Ronda Rousey mira futuro no MMA e diz que quer ser “Dana White” do MVP

Ronda Rousey deixou claro que seu retorno ao MMA tem um objetivo específico — mas também fez questão de ressaltar que não está “aposentada” do esporte em definitivo. Às vésperas do combate contra Gina Carano, marcado para 16 de maio, a ex-campeã peso-galo do UFC, agora integrante do Hall da Fama da organização, tem usado o período para criticar com frequência seus ex-empregadores, especialmente a postura da cúpula responsável por contratos e estrutura de lutas. Ao mesmo tempo, ela projeta um cenário em que poderia ajudar a moldar o futuro da modalidade, com um papel de liderança em uma eventual parceria envolvendo a Most Valuable Promotions (MVP), de Jake Paul.

Retorno no octógono e críticas ao UFC

Antes de subir novamente para a ação, Rousey direcionou parte do seu tempo a atacar antigas referências do comando do UFC, citando principalmente Hunter Campbell, executivo ligado aos negócios da empresa e que atua em temas como acordos de luta, contratos e também em alguns aspectos ligados ao planejamento de confrontos. Com isso, a lutadora acabou se aproximando da MVP, companhia que atua junto ao projeto encabeçado por Jake Paul.

O movimento ajudou a viabilizar um evento de grande apelo comercial que será exibido na Netflix. A plataforma, conforme o anúncio citado por Rousey, estará disponível sem custo adicional para mais de 325 milhões de assinantes.

O que a MVP pode significar para o MMA

Na avaliação de Rousey, se a noite envolvendo Rousey vs. Carano obtiver sucesso, a MVP pode dar um passo maior e atuar no MMA de forma contínua. A ideia aparece reforçada pelo cofundador da organização, Nakisa Bidarian, que já havia sinalizado que o desempenho do card poderia abrir espaço para um envolvimento de longo prazo no esporte.

Rousey, que acredita que o MMA vive um momento de necessidade de renovação, afirma que esse tipo de aposta é exatamente o que a modalidade precisa neste instante. Além disso, ela não esconde que gostaria de ajudar a conduzir uma promoção, caso a oportunidade apareça.

Declarações de Rousey sobre o cenário e a compensação aos atletas

Em entrevista, Rousey afirmou que se considera a pessoa mais preparada para assumir esse tipo de função no ambiente em que a MVP pretende operar. Ela também fez críticas diretas a Hunter Campbell, além de dizer que enxerga a MVP como um parceiro “incrível” para o projeto.

Segundo a ex-campeã, a motivação do grupo ligado a Nakisa Bidarian e Jake Paul seria justamente garantir que lutadores sejam compensados de maneira justa. Rousey ainda comparou o momento do MMA a um ponto de virada, destacando que sua leitura é de que existe uma oportunidade enorme em torno do crescimento da cena feminina e do interesse crescente que ela enxerga no trabalho entre MVP e Netflix.

Por que ela diz que o UFC perdeu a mão

Mesmo criticando o UFC de modo recorrente enquanto promove seu retorno, Rousey preserva elogios a Dana White. A lutadora lamenta, porém, que hoje ele não tenha o mesmo nível de controle que tinha antes, após a mudança de ownership do grupo em 2016, quando a empresa foi comprada por um investimento superior a 4 bilhões de dólares. Na visão dela, quem acabou ficando com o poder central é a TKO Group Holdings, controladora do UFC, enquanto White ainda ocupa o cargo de presidente e CEO, mas não seria mais a figura que “comanda tudo”.

Com isso, Rousey afirma que o UFC teria se afastado da construção de eventos que atraem o público — e estaria concentrado apenas na linha financeira. Para sustentar essa tese, ela cita a capacidade de projetos de grande impacto em mídia de colocar “personagens” no centro do interesse do torcedor, em vez de prender a atenção apenas em cinturões e marcas.

O que Rousey diz que prende o público

Ela argumenta que lutas de exibição e combates com forte apelo de espetáculo seriam o caminho do esporte. Na explicação apresentada, as pessoas não assistiriam para ver um título, nem para acompanhar uma grife específica, mas sim para ver figuras que elas conhecem e gostam. Rousey usa um exemplo pop-cultural para reforçar o raciocínio: o público se conecta ao personagem, e não ao “nome da marca” associada ao enredo.

Rousey também diz que o UFC teria esquecido que os lutadores são as estrelas e que o que vira atração são justamente as características e personalidades que o público quer acompanhar. Ela aponta que, ao longo do tempo, a organização passou a tratar os cards por numeração em vez de nomes e, além disso, colocou todo mundo com uma identidade visual semelhante, algo que, na leitura dela, reduziria a capacidade de criar um produto com cara própria.

Por fim, Rousey afirma que vê uma chance grande para mostrar aquilo que o público sente falta no MMA, criando confrontos de primeira linha com personagens amados. Ela conclui dizendo que acredita ser apenas o começo, caso o sucesso esperado do evento se confirme, e que espera haver uma parceria no futuro envolvendo ela e a MVP.

Qual seria o papel de Rousey em uma eventual promoção

Ao ser questionada sobre que tipo de função gostaria de exercer nesse cenário hipotético, Rousey diz acreditar que tem estrutura para atuar como promotora de alto nível. Segundo ela, isso estaria ligado ao aprendizado que recebeu ao lado de Dana White, durante o período em que se tornou uma das maiores estrelas do MMA.

“Ser a Dana” e conduzir o futuro

  • Rousey afirma que gostaria de ser “a Dana” do projeto, ajudando a guiar a organização para o futuro.
  • Ela ressalta que o primeiro passo seria observar como as coisas se desenrolam na prática e completa que, para ela, a possibilidade seria algo “óbvio”.

Com o combate diante de Gina Carano marcado para 16 de maio, Rousey segue no centro das atenções não apenas por sua volta ao octógono, mas também por sua visão de que o MMA precisa de mudanças — e por sua disposição em participar ativamente da construção desse novo caminho.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.