Khamzat Chimaev ignora ameaças de Strickland e foca no UFC 328

Se Sean Strickland realmente entrar em modo “Tarzan” ao encontrar Khamzat Chimaev cercado por um suposto grupo de apoio, a ideia de “tirar uma arma” e “atirar” virou parte do folclore da rivalidade — e, até aqui, ninguém explicou como o lutador pretendia transportar uma arma da residência em Las Vegas até o hotel que vai receber o evento em Newark. Também não houve comentários sobre uma eventual prisão e pena de prisão, caso esse tipo de ameaça saísse do campo das provocações. Nesse cenário, a equipe de Khamzat parece ter decidido não embarcar na mesma linha, evitando reagir ao que chamou de “isca” da outra parte.

Alan Nascimento, treinador do camp de Chimaev, tratou o tema como parte do jogo, mas deixou claro que não acredita que a rivalidade precise ultrapassar limites. Segundo ele, a lógica do confronto no octógono já inclui a tentativa de desestabilizar o adversário com provocações, e esse comportamento virou algo aceito no esporte. Ainda assim, Nascimento afirmou que esse tipo de discurso mais extremo — com menções a violência fora do contexto — não faz sentido e, na visão dele, ninguém deveria levar a disputa para esse nível. Ele também ressaltou que o “trash talk” moderno pode se valer de qualquer recurso para pressionar psicologicamente o oponente, mesmo quando envolve assuntos que, na avaliação do treinador, não deveriam ser usados. O técnico ainda criticou a forma de atacar temas como família e filhos, dizendo que não considera isso uma atitude digna de um homem, embora tenha reconhecido que, se esse tipo de argumento está disponível no confronto, o outro lado tende a recorrer a ele.

Nascimento citou ainda que a tendência de ampliar a provocação até temas pessoais ganhou força no fim da década passada, colocando Conor McGregor como referência por ter iniciado esse estilo em 2019. Para o treinador, porém, o foco do trabalho não é alimentado por esse tipo de ruído: a função do camp é conversar com o atleta e garantir que ele não seja afetado mentalmente ou psicologicamente. Ele descreveu que essa proteção precisa ser muito bem feita, porque a responsabilidade do treinador vai além do combate em si, envolvendo a preparação emocional para que a semana de luta não desorganize o planejamento.

O comandante técnico também afirmou que, na comparação com fases anteriores, o próprio Chimaev estaria mais maduro hoje. Assim, certas questões que antes exigiam atenção e manejo mais cuidadoso deixaram de ser um problema constante no dia a dia. Na avaliação do treinador, o trabalho vem sendo conduzido de maneira mais fluida e organizada, sem necessidade de lidar com atritos que antes apareciam com mais frequência.

Khamzat Chimaev coloca o cinturão dos médios em jogo contra Sean Strickland no main event do UFC 328, marcado para 9 de maio, em Newark.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.