos os campeões do Pancrase acabam indo para o Contender ou para a RIZIN — e ele quer exatamente essa oportunidade.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.