Joaquin Buckley vive um momento de retomada no UFC. Depois de aparecer como cotado ao “Lutador do Ano” em 2024, quando emplacou uma sequência invicta de quatro vitórias, ele só voltou a competir uma vez desde então e agora mira reacender o interesse do público com um novo compromisso no octógono. O desafiante retorna quase um ano após a última luta para encarar Sean Brady no card principal do UFC 328, que acontece neste sábado, em Newark, no estado de Nova Jersey.
O último combate de Buckley aconteceu em junho, no UFC Atlanta, quando ele não conseguiu repetir o desempenho recente e acabou derrotado por decisão unânime diante de Kamaru Usman, ex-campeão dos meio-médios, no evento principal. Agora, com a oportunidade de retomar espaço na divisão, “New Mansa” falou sobre como encarou o longo período sem lutar e como isso pode ter contribuído tanto para a evolução como atleta quanto para a vida fora do cage.
“Tudo foi bênção disfarçada”
Durante a preparação para o retorno, Buckley comentou que o tempo de afastamento não foi apenas um atraso na carreira, mas também um período de aprendizado. Na visão do lutador, cada etapa fez sentido e ajudou no crescimento em diferentes frentes.
“Aquela parte ali: tudo é uma bênção disfarçada, irmão. Tudo, na verdade, é bênção disfarçada. Eu gostei de como você colocou isso”, disse Buckley.
Ele também explicou que, mesmo sem competir, manteve o foco no trabalho de base e em ajustes pontuais, além de buscar experiências que pudessem ser absorvidas no momento de lutar.
“Eu fiquei ocupado. Eu mantive minha rotina ativa cuidando das coisas pequenas, sabe? Eu tive algumas derrotas na minha carreira. Mesmo quando eu levei um L, eu fui lá e fiz trabalho também, indo para o RAF, enfrentando o Pat Downey e fazendo coisas aleatórias — mas que eu acho que, no fim, geraram experiência aplicada, algo que eu consegui levar para dentro do octógono. Então foram muitos acontecimentos bons nesses últimos 10 ou 11 meses”, acrescentou.
A trajetória de Buckley em 2024 realmente impressionou. O ano foi encerrado com duas finalizações em sequência: ele venceu Stephen Thompson, duas vezes desafiante ao cinturão, e também parou Colby Covington, ex-campeão interino, em compromissos consecutivos. A derrota para Usman, porém, funcionou como um ponto de virada, levando o lutador a recuar um passo, refletir e reorganizar a rota para voltar a figurar no topo.
O reencontro com o caminho das vitórias contra Brady
O retorno de Buckley contra Sean Brady acontece em um cenário que, para ele, combina com o momento de ambos. Brady também vive um período em que precisa voltar a vencer para se recolocar no grupo da frente. Nos últimos compromissos, o meio-médio acumulou resultados que mostram capacidade de desequilíbrio, mas esbarrou na força de um concorrente em ascensão.
Brady vem de um momento de destaque, com uma vitória por finalização que saiu “lopsided”, após dominar Leon Edwards, ex-campeão, em uma luta realizada em Londres, em março de 2025. No entanto, na sequência, ele enfrentou Michael Morales — um nome que ganhou tração como contender — e foi finalizado ainda no primeiro round.
Para Buckley, o tipo de combate desenhado por essa combinação de estilos é exatamente o que faz sentido para sua volta. Ele vê em Brady um adversário difícil, que não deve facilitar o trabalho e, ao mesmo tempo, oferece caminhos para que a luta se transforme no formato que ele procura.
“Pra ser bem sincero, vai ser um desses combates bons, em que eu consigo fazer tudo fluir. Mas eu sei que o Sean Brady não é nenhum amador. Eu sei que ele não vai ser mole. Ele vai entrar lá e vai transformar em luta, vai procurar as quedas e vai procurar as oportunidades no clinch. É isso que a gente está buscando. A ideia é ficar perto…”, afirmou Buckley.
“Uma luta feita no céu”
O lutador também comentou que não houve pressa na construção do confronto e que, ao contrário de uma escolha aleatória, o duelo foi entendido como algo natural entre as características dele e as de Brady. Na fala, ele reforçou a percepção de que o matchup se encaixa.
“Não teve pressa, não foi escolher por escolher nem eu ficar forçando lutar com alguém diferente. Eu acho que Sean Brady e eu é uma luta feita no céu. É isso que eu vou dizer: é uma luta feita no céu”, declarou.
Buckley completou com uma provocação fora do octógono, citando a relação nas redes sociais. Segundo ele, Brady teria bloqueado o lutador, mas o respeito permanece por conta do compromisso assumido no acordo para o combate.
“Depois dessa luta, ele definitivamente tem que me desbloquear. Ele me bloqueou. Ele continua me bloqueando. Mas eu respeito, porque no fim das contas eu não consigo fazer o que eu quero fazer sem um adversário. E ele assinou o contrato, então eu só tenho respeito por ele quando a gente entrar lá”, disse.
O tamanho do confronto para a divisão dos meio-médios
Buckley entende que o duelo contra Brady carrega peso imediato na divisão. Em um cenário recheado na categoria até 170 libras, a derrota tende a empurrar o lutador para trás na fila, enquanto uma vitória pode recolocá-lo rapidamente na rota de disputas relevantes.
Com esse panorama, ele trata o retorno como uma chance de marcar território e deixar claro o motivo de estar em evidência. Para Buckley, a luta no sábado serve como reintrodução ao público do UFC e também à base que pode ter acompanhado menos de perto seu trabalho por causa do período sem competir.
“Eu sinto que a manchete vai ser a reintrodução do Joaquin Buckley para o UFC e para a Paramount. Eu estou sendo reapresentado para uma nova base de fãs desde que fiquei fora por 11 meses”, afirmou.
Ele ainda projetou o que espera entregar no octógono e conectou o momento ao objetivo de chegar ao cinturão da categoria. Na visão do lutador, este é o momento de provar ao mundo sua capacidade e consolidar a trajetória em busca do título.
“Eu acredito de verdade que esse é o momento em que eu consigo provar para o mundo quem eu sou e do que eu sou capaz. E, de verdade, por que eu vou ser o próximo campeão mundial dos meio-médios”, completou.
“Então é uma reintrodução do Joaquin Buckley no UFC”, concluiu.

