Chris Weidman pode não aparecer em uma luta de wrestling há mais de 15 anos, mas o histórico do norte-americano no esporte é daqueles que chamam atenção. No auge, ele foi duas vezes um “All-American” na Hofstra University, credenciais que pesam quando o assunto é credibilidade no estilo. Por isso, Weidman admitiu ter ficado surpreso quando Colby Covington, em seu chamado mais recente, o colocou como alvo para uma luta no RAF. Covington, que recentemente encerrou a passagem pelo UFC, já venceu com autoridade em seus dois compromissos no RAF: derrotou Luke Rockhold e também Dillon Danis. Só que, até aqui, os adversários escolhidos por Covington não vinham de uma base de wrestling. Foi depois do triunfo sobre Danis que ele passou a mirar Weidman como o oponente ideal e, assim, o confronto foi marcado para o RAF 9, no dia 30 de maio.
Mesmo com um currículo de wrestling mais pesado no papel — e também com o fato de ter competido em categorias de peso maiores ao longo da carreira —, Weidman disse que só consegue imaginar o que Covington enxerga nessa disputa. Na avaliação do ex-campeão do UFC, a chamada pode estar baseada na ideia de que ele estaria “quebrado” após anos de problemas físicos. Ele citou, em tom direto, o próprio histórico de cirurgias: são 31 procedimentos e, com isso, Weidman afirmou acreditar que Covington talvez ache que o lutador já não teria o mesmo desempenho. Ainda assim, ele reforçou que não considera esse cenário como um caminho natural para o confronto, especialmente por não estar lidando com adversários comuns quando o assunto é wrestling. Para Weidman, Covington estaria mirando um desafio além do planejado: “Eu acho que ele deve achar que eu estou morto ou que meu corpo levou uma pancada tão grande que eu não vou estar no mesmo nível — e ele está certo sobre parte disso. Mas eu também fico surpreso. Eu não sou Dillon Danis. Eu não sou Luke Rockhold no quesito wrestling. Vai ser um grande passo para ele”.
Weidman também comentou que, por dentro, existe uma mistura de empolgação e desconfiança. A parte empolgada vem do sentimento de que ele poderia dominar Covington no estilo; a parte preocupada aparece porque ele não acredita que o adversário realmente esteja levando o confronto como um objetivo definitivo. Ele comparou a situação com o que ocorreu no último RAF, quando Arman Tsarukyan venceu e, no calor da dinâmica, chamou Covington. Segundo Weidman, Covington teria reagido adiando a luta e propondo que Tsarukyan enfrentasse outro caminho primeiro, para então voltar ao wrestling contra ele. A leitura do ex-campeão foi imediata: “Eu treinei como se estivesse acontecendo, mas eu sinto que vai aparecer uma desculpa. No último RAF, o Arman ganha e chama o Colby. Ele fala ‘o Weidman pode esperar, vamos fazer isso e eu vou derrotar o Arman e depois eu vou lutar o Weidman’. E eu pensei: pronto, lá vem. Ele já está correndo”.
Até o momento, Covington segue confirmado contra Weidman para o RAF 9, o que indica que, pelo menos no papel, não existe temor de que a luta seja desmarcada. Para o próprio Weidman, a preparação para o retorno ao wrestling tem um componente temporal importante: ele admitiu que sua última participação competitiva no estilo aconteceu em 2009, quando ainda estava apenas começando a carreira como lutador. Ainda assim, ele insiste que não sente que “apagou” o wrestling nesse intervalo, mesmo com o longo tempo longe dos tatames. Weidman contou que, ao voltar aos treinos, a primeira sessão já serviu para reacender o instinto técnico: ele disse que volta ao espaço de wrestling e que, no primeiro dia desde a cirurgia no tendão do bíceps, tentou iniciar com um parceiro mais simples, sem risco excessivo, para colocar o corpo no ritmo. A ideia era trabalhar fundamentos e tirar a ferrugem.
Na prática, segundo o lutador, o cenário foi até mais desafiador do que o planejado. Ele relatou que, durante uma janela de férias na universidade, vários atletas do ensino superior apareceram para treinar com ele. Mesmo menores do que Weidman, eles queriam lutar e, em vez de conseguirem impor controle, acabaram sendo dominados em boa parte das trocas. “Eu ainda tenho isso. Eu desço para o wrestling room e no primeiro dia voltando ao wrestling, desde a cirurgia no tendão do bíceps — e antes disso eu nem tinha lutado faz tempo — eu falei: vou começar com o cara do colégio mais pesado. Ele é grande, forte, mas é um garoto do ensino médio, então não dá pra se machucar tanto, é só trabalhar. No fim, todo mundo quis me desafiar. Eram menores do que eu. Não conseguiam me derrubar e eu estava batendo neles um pouco. De algum jeito eu ainda tenho. Eu nem sei como. É fascinante que eu ainda consiga lutar em alto nível”, afirmou.
Antes do RAF 9, Weidman tinha outro plano em mente: ele havia assinado para um combate de boxe contra um velho desafeto, Anderson Silva. No entanto, o processo foi interrompido quando ele sofreu uma lesão no músculo do bíceps ao se preparar para a luta, o que o obrigou a desistir do compromisso. Se a volta ao MMA pode ficar para trás — especialmente se o dinheiro não fizer sentido —, o retorno ao wrestling aparece como uma forma ideal de manter a rotina competitiva e seguir ativo, agora com um alvo claro: conquistar a primeira vitória sobre Covington no RAF 9.
Weidman também deixou no ar uma lista de possíveis rivais caso o caminho no wrestling se abra para ele no futuro. Ele disse que sempre recebe perguntas do tipo “como você teria ido contra Khamzat quando estava no auge?”, citando que esse seria um duelo divertido. Entre outros nomes, ele mencionou Bo Nickal como uma opção interessante, além de Luke Rockhold, com a justificativa ligada a “revanche” e a vontade de colocar o adversário no eixo do grappling para conseguir controle e projeções. Ele ainda falou de Pat Downey e relembrou um confronto em partida de grappling: segundo Weidman, houve um início sem pontuação nos primeiros dez minutos e depois uma prorrogação de dois minutos, com regra de empate caso ninguém pontuasse. Na visão dele, ele teria feito o suficiente para vencer no wrestling, já que teria derrubado Downey duas vezes durante o tempo principal. Quando chegou a prorrogação, ele decidiu buscar uma finalização ou pontuação mais decisiva, tentou um suplex de barriga para barriga, mas terminou caindo na própria região das costas e acabou sendo superado, o que o fez concluir que, no wrestling, ainda assim acredita que venceria. “Eu acho que eu também venceria no wrestling. Eu preciso é bater o Colby primeiro”, resumiu Weidman.

