Jack Della Maddalena volta ao octógono neste sábado (2 de maio) em mais uma oportunidade no card principal do UFC Perth. A “volta por cima” começa com peso: após sofrer no UFC 322 uma derrota que o deixou visivelmente desconfortável, ele agora encara Carlos Prates em luta que pode definir os próximos passos do campeão no limite do peso-médio.
No main event, Della Maddalena tenta reagir depois de passar boa parte de 25 minutos sendo controlado no chão por Islam Makhachev. Foi a primeira defesa de título do australiano e, caso ele não corresponda diante da torcida em Perth, a trajetória pode sofrer nova pausa — justamente quando a chance de seguir no topo exige desempenho imediato.
UFC Perth: card, local e horário
- Evento: UFC Perth
- Local: RAC Arena, em Perth, na Austrália Ocidental
- Data: sábado, 2 de maio
- Prelims (7 lutas): começam às 4h (horário do leste dos EUA)
- Main card (6 lutas): às 7h (horário do leste dos EUA)
- Transmissão: streaming ao vivo no serviço Paramount+
O confronto também é importante para Carlos Prates. Ele chega a território adversário com o objetivo de recuperar o protagonismo e, com uma atuação convincente, se colocar mais perto de uma nova chance pelo cinturão. Até aqui, o brasileiro vive um momento forte no Ultimate: são seis vitórias em sete lutas, com bônus de “Performance da Noite” em cada uma dessas conquistas.
Para quem gosta de trocação, o duelo entre Della Maddalena e Prates promete ser um prato cheio. No papel, trata-se de um dos melhores confrontos do ano de 2026, com a expectativa de que os dois se estudem bastante e que a luta não vire um festival de pancadaria — e sim uma batalha tensa, com golpes chegando por pouco, mas sem garantir finalizações em sequência.
O que esperar do duelo Della Maddalena x Prates
A trajetória de Jack Della Maddalena até o topo foi irregular no começo. Antes de chegar ao UFC, ele iniciou a carreira profissional com duas derrotas e, em um cenário alternativo, poderia até ter deixado o MMA de lado. Mas o “JDM” seguiu no caminho, emendou dez vitórias consecutivas e deslanchou na organização.
Ainda assim, a defesa de título não veio sem sustos. Em duelos contra Bassil Hafez e Kevin Holland, ele passou por testes em lutas disputadas por três rounds. Depois, esteve perto de sofrer quando enfrentou Gilbert Burns, mas reagiu com força no fim do terceiro assalto, acertando um joelho que mudou o rumo do combate.
Foi na guerra de cinco rounds contra Belal Muhammad que Della Maddalena consolidou a condição de campeão. Por isso, a ideia de que ele “passará por cima” de Prates parece improvável: os dois devem ter analisado bastante o jogo um do outro e, na prática, a tendência é de confrontos equilibrados, com ataques que quase terminam a luta — mas sem que um lado consiga transformar vantagem em finalização.
Após a derrota pesada para Islam Makhachev, a expectativa é de evolução. O cenário projetado para este sábado passa por melhora na defesa de golpes, maior controle para evitar quedas caso Prates decida lutar pelo clinch e no grappling, além de um ajuste mental mais forte do lado de Della Maddalena. Ainda assim, existe risco real: Prates pode usar exatamente isso como combustível e surpreender, derrubando o adversário como fez com outros oponentes no caminho.
Prognóstico: Della Maddalena por nocaute no round 3.
Prévia do card: brasileiras e brasileiros em foco
Beneil Dariush x Quillan Salkilld abre o bloco de lutas do evento com uma missão clara: esta disputa serve para colocar Salkilld como um nome de destaque na divisão dos leves. Para Dariush, o desafio é grande, mas o momento também é de reconhecimento pela carreira e pelo que ainda pode fazer no octógono nesta noite.
Mesmo com experiência e técnica para encarar atletas do topo, Dariush parece ter limitações mais visíveis agora, especialmente em reflexos e resistência. Seu estilo de defesa costuma começar com resposta rápida, tentando acertar primeiro, mas a leitura não é a mesma quando o adversário tem juventude e agressividade na mesma medida.
A previsão para a luta aponta que o que decide é o risco de queda e a capacidade de Salkilld impor seu plano. A ideia é que ele consiga manter Dariush distante no embate e, ao mesmo tempo, usar seu jogo de grappling para não dar espaço para o veterano ditar o ritmo. O caminho mais provável, na visão projetada, é uma finalização por nocaute ainda no começo.
Prognóstico: Salkilld por nocaute no primeiro round.
Tim Elliott x Steve Erceg tem cara de duelo para “estragar o plano” do outro. Elliott gosta do papel de adversário incômodo e costuma apresentar um estilo considerado “desconfortável”: movimentos irregulares, variações e uma busca constante por trabalho no chão. A expectativa é que ele obrigue Erceg a estar no seu melhor o tempo todo, sob risco de passar vergonha diante da própria torcida.
Do outro lado, o ponto forte de Erceg tende a ser a consistência. A paciência ajuda a evitar frustração enquanto Elliott tenta desorganizar a distância com deslocamentos e mudanças de ângulo. A leitura é que o início pode ser mais travado, mas que, com o tempo, Erceg consiga impor o boxe e prevalecer no volume.
Também há interesse no componente de grappling: caso a luta desça para o chão, Erceg tem uma base eficiente o suficiente para ameaçar finalizações, mesmo que sem ser necessariamente o mais “espetacular” nesse aspecto. Com isso, a aposta fica no desfecho por decisão.
Prognóstico: Erceg por decisão.
Marwan Rahiki x Ollie Schmid entra como história de última hora. O plano original era ter Jack Jenkins na posição para testar o invicto e ainda “sem lastro” no UFC, mas uma lesão tirou o austral por substituição. Com menos de uma semana, Ollie Schmid recebeu a chamada.
Schmid, de 25 anos, não parece no nível de um produto UFC consolidado, mesmo considerando que a régua vem caindo nos últimos anos. Ele tem cartel de 4-2 e uma parte relevante das vitórias veio contra adversários com histórico negativo. Além disso, conta com experiência amadora respeitável e treina na City Kickboxing — porém, o conjunto ainda não sustenta a expectativa de uma grande virada.
Rahiki deveria levar vantagem e controlar o ritmo do confronto. Mas existe o “porém”: uma surpresa grande poderia acontecer se Schmid apostar em um estilo ousado, tentando acertar Rahiki com um ataque pouco ortodoxo, algo mais comum no circuito regional. Mesmo assim, a projeção é de que o cenário não se concretize.
Prognóstico: Rahiki.
Shamil Gaziev x Brando Pericic promete choque de estilos no peso-pesado. Gaziev tende a buscar potência à distância, enquanto Pericic costuma agir como um “triturador” quando o oponente chega perto demais, tentando transformar aproximação em pressão constante.
A pergunta é se Pericic vai impor ritmo desde o início. A leitura é que talvez não exista escolha confortável: Gaziev vem de derrota para Waldo Cortes-Acosta, que aconteceu por excesso de empolgação. Por isso, a expectativa é de redução na agressividade para lidar com um adversário perigoso como Pericic.
Os dois têm poder para apagar no primeiro golpe, então a chave está em quem consegue primeiro o alcance ideal. No momento, a sensação é de que ninguém no topo do peso-pesado está totalmente seguro, e Pericic pode entrar na lista de nomes que sobem de forma surpreendente. Ainda assim, a aposta pende para Gaziev por ter enfrentado adversários mais difíceis, mesmo sem ter vencido todos.
Prognóstico: Gaziev por nocaute no primeiro round.
Tai Tuivasa x Louie Sutherland é a luta em que a leitura mais “estranha” vira aposta. A projeção é que Tuivasa seja o escolhido, aproveitando um momento em que o UFC tem feito marcações mais claras para resultados esperados em duelos de mando e reposição.
Sutherland entrou na vaga de Sean Sharaf, e a ideia é que ele não seja tão protegido no combate quanto o tempo de preparação sugere. Ainda que Sutherland possa tentar uma entrada rápida por queda com uma perna só, a previsão é que ele não tenha explosão suficiente para simplesmente levar Tuivasa ao chão de forma fácil e contínua.
Como Sutherland deve buscar acertar primeiro, o espaço para Tuivasa aparece: a aposta é que ele consiga, enfim, fazer o que mais sabe — encaixar pancadas pesadas, tipo “marteladas” na cabeça — e transformar o domínio em vantagem decisiva rapidamente.
Prognóstico: Tuivasa, com a mão erguida em menos de um minuto, encerrando a sequência de mais de quatro anos sem vitória.
Resultados das preliminares
- Cam Rowston def. Robert Bryczek
- Junior Tafa def. Kevin Christian
- Jacob Malkoun def. Gerald Meerschaert
- Colby Thicknesse def. Vince Morales
- Ben Johnston def. Wes Schultz
- Jonathan Micallef def. Themba Gorimbo
- Kody Steele def. Dom Mar Fan

