Della Maddalena mira redenção no UFC Perth e quer voltar a vencer no octógono

Seis meses depois de sua primeira derrota na carreira dentro do Ultimate, Jack Della Maddalena enfim terá a chance de corrigir o rumo já na próxima semana. O australiano busca retomar o caminho das vitórias em casa, em um momento que exige resposta imediata.

Para Della Maddalena, porém, o peso da luta é maior do que o normalmente visto quando um atleta tenta se recuperar da primeira queda no octógono. Desta vez, trata-se do retorno após a perda do cinturão dos meio-médios.

Com cartel de 18-3 no MMA e campanha de 8-1 no UFC, Maddalena fará seu combate em Perth, na Austrália, ao encabeçar o UFC Fight Night 275 contra o crescente nome da categoria, Carlos Prates. O adversário chega com 23-7 no cartel geral e 6-1 no cartel do UFC. O duelo principal, programado para cinco rounds, acontece no dia 2 de maio no RAC Arena, em Perth.

Durante o período já em estágio avançado de preparação para enfrentar Prates, Maddalena não gira o pensamento em torno do revés sofrido diante de Islam Makhachev. Na ocasião, Makhachev subiu de divisão para disputar o título e entregou uma atuação de desgaste, persistente e dominante, na qual Maddalena encontrou poucas respostas. Ainda assim, logo após o combate, a perspectiva do brasileiro provavelmente seria diferente.

“Foram alguns dias”, disse Maddalena em entrevista ao programa Jack Della Maddalena Radio. “Foi difícil engolir, mas não demorou muito. Eu entendi que não foi uma boa performance e que eu perdi para o melhor lutador. O que dá para fazer é voltar para a academia, voltar para o plano de trabalho, descobrir o que saiu errado e tentar ajustar para se tornar um atleta melhor.”

O australiano também comentou como foi encarar Makhachev, que além de campeão é aluno e parceiro de treino do ex-campeão peso-leve do UFC, Khabib Nurmagomedov. Segundo Maddalena, a sensação no confronto era como “ficar atolado”. A luta contra o novo campeão aconteceu em sua primeira tentativa de defesa após conquistar o cinturão de Belal Muhammad seis meses antes.

“Eu não estava conseguindo colocar o ritmo de pés como deveria e também não fui agressivo o bastante a partir de baixo para criar chances de voltar para a luta em pé”, afirmou Maddalena. “Foi uma noite difícil, mas eu perdi para o melhor lutador.”

“… No fim das contas, é só uma luta. Não muda muita coisa. Meus amigos e minha família continuam me apoiando. Você precisa entender que a vida segue, seja com vitória ou derrota.”

Ainda que a vida siga, a situação de Maddalena sugere que ela poderia andar muito melhor com um triunfo diante de Prates. “O Pesadelo” (The Nightmare) soma bônus em todas as seis vitórias que obteve no UFC — e todas terminaram antes do limite, com nocaute. Se Prates ainda não tinha a chance de apagar nomes como o ex-campeão Leon Edwards e o “gatekeeper” Neil Magny com sua esquerda perigosa, ele também já interrompeu adversários com cotoveladas em rotação (Geoff Neal) ou com joelhadas (Charles Radtke).

O nível de ameaça do adversário parece ser exatamente o combustível que deixa Maddalena mais ligado. Ele acredita que vencer alguém com o desempenho recente e o histórico que Prates vem construindo pode colocá-lo rapidamente de volta na rota de uma disputa de título.

“Ele tem feito uma sequência muito boa, com vitórias importantes e nocautes brutais. É um duelo empolgante e uma luta difícil”, declarou Maddalena. “… Quando ficou confirmado que era o Carlos, eu pensei: ‘Sim, é uma ótima luta’. Mesmo antes de anunciar, eu já conversava com fãs no UFC Sydney e eles queriam ver esse confronto. É uma luta que agrada ao público.”

“Eu acho que o primeiro minuto vai ser interessante. Os dois vão entrar num fluxo — um fluxo violento. Eu não vejo muita dança no começo. Vamos nos envolver, ver quem é o lutador mais completo, e crescer dentro das cinco rodadas.”

A estratégia do australiano pode passar por tentar empurrar Prates para um cenário de maior desgaste, esticando o combate. Maddalena já chegou aos 25 minutos em lutas de cinturão consecutivas. Do lado de Prates, a única vez em que ele precisou atravessar cinco rounds foi contra Ian Machado Garry — e o irlandês venceu no ritmo para decidir, enquanto essa foi a única derrota do brasileiro no UFC até aqui.

Por isso, caso consiga superar Prates, Maddalena enxerga o caminho de retorno na direção de Makhachev.

“Esse seria meu objetivo final: me desafiar de novo e tentar fazer os ajustes certos para conseguir a vitória”, disse Maddalena.

“Eu acho que vou tirar o Carlos no quinto round. Quero buscar a finalização bem no fundo das cinco.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.