du Plessis rebate corte de peso de Chimaev e puxa discussão no UFC 328

Dricus du Plessis colocou em dúvida a narrativa de que Khamzat Chimaev teria sido derrotado por causa do corte de peso antes do duelo contra Sean Strickland no UFC 328. O tema ganhou força após a luta ter virado um dos resultados mais comentados da categoria, especialmente por conta do desempenho do russo durante o combate, em que ele até começou com intensidade, mas desacelerou visivelmente ao longo dos rounds.

O peso como desculpa: a crítica de du Plessis

Chimaev vinha de um período de grande protagonismo no peso-médio e defendia o cinturão pela primeira vez na divisão após ter superado du Plessis em agosto. No entanto, contra Strickland, o cenário mudou: depois de um primeiro round dominante, ele ficou mais lento no restante do confronto e acabou sendo derrotado por decisão dividida, no fim do duelo. Antes mesmo do evento, as redes sociais e o público discutiam sinais do atleta durante a pesagem oficial, mas ele não chegou a comentar diretamente sobre o assunto.

Apesar do silêncio do lutador, duas pessoas ligadas ao camp contribuíram para a explicação do corte difícil: o irmão de Chimaev, Artur, e o parceiro de treinos Arman Tsarukyan atribuíram o desempenho abaixo do esperado ao processo de redução de peso.

Du Plessis, porém, não aceitou a justificativa. Em entrevista, o sul-africano declarou que considera a tese “ridícula” e tratou os números citados por Tsarukyan como algo administrável. Ele afirmou que o companheiro de treinos teria falado em cortar 12 libras nas 24 horas anteriores, classificando esse montante como “coisa de iniciante”.

“Eu acho que essa história de corte de peso como desculpa é ridícula”, disse du Plessis. “Eu vi o Tsarukyan falando que cortou 12 libras em 24 horas. Isso são números de novato. Doze libras em 24 horas não é nada demais. [46 libras] no total, ao longo de todo o camp, não muda tanto. O que importa é o que acontece nas últimas 24 horas e são 12 libras, que não é tanto. Eu já fiz mais do que isso.”

O campeão também ressaltou que problemas no corte acontecem com qualquer atleta e que o dia seguinte pode deixar o corpo “pesado” quando o processo sai do ideal. Ainda assim, ele defendeu que não cabe transformar a questão em desculpa para o resultado dentro do octógono.

“Às vezes eu também tive cortes ruins, eu tive. Todo mundo que corta peso já passou por isso, quando você acorda no dia seguinte e sente ‘poxa’. Uma pessoa pode sentir diferença até com um quilo. Eu só acho que usar corte de peso como justificativa na luta—mesmo que você tenha tido um corte ruim—tudo bem, acontece com todos. Mas você não entra e fala ‘eu perdi porque não estava no peso certo ou porque não fui bem no corte’. Não. Se você quer mudar de divisão, mude a divisão. Falar ‘eu perdi porque eu não estava apto’ é a mesma lógica. É com você. Seja mais disciplinado. Seja mais disciplinado, e o corte fica mais fácil. Para mim, dentro do octógono não existe desculpa.”

Apesar das dificuldades, houve luta competitiva

Mesmo com as evidentes dificuldades atribuídas ao corte e com a queda de ritmo depois do início forte, Chimaev ainda conseguiu entregar um confronto competitivo contra Strickland. Com o desafiante conseguindo travar a ofensiva de quedas e a tentativa de domínio no wrestling do campeão, Chimaev acabou se apoiando mais na trocação para tentar responder ao plano do adversário.

No fim, porém, Strickland foi quem saiu por cima no placar oficial. O detalhe que mais chamou atenção foi que Chimaev ainda conseguiu vencer em uma das três carteiras, algo que surpreendeu du Plessis, dada a leitura geral do combate.

“Não foi roubo”: du Plessis explica a sua leitura do placar

Du Plessis comentou a reação do público que tratou o resultado como “roubo” por conta do placar dividido. Para ele, a luta foi clara e o resultado deveria refletir exatamente o que aconteceu nos rounds.

“O lado mais doido é quando as pessoas falam ‘ah, foi roubo’”, disse du Plessis. “Eu não consigo acreditar que foi uma decisão dividida. Foi muito claro: três rounds para o Sean e dois rounds para o Khamzat. Era isso. Foi uma grande luta.”

O brasileiro de coração—no caso, o sul-africano—também avaliou que Strickland conseguiu executar algo que muita gente não acreditava que ele faria. Du Plessis afirmou que ambos são atletas de altíssimo nível, mas entendeu que Strickland foi mais completo dentro do octógono naquela noite.

“Eu acho que o Strickland fez exatamente aquilo que muita gente achava que ele não conseguiria”, acrescentou. “Mas eu tive a sensação de estar lá com esses dois caras: os dois são fenomenais no que fazem. Eu só pensei que, naquele combate, o Strickland conseguiu ser melhor no geral do que o Chimaev.”

Strickland vira campeão e aplica a primeira derrota de Chimaev

Com a vitória, Sean Strickland conquistou o status de campeão pela segunda vez e ainda impôs a primeira derrota do cartel profissional de Chimaev em 16 lutas. Após o término do duelo, o CEO do UFC, Dana White, comentou que Chimaev teria a intenção de subir para a divisão de meio-pesado.

Ao mesmo tempo, a equipe de Chimaev também trabalharia para uma revanche imediata, mantendo a pressão por um novo encontro com Strickland.

O que du Plessis espera do próximo passo de Chimaev

Du Plessis disse que não sabe ao certo qual será a direção do campeão, mas deixou claro que está entre os nomes que acreditam que Strickland não deveria enfrentar Chimaev novamente tão cedo. Para ele, a sensação de “aura” do atleta perdeu força após o resultado, embora ainda enxergue o rival como um lutador capaz de dominar adversários.

“Eu sinto que muita coisa da aura se perdeu”, afirmou du Plessis. “Mas, no fim, o Khamzat continua sendo um lutador incrível, incrível. As pessoas talvez não gostem tanto desse estilo, mas ele é dominante—ele sempre foi. Essa luta vai seguir um de dois caminhos para ele: vai quebrar o cara ou vai fazer ele pensar ‘escuta, eu não posso ficar só dependendo do wrestling. Eu preciso lutar MMA’. Porque é para isso que esse esporte está indo. Os lutadores do wrestling ficaram tão dominantes que todo mundo começou a correr atrás e ajustar.”

Ele também comentou a possibilidade de movimentação para 205 libras (meio-pesado), lembrando que Chimaev já mencionou essa ideia para aliviar o peso do corte. Ainda assim, du Plessis demonstrou incerteza sobre o rumo do atleta, citando contradições de fala: ao mesmo tempo em que fala para subir de divisão, ele teria chamado Strickland para uma revanche.

“O Chimaev falou que quer ir para 205. A rota mais fácil é justamente tirar a carga do corte de peso, mas eu não sei. Sinceramente, eu não sei. Com o Khamzat é assim: ele fala uma coisa e depois fala outra. Ele disse para a Dana que vai subir para 205, mas agora está chamando o Strickland para uma revanche. Eu não acho que ele mereça revanche. Ele não merece, porque ele não tem defesas de título—zero. Então não justifica uma revanche nenhuma. Mas vai ser interessante ver o que ele faz na sequência.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.