NEWARK, N.J. — Em 2025, Jim Miller viveu algo incomum para um veterano do tamanho dele: o lutador disputou apenas uma luta no ano. Com 42 anos, quase 60 combates somados na carreira e um histórico impressionante de 45 apresentações dentro do UFC, o último período em que ele também lutou somente uma vez em um calendário havia sido em 2005 — e, nesse caso, nem sequer vale como referência real, já que foi a estreia profissional, ainda no fim de novembro.
Por isso, a explicação para o “ritmo diferente” em 2025 é facilmente compreensível. O veterano do peso-leve teve presença bem limitada em eventos ao longo do ano, aparecendo uma única vez para competir: uma derrota por decisão para Chase Hooper no UFC 314, realizado em Miami. Antes desse revés, Miller vinha de um desempenho forte, com três vitórias em quatro lutas, todas encerradas antes do fim, além de duas campanhas que renderam bônus.
No sábado, Miller volta ao octógono para o primeiro compromisso em 13 meses. Antes disso, o maior período sem lutar na carreira dele girava em torno de nove meses. O adversário será Jared Gordon, que chega com cartel de 21-8 no MMA e 9-7 pelo UFC. A luta acontece nos preliminares do UFC 328 (streaming via Paramount+), no Prudential Center, em Newark, Nova Jersey — o que transforma o compromisso em um “combate em casa” para o atleta.
Mesmo com a mudança de planejamento ao longo do ano, Miller deixou claro que a vontade de retornar ao trabalho sempre esteve presente. Segundo ele, uma cirurgia realizada para tratar uma lesão persistente ajudou a definir o afastamento — mas não foi o único fator. Uma fase difícil dentro de casa também pesou na decisão, já que a saúde do filho dele, então com 14 anos, exigiu acompanhamento constante.
Nas palavras do veterano: “A maior pausa da minha carreira”
Ao falar sobre o cenário, Miller descreveu o período sem lutar como algo jamais vivido por ele. “Essa foi a maior pausa da minha carreira. Estou só feliz por estar de volta, e é uma ótima noite para competir”, disse o peso-leve, destacando também o tempo necessário para retomar os treinos após a cirurgia. “Levei alguns meses para voltar ao ritmo e conseguir treinar de novo. E, depois disso, ainda enfrentei questões de saúde na família. Felizmente, agora está tudo certo. Meu filho viveu à altura do nome Miller.”
O que Miller teve de administrar não foi um problema simples. O filho foi diagnosticado com um câncer raro, o rabdomiossarcoma, atingindo a região dos seios e do osso ao redor do olho. O tratamento envolveu cirurgia e quimioterapia.
“Colocou tudo em perspectiva”
Com o diagnóstico, Miller explicou que a rotina ganhou outra dimensão. “Isso colocou tudo em perspectiva”, afirmou. “A gente reclama de lesões, de uma coisa ou outra. Mas passar um tempo no setor de oncologia pediátrica te coloca no lugar. Essas crianças são duríssimas. Meu filho é incrível. Ele fez parecer fácil e enfrentou tudo de um jeito muito impressionante, ainda tentando levantar o clima e inspirar as pessoas sempre que estava lá. Eu não poderia estar mais orgulhoso.”
De acordo com o lutador, a parte mais crítica do quadro do filho — ainda que isso continue, naturalmente, como algo que vai permanecer na memória da família — já havia passado quando ele conseguiu voltar a pensar em seu próprio retorno após a cirurgia. Com isso, mesmo que o afastamento tenha chegado ao limite de 13 meses, não era uma necessidade absoluta prolongá-lo até esse ponto.
Ainda assim, Miller reconheceu que a oportunidade de lutar novamente em Newark, como atleta da região, foi difícil de ignorar. Especialmente porque ele está se aproximando da reta final da carreira — e o calendário, desta vez, acabou favorecendo o desejo de estar em casa.
O plano na reta final: mirar 50 e aceitar a realidade
Mas a questão que fica no ar é: Miller ainda está disposto a correr riscos para prolongar o legado? Recentemente, ele disse que gostaria de alcançar 50 lutas pelo UFC. E, para alguém conhecido como “ferro” dentro do esporte, existe razão para acreditar que o objetivo pode fazer sentido.
Mesmo assim, Miller tratou o assunto com franqueza ao avaliar o próprio corpo e o desgaste acumulado. “Eu definitivamente queria lutar aqui mais uma vez antes de eu parar. E, se essa era a chance, eu ia esperar e competir nesse card”, afirmou. “Chegar a 50 ainda é o objetivo, mas eu sou realista também.”
O veterano seguiu explicando por que o plano precisa considerar as condições físicas. “Com 42 anos e com tudo o que meu corpo já passou — joelho já bem destruído, ombro também, e algumas outras coisas — eu não vou voltar em um intervalo que faça sentido para continuar. Isso aqui seria a luta número 47. Eu provavelmente estaria me preparando para a 49 se não tivesse sido um ano tão ruim. Mas eu ainda sinto que posso chegar aos 50, e vou tentar. Se acontecer, vai ser incrível.”
Por fim, Miller deixou claro que, se o caminho não permitir, ele encara o desfecho com gratidão. “Se não acontecer por causa de algum problema que apareça ou algo assim, então tudo bem — foi uma jornada e tanto.”
Jim Miller volta em busca de recomeço no UFC 328
O UFC 328 marca, portanto, o início de uma nova fase para Jim Miller. O ano de 2025 não foi perfeito no desempenho, mas o veterano chega com a motivação renovada para retomar o ritmo e começar um “reboot” a partir do card que acontece em Newark, contra Jared Gordon, nos preliminares do evento.

