Max Griffin sofreu uma derrota por decisão dividida para Chris Curtis em Nashville no mês de julho passado, e com isso passou a ocupar uma fase difícil na carreira. O resultado fez o veterano do peso meio-médio cair para 20-12 no cartel geral, em um momento de pressão no disputado cenário da categoria.
Foi o segundo revés seguido do atleta de 40 anos e o terceiro revés em seus últimos quatro compromissos. Com isso, Griffin entrou em uma situação delicada em meio a uma divisão extremamente competitiva, onde a margem para erros é pequena.
Treino contínuo e chamado para encarar Victor Valenzuela
Quase assim que terminou a participação anterior, Griffin voltou ao ginásio em busca de retomar o ritmo ainda no fim do ano. A luta, porém, não chegou a se concretizar no calendário, e o meio-médio preferiu manter o trabalho nos treinos para permanecer pronto quando surgisse uma nova oportunidade.
Em entrevista, Griffin explicou que vinha treinando forte ao longo de agosto, setembro e outubro, focado em evolução técnica. Segundo ele, recebeu então o convite para encarar Victor Valenzuela neste fim de semana, em Las Vegas.
“Eu estive trabalhando pesado até agosto, setembro, outubro — é só treino, aprendizado e evolução. Eu entrei numa missão”, afirmou Griffin.
O que mudou na cabeça para lidar com a espera
- Ficar em um padrão de “aguardar e ver” pode deixar alguns atletas irritados.
- Para Griffin, manter o foco em melhorias nos últimos meses foi um ponto positivo.
- Ele passou a trabalhar a aceitação: controlar o que está ao alcance e evitar estresse desnecessário.
- Griffin afirmou que não ficou parado no sofá e que não procurou luta com pedido de margem de peso.
Griffin ressaltou que a rotina de “espera” costuma ser o tipo de situação que tira a estabilidade mental de alguns lutadores, já que a preparação fica mais fácil quando há previsibilidade e um nome definido para mirar. Ainda assim, para um veterano com 18 lutas dentro do UFC, transformar esse período em foco de evolução ajudou a construir um novo modo de encarar o compromisso.
“Talvez seja uma questão de como a mente está. Eu estive trabalhando bastante com o Micah na parte esportiva com psicólogo, além de eu sempre ler, aprender. No fim das contas é aceitação: controlar o que eu posso”, disse Griffin.
Ele completou a ideia afirmando que o controle dele envolve estar no peso, manter a atenção e chegar preparado, além de evitar lesões. Na visão do meio-médio, não faz sentido se machucar durante o treino e, ao mesmo tempo, não atender uma chamada para lutar.
“Eu sinto que, quando minha mente vai para um lugar melhor, eu aceito mais. Quando a luta chega, chega. Eu não vou criar um estresse desnecessário. Todo mundo está mais ansioso do que eu”, acrescentou.
“Todo mundo está estressando mais do que eu. Eu parei de fazer isso e passei a acreditar que a luta certa vai aparecer. E aqui estamos”, completou.
O lutador também brincou sobre o tempo de preparação, dizendo que não se tratava de um aviso tão curto quanto parecia. Ele afirmou que não passou o período parado e que não ficou pedindo uma luta com ajuste de peso.
Victor Valenzuela: estreia no radar e perfil de tamanho
O outro lado dessa história é o desafio esportivo que Griffin terá pela frente neste fim de semana. Valenzuela chega como uma novidade no elenco promocional: ele havia sido derrotado na última edição da Dana White’s Contender Series, mas se recuperou antes deste retorno ao UFC.
Mais cedo este ano, o adversário de Griffin venceu em luta de primeira rodada na Dana White’s Contender Series, em um compromisso que colocou no caminho também um ex-atleta do UFC, Yusaku Kinoshita. Aos 32 anos, Valenzuela soma 13 vitórias e quatro derrotas como profissional.
Apesar do cartel positivo, o papel de “desvantagem física” aparece no papel: Valenzuela é menor para o peso meio-médio. Ele mede 1,75m (cinco pés e nove polegadas) e tem envergadura de 71 polegadas.
Preparação de Griffin: mais atenção ao auge do que ao estilo do rival
Para Griffin, a preparação foi muito mais sobre chegar no ponto máximo de desempenho no sábado do que sobre tentar adivinhar todas as nuances do que Valenzuela vai apresentar no octógono. O veterano afirmou que conseguiu trabalhar mais possibilidades fora do período tradicional de acampamento.
“Eu senti que consegui fazer mais coisas. Quando você está em camp, eu tenho a sensação de que você não está crescendo tanto — você fica lapidando uma ferramenta específica, em vez de treinar com vários caras e correr riscos. É fora do camp que eu vejo os maiores ganhos”, declarou.
Griffin disse ainda que, por já lutar há bastante tempo, sua leitura passa por entender o que o adversário faz e por que, na visão dele, lutar em cima da hora pode ser pior para o oponente. Segundo o meio-médio, o plano é colocar o rival sob pressão e executar o próprio jogo.
“Eu acho que é pior para ele lutar comigo em curta preparação. Eu vou lutar muito, estou pronto”, afirmou, rindo.
Ele explicou que está acostumado com o modo de encontrar evolução a cada combate e que, nos últimos compromissos, adotou uma postura mais agressiva, mais “no ritmo”, com maior intensidade. Na estratégia para este duelo, Griffin destacou o estilo de troca do adversário, mas também citou que vê vulnerabilidades.
“Eu venho aprendendo muita coisa, cara. Em cada luta eu tiro ensinamentos. Eu tenho ficado mais na cara, no gás, mordendo o lábio e atacando. Neste combate, eu gosto do fato de ele gostar de brigar, gostar de pressionar, mas ele é suscetível a várias coisas. E eu gosto da diferença de envergadura”, disse.
“Eu não acho que já enfrentei alguém em que eu tinha uma vantagem de seis, sete polegadas. Ele vai ter que entrar em mim — ou tentar — mas eu tenho muita coisa para ele”, concluiu.
Aceitação também para pensar no futuro
A mesma aceitação que orientou a preparação também aparece no modo como Griffin enxerga a trajetória da carreira. Estar em sequência de derrotas nunca é confortável, e não estar alto na lista de retornos também envia mensagem sobre a importância de interromper a queda e entregar um bom resultado no sábado.
Mesmo assim, depois de mais de uma década competindo no principal palco do esporte, Griffin afirmou que sabe o que pode fazer: dar o melhor esforço possível e aceitar o que vier depois. Para ele, caso a vitória não aconteça, a tranquilidade estaria no fato de encarar o resultado com maturidade.
“É isso! Na minha cabeça é isso! Se for para acontecer, eu vou lá, vou fazer o meu trabalho e vou tirar ele de lá. Se não for, é isso — e eu estou bem com isso. Eu estou bem com a situação. O que vai acontecer vai acontecer”, declarou.
“Eu vou fazer o meu melhor, fazer o que eu sei fazer, e eu estou bem com isso”, completou.
Griffin ainda afirmou que se considera o mais preparado que já esteve. Ele relembrou que, ao olhar para os últimos nove meses, sentiu que estava evoluindo e prontou-se para lutar desde outubro, enxergando o combate como algo decisivo em sua cabeça.
“Eu estou mais preparado do que nunca. Quando eu olho para esses nove meses, eu estava destruindo. Eu estive pronto para lutar desde outubro. Na minha mente, pode ser a minha última luta, talvez. Eu vou dar tudo e eu tenho que acabar com esse cara. É isso”, disse.
O lutador também compartilhou um momento pessoal envolvendo a história do bisavô de sua esposa, que faleceu recentemente. Griffin relatou que, ao morrer, o homem teria partido com um sorriso no rosto, e que a mensagem de aceitar o fim com serenidade acabou impactando sua forma de encarar a possibilidade do último capítulo dentro do esporte.
Sem pensar como o fim: “hora de fazer”
Embora a ideia de encerrar uma carreira seja diferente de encarar a própria morte, Griffin reforçou que estar em paz com o que foi feito é algo essencial tanto para a vida quanto para o octógono. Ainda assim, ele deixou claro que não pretende tratar este compromisso como a despedida definitiva.
“Vai ser maravilhoso. Eu vou acabar com esse cara. Eu sei o que eu posso fazer, meu pessoal sabe o que eu posso fazer. Então é hora”, finalizou.

