Sean Strickland e Khamzat Chimaev vêm disputando, há anos, por causa de uma famosa sessão de sparring ocorrida na Xtreme Couture. O atrito, que começou como uma briga de bastidores, acabou ganhando peso de “inimizade” real entre dois dos principais meio-médios (categoria dos 185 libras) e adiciona um tempero extra ao main event do UFC 328 neste sábado (9 de maio de 2026), no Prudential Center, em Newark, no estado de New Jersey. Além do cinturão em jogo, a luta também vale o direito de impor superioridade — um tipo de “prêmio” de provocação e domínio psicológico fora do octógono.
O sparring que virou briga: disputa de bastidores amplia o clima do duelo
A controvérsia ganhou novo impulso quando Chimaev decidiu divulgar trechos do material polêmico. A mensagem, segundo o contexto da própria rivalidade, foi elevar as apostas antes da luta marcada para este fim de semana. Mesmo que a sessão de treino em si não tenha sido tão marcante em termos técnicos, o gesto funcionou como uma resposta direta a uma acusação anterior de Strickland: a de que Chimaev só “aperta” e domina adversários iniciantes na academia, como se estivesse mais interessado em intimidar do que em lutar de maneira equilibrada.
No encontro com a imprensa antes do UFC 328, Strickland comentou o vídeo que foi vazado, sustentando que aquilo era apenas parte do aquecimento. O norte-americano também afirmou que não tinha consciência de que estava sendo gravado, tentando enquadrar o conteúdo como algo fora do contexto do treino “de verdade”.
- Strickland disse que não sabia que a filmagem estava acontecendo durante os sparrings.
- Ele caracterizou as imagens como “rounds de aquecimento”.
- O lutador citou que o ângulo do registro teria sido ruim e que o cenário do treino não representaria o que seria o sparring em condições normais.
Em sua fala, Strickland ainda intensificou o tom pessoal, dizendo que a situação tinha “ponto” questionável e provocando Chimaev com uma leitura de fraqueza. O norte-americano também admitiu que a escolha do shorts no momento do registro teria sido “problemática”, mencionando que a peça era de uma marca comprada pela internet, além de reforçar que o enquadramento não favorecia a interpretação do que ocorreu.
Estratégia e motivação: Strickland tenta enquadrar o episódio e revisa o histórico de sparring
Além de tratar o vídeo como algo incompleto e desconectado do que seria um confronto de alto nível, Strickland também procurou organizar a narrativa de como os treinos entre os dois aconteceram. Ele afirmou que eles teriam sparrado apenas uma vez e que o encontro teria sido curto, em um formato de três rounds. Strickland, então, reforçou que quando chega a uma academia procura treinar com o melhor adversário disponível — e que, em ocasiões anteriores, Chimaev teria preferido se impor sobre lutadores de nível inferior.
Com isso, a provocação deixa de ser somente sobre o registro divulgado e passa a ser sobre controle de narrativa: Strickland tenta convencer que a “história” contada pelo vídeo não traduz a realidade do sparring que ele diz ter vivido. A pergunta que paira no ar, na esteira do debate, é se novos trechos da sequência seriam publicados nos momentos finais que antecedem o evento.
- Strickland afirmou que o sparring entre os dois aconteceu apenas uma vez.
- Ele descreveu o treino como algo de curta duração, com três rounds.
- O norte-americano disse que, ao chegar a um local de treino, busca enfrentar o adversário mais forte disponível.
- Strickland sustentou que, quando a dupla treinou, Chimaev teria se direcionado a dominar lutadores de nível mais baixo.
UFC 328: cinturão dos meio-médios, ranqueamento e a próxima etapa para quem vencer
Independentemente do quanto o vídeo influencia a cabeça dos dois lutadores, a hora de transformar “história de academia” em resultado chegou. No sábado à noite, Chimaev e Strickland se enfrentam de forma definitiva, com ouro em disputa no main event do UFC 328. O peso da luta é duplo: de um lado, Chimaev busca registrar sua primeira (e, no cenário apresentado, possivelmente última) defesa do cinturão na divisão; de outro, Strickland tenta impedir esse avanço e, ao mesmo tempo, conquistar o título dos 185 libras pela segunda vez na carreira.
A leitura para o ranqueamento é clara: quem vencer tende a consolidar posição de topo absoluto entre os meio-médios, com o vencedor carregando o “selo” de legitimidade que esse tipo de luta exige — não apenas por vencer, mas por vencer com o cinturão em jogo e em um confronto carregado de rivalidade. Do ponto de vista de cartel e trajetória, o resultado também funciona como um marco: para Chimaev, seria a confirmação de domínio contínuo no topo; para Strickland, seria a reafirmação de que ele consegue retomar o trono em uma categoria extremamente competitiva.
- Se Chimaev vencer, ele marca sua primeira defesa (e a história sugere a defesa decisiva) do cinturão dos meio-médios.
- Se Strickland vencer, ele pode se tornar campeão dos 185 libras pela segunda vez.
Com o espetáculo pronto para começar no Prudential Center, o que resta é a resposta definitiva dentro do octógono: quem vai transformar a disputa de bastidores em vitória real — Chimaev, “Borz”, ou Strickland?

