Com quase 50 eventos por ano no calendário, é natural que o UFC tenha dias mais inspirados e outros nem tanto. Ainda assim, vem ganhando força a percepção de que, em algumas oportunidades, a organização estaria encontrando dificuldades para montar cardápios tão atrativos quanto o público gostaria — seja em Fight Nights realizadas no Meta APEX, seja em programações com grande número de estreantes, muitas vezes oriundos da Dana White’s Contender Series. A discussão ganhou mais combustível desde a estreia do novo acordo de transmissão com a Paramount, em janeiro. Porém, para Mark Shapiro, presidente e COO do TKO Group Holdings, não existe um problema estrutural na qualidade do produto apresentado pela companhia.
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Resultado/posicionamento: Mark Shapiro afirma que não há queda de qualidade nos cards do UFC e que o produto segue forte.
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Método: declaração do executivo durante chamada financeira do TKO Group Holdings.
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Round: não aplicável (matéria é sobre posicionamento corporativo, sem lutas específicas).
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Tempo/local: chamada financeira realizada em uma quarta-feira (sem local público detalhado na fonte).
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Categoria de peso: não aplicável.
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Cartel dos lutadores: não aplicável (sem resultados de lutas na fonte).
Shapiro rebate críticas e diz que o “produto” segue forte
Durante a conversa com investidores, Shapiro resumiu o argumento com firmeza: “o que não compramos é essa narrativa”. Para ele, a base do UFC está consolidada, citando diretamente o momento atual da marca. O executivo destacou que a força do produto permanece alta, que o alcance do UFC é maior do que nunca e que, portanto, os fundamentos seguem “cravados”.
Shapiro mencionou exemplos recentes para sustentar seu ponto. Segundo ele, quem acompanhou o último evento numerado em Miami — o UFC 327 — ficou impressionado. Já quem assistiu ao último Fight Night, realizado na semana anterior em Perth, na Austrália, também teria visto um espetáculo extraordinário, com presença de público esgotada ou audiência significativa.
“Estamos em fase de construção o tempo todo”, diz o executivo
O dirigente sustenta que o UFC trabalha continuamente na formação de novas estrelas e no aumento do elenco geral, o que, na visão dele, tende a gerar eventos maiores e melhores. Para Shapiro, a promoção está sempre em “fase de construção”, procurando talentos promissores ao redor do mundo e colocando esses atletas em lutas relevantes de maneira constante.
Ele também apontou uma dinâmica clara no momento atual do esporte: a ascensão de jovens lutadores. Muitos deles, de acordo com Shapiro, estariam assumindo posições no Top 10 que antes eram ocupadas por nomes que figuram há anos nas paradas. O executivo citou como exemplo a chegada de uma nova geração, incluindo atletas como Joshua Van, o brasileiro Carlos Prates e o invicto Michael Morales — apresentados como parte do que ele chama de “próxima geração”.
Shapiro ainda reforçou essa linha ao comentar cards específicos e estratégias de escala. Entre eles, citou a programação associada ao evento “White House card”, descrevendo que o UFC montou um card forte e ainda adicionou uma luta ao card original. Além disso, mencionou o UFC Freedom 250 como uma noite “encaixada” do início ao fim, com foco em oportunidades para colocar em evidência um dos nomes mais promissores: Ilia Topuria.
UFC não controla quem vence, diz Shapiro; elenco, estilos e timing contam
Ao falar sobre o processo de construção de cards, Shapiro deixou claro que a organização não tem como definir o resultado das lutas — e que isso faz parte do jogo. “A verdade real é que não cabe a nós determinar quem vence”, afirmou. Para ele, o UFC trabalha com grandes personalidades vindas de diferentes partes do mundo, com estilos empolgantes e, quando esses atletas vencem, o esporte entrega exatamente aquilo que a promoção busca: momentos que funcionam como “raio em uma garrafa”, expressão usada para descrever o impacto de uma vitória que nasce de uma combinação difícil entre talento, contexto e execução.
Na mesma fala, Shapiro tratou a equipe de bastidores como diferencial. Ele afirmou que não existe, em qualquer outro esporte, um conjunto de matchmakers tão competente quanto o time do UFC liderado por Hunter Campbell, Sean Shelby e Mick Maynard.
Comparação com ciclos de popularidade em grandes ligas dos EUA
Apesar de ser difícil discordar que o UFC tenha apresentado, nos últimos anos, menos superestrelas em evidência constante do que em um período de auge em que Conor McGregor e Ronda Rousey lotavam arenas e movimentavam grandes números de pay-per-view, Shapiro entende que a variação faz parte de qualquer ecossistema esportivo. Ele argumenta que isso não é uma exclusividade do UFC, e sim um comportamento natural de competições que dependem de estrelas, narrativas e ciclos de audiência.
Como referência, o executivo citou a NBA. Ele lembrou que a liga profissional de basquete viveu momentos de crescimento expressivo, mas também passou por fases com queda nas vendas de ingressos e nos índices de audiência televisiva. Na leitura de Shapiro, isso faz parte da natureza das modalidades, e o UFC lidaria com essas oscilações de forma semelhante ao que qualquer grande liga enfrenta.
Shapiro reforçou a ideia de “altos e baixos” com um exemplo histórico: a fase do esporte em que a NBA estava em chamas com Michael Jordan, até a saída do astro, quando veio um período de queda. Na sequência, ele citou a ascensão de Shaquille O’Neal e Kobe Bryant, dizendo que, enquanto esses nomes estavam em evidência nas finais, a liga seguia forte. Já quando não estavam presentes ou quando as atenções se deslocavam para outras franquias, como Nets ou San Antonio Spurs, o desempenho diminuiu.
Fechando a comparação, Shapiro mencionou o clamor do público por mais estrelas — lembrando que, mesmo antes das redes sociais, já havia ruído e discussão — e apontou que, hoje, a NBA e o esporte em geral estão em um patamar em que personalidades e times bem posicionados geram ainda mais força. Como exemplo atual, citou a força do New York Knicks, destacando o apelo gerado por uma equipe jogando bem.

