Rico Verhoeven reage a interrupção polêmica e mira recurso após derrota para Usyk

Rico Verhoeven mostrou “classe” do início ao fim, mas acabou no lado errado de uma das interrupções mais controversas que fãs do boxe viram em muito tempo na luta contra o campeão peso-pesado Oleksandr Usyk. O duelo aconteceu no sábado, no Cairo, no Egito, e Verhoeven entrou como grande azarão no evento principal, encarando o adversário como se estivesse tentando transformar a própria categoria em seu território. No fim, porém, a decisão de parar o combate quando tudo caminhava para um desfecho em outro round roubou o foco do que vinha sendo um confronto equilibrado e, para muitos, promissor para o holandês.

O ponto de virada ocorreu no 11º round. Antes da interrupção, dois juízes tinham o confronto empatado, com um deles registrando a vantagem para Verhoeven e os outros dois deixando a impressão, inclusive para a audiência acompanhando pela transmissão em casa, de que o desafiante estava na frente por mais de um round. Usyk conseguiu machucar Verhoeven na reta final da 11ª parcial e ainda o derrubou. Depois de vencer a contagem de oito, o árbitro permitiu que o campeão parasse por um instante para recolocar o protetor bucal, o que parecia apenas um ajuste normal dentro do fluxo do combate.

Quando a luta foi retomada, Usyk voltou com tudo e pressionou até o soar do sinal. A maioria já se preparava para o 12º e último round, mas a arbitragem encerrou o combate de maneira antecipada e polêmica: com Verhoeven em pé, encostado nas cordas, o juiz interrompeu a luta e decretou a vitória de retorno para Usyk. Após o apito final, o resultado provocou reações imediatas e colocou o tema “timing” e interpretação do árbitro no centro do debate entre praticantes e torcedores.

Em seu primeiro pronunciamento nas redes sociais, Verhoeven tratou Usyk com respeito, reconhecendo o campeão, mas sinalizou a intenção de buscar uma revanche. O lutador também fez referência ao fato de que o adversário é um dos poucos atletas a conquistar títulos mundiais indiscutidos em mais de uma divisão, destacando a grandeza do feito e, ao mesmo tempo, cobrando uma correção do desfecho.

Logo depois, a possibilidade de novo encontro ganhou força: a informação é que Usyk e Verhoeven podem ter que “rodar novamente” para tentar chegar a um resultado mais aceito, e isso porque Verhoeven indicou intenção de apelar. Ele afirmou que, ao ver os comentários e observar o fim da luta, percebeu que a interrupção ocorreu após o sinal. “Na verdade, para ser completamente honesto, eu vi o final, porque de todos os comentários que eu estava lendo, e eles pararam a luta depois do apito. Então o apito tocou, e depois eles pararam a luta. Eu acho que a gente pode apelar, porque isso não faz sentido. Se o apito toca e depois param a luta, por quê? Aí é meu tempo de descansar”, declarou, completando que o que parecia estar “quase lá” não se encaixava com a decisão tomada.

Verhoeven também detalhou a sequência do momento da contagem e o que acreditava estar acontecendo durante a retomada. Segundo ele, a contagem de oito foi necessária e correta, mas o lutador sentiu que havia instruções para acelerar os movimentos, mantendo as mãos erguidas e tentando escapar dos golpes finais. “Eu peguei a contagem de oito. Foi uma boa contagem de oito. Eu senti que, porque eu ouvi o clique, ‘temos tipo 10 segundos, então vamos continuar em movimento, mãos para cima, e pegar os golpes’. Eu acho que era isso que eu estava fazendo. Por isso, quando o árbitro veio, eu não fiquei ofuscado. Eu estava olhando para o árbitro, ‘por que você está parando? A gente está quase chegando’. E não fez sentido para mim. E agora, olhando de novo, mesmo com o apito acontecendo, isso é algo que ele deveria estar ciente”, acrescentou.

Na sequência, o holandês ponderou que erros podem acontecer, mas defendeu que a arbitragem deveria reconhecer a falha e apontar qual seria o encaminhamento correto: anular o resultado ou, pelo menos, recorrer às fichas de pontuação. “Claro que erros podem acontecer, mas olhando de volta, o árbitro deveria admitir o erro, revisar e dizer: ‘ou é sem resultado, ou vamos para as pontuações’. E se for para as pontuações, eu estava à frente”, afirmou, reforçando que, no instante em que a luta foi interrompida, havia vantagem em uma das avaliações.

No cenário do placar no momento da parada, Verhoeven estava à frente em uma das cédulas, enquanto os outros dois juízes marcavam empate, sem contabilizar o nocaute derrubando Usyk durante o 11º round antes da interrupção. Ainda assim, apesar de toda a frustração com o fim precoce, o desafiante disse estar satisfeito com a própria atuação, destacando o planejamento e a execução dentro do que foi proposto para enfrentar o campeão indiscutido.

“A gente teve um plano de jogo incrível, e eu acho que isso funciona. Estou extremamente orgulhoso, muito feliz com isso. Claro, vou rever depois e pensar em coisas do tipo ‘eu poderia ter feito isso um pouco melhor, aquilo um pouco melhor’. Mas ele estava com as duas mãos ocupadas e é o campeão indiscutido. Eu não vi nenhum boxeador fazer isso com ele até hoje. Então eu estou muito feliz, muito orgulhoso de mim. Mas também fico com um gosto amargo por causa da interrupção”, concluiu Verhoeven, deixando claro que, mais do que o placar, a forma como a luta terminou foi o principal combustível para a busca por revisão e possível revanche.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.