Chimaev vs Strickland: o “molde” de DDP no UFC 328 que acende alerta

Os fãs acompanham o crescimento de Khamzat Chimaev há anos, vendo o peso-pesado das lutas do UFC alternar dois tipos de atuações bem diferentes durante sua sequência invicta nos últimos seis anos: em alguns momentos, ele entra rápido, impõe pressão e finaliza com violência; em outros, ele ajusta o ritmo, controla a luta e vai “afogando” os adversários por longos períodos, chegando a sustentar o domínio por 25 minutos ou, pelo menos, fazendo o combate render mais do que o esperado.

A última vez que o público viu Chimaev foi há nove meses. Na ocasião, ele dominou Dricus du Plessis para conquistar o cinturão dos pesos-médios no UFC 319, em Chicago. A luta também tinha um peso extra para du Plessis, já que aquele era o primeiro desafio de defesa do título na categoria até 84 kg que ele havia retirado de Sean Strickland.

Agora, Strickland é quem ocupa o centro do palco. Com cartel de 30-7 no MMA e 17-7 no UFC, o norte-americano será o rival de Chimaev no evento principal do UFC 328, que acontece neste sábado e terá transmissão pelo Paramount+. O combate está marcado para o Prudential Center, em Newark, no estado de Nova Jersey.

O cenário coloca frente a frente duas histórias distintas dentro do mesmo octógono. De um lado, Chimaev chega com 15-0 no MMA e 9-0 no UFC, mirando manter a invencibilidade e transformar mais uma luta de título em mais uma prova de força. Do outro, Strickland entra com a chance de interromper o curso do adversário em uma disputa que levanta uma pergunta inevitável: qual versão do cazaque-brutal os fãs vão assistir desta vez — a do domínio que lembra as vitórias sobre du Plessis, Kamaru Usman e Gilbert Burns, com controle sustentado e sufocamento ao longo dos rounds, ou a de triunfos mais acelerados, como os que ele construiu diante de nomes como Robert Whittaker, Kevin Holland e Li Jingliang, quando a luta parecia “encurtar” para o lado dele?

O favoritismo também chama atenção. Chimaev é apontado como um 6-1 sobre Strickland, o que o coloca entre os maiores azarões da história das disputas de título no UFC — um dado que ganha ainda mais significado quando se lembra do que aconteceu antes. Em 2023, quando enfrentou Israel Adesanya para conquistar o cinturão, Chimaev também era tratado como azarão, em um cenário ainda mais desfavorável do que o atual, e mesmo assim conseguiu virar o jogo e vencer.

Com a disputa pelo título marcada para este sábado, a expectativa cresce em torno de qual padrão vai prevalecer: a capacidade de Chimaev de prolongar o sofrimento do adversário até o fim do combate, ou a eficiência para acelerar e fechar antes que a luta ganhe forma do outro lado. Para entender melhor o que está em jogo, vale relembrar a vitória mais recente de Chimaev sobre du Plessis, que abriu caminho para o cinturão e funciona como referência do tipo de controle que ele pode buscar no duelo contra Strickland.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.