Wang Cong provoca Shevchenko e reacende rivalidade rumo a luta no UFC Macau

Wang Cong pode estar a um passo de ampliar sua vantagem histórica sobre Valentina Shevchenko no UFC. Depois de um encontro marcante no passado — que terminou com vitória de Cong no kickboxing — a atleta voltou a movimentar a rivalidade nas redes sociais e agora mira um possível novo capítulo envolvendo a bicampeã do peso-mosca feminino do Ultimate em uma disputa que vem ganhando combustível antes mesmo de uma luta oficial ser anunciada.

Confronto antigo reacende a rivalidade: o que está em jogo para o cartel e o status de Cong

Há mais de uma década, Wang Cong já havia imposto uma noite difícil para Valentina Shevchenko. Na época, as duas se enfrentaram no kickboxing, em um duelo disputado em território chinês no Kunlun Fight 33, com vitória de Cong por decisão em três rounds. Esse combate também marcou o último compromisso da Shevchenko no kickboxing antes de sua mudança para o UFC.

Mesmo assim, Shevchenko e parte de sua equipe sempre defenderam que haveria “favorecimento de casa” no confronto, já que a luta aconteceu no ambiente de Cong. No entanto, os registros oficiais apontam vitória de Wang Cong, e a própria atleta aproveita esse histórico para reforçar sua narrativa no momento em que busca uma nova chance de medir forças com a campeã — agora no octógono e sob as regras do MMA.

Na semana, Cong publicou em suas redes sociais uma afirmação de que teria conquistado a segunda vitória sobre Shevchenko, ainda que não se trate de um resultado de luta no UFC. A atleta alegou que a campeã teria feito um pedido para não participar de um evento de fãs durante a programação de pesagem cerimonial do UFC Macau. A justificativa apresentada por Cong foi que ela estaria no painel do encontro, e por isso Shevchenko teria solicitado que não houvesse aparição conjunta.

  • Cong afirmou que Shevchenko teria pedido para não comparecer ao Q&A de fãs no UFC Macau;
  • Segundo a versão de Cong, o motivo seria evitar dividir o palco com ela;
  • Cong sustentou que isso reforça sua tese de que estaria “expondo” algo sobre a postura da campeã.

Nas publicações, Wang Cong chamou Shevchenko de “derrotada amarga” e criticou o estilo de luta da adversária. Em um vídeo e nos comentários, a atleta ainda marcou dirigentes do UFC e chegou a rotular Shevchenko como “veneno de bilheteria” — argumento direcionado à ideia de que combates mais “entediantes” seriam a marca da campeã.

O texto de Cong, conforme divulgado, foi direto. Ela afirmou que as duas seriam inicialmente escaladas para uma aparição conjunta no Q&A do UFC Macau, mas que Shevchenko teria feito um requerimento para abrir mão da participação. Cong disse que, como adversária derrotada, seria evidente que a campeã temia que ela mostrasse “a verdade” por trás de “mentiras”. A lutadora prosseguiu chamando Shevchenko de pessoa sem classe, além de citar que não suportaria perder. Por fim, repetiu o apelido “veneno de bilheteria” e completou a crítica dizendo que lutas monótonas seriam exatamente o que ela faz melhor.

Sequência de vitórias e contexto recente: o que o cartel de Cong diz antes do próximo passo

No desempenho dentro do UFC, Wang Cong chega em alta. Ela emplacou três vitórias seguidas, todas decididas por decisão unânime. O detalhe, porém, é que a última apresentação da atleta, em fevereiro, frente a Eduarda Moura, teve um ponto sensível: houve registro de falha no peso. Apesar disso, Cong saiu vitoriosa.

Com isso, o momento competitivo de Cong ganha um peso adicional. A atleta, que já havia chamado atenção rapidamente após a estreia no UFC — quando nocauteou uma adversária em apenas 62 segundos — viu o cenário mudar em sua segunda luta, quando foi derrotada por Gabriella Fernandes no fim de 2024. Desde então, recuperou o ritmo e construiu essa sequência de três decisões unânimes.

  • Cartel recente no UFC: três triunfos seguidos, todos por decisão unânime;
  • Combate em fevereiro: vitória sobre Eduarda Moura, com ocorrência de excesso/estouro de peso;
  • Retorno após revés: depois da derrota para Gabriella Fernandes no fim de 2024, Cong emendou as vitórias por pontos.

Agora, Cong tem compromisso marcado para o próximo período. Ela enfrentará Tracy Cortez no UFC 329, em julho. A luta contra uma oponente de perfil conhecido no peso-mosca pode funcionar como uma vitrine importante para medir o potencial de Cong como candidata em uma conversa mais ampla no ranking, especialmente se ela continuar entregando resultados consistentes.

Rumo ao ranking e à disputa de cinturão: como esse enredo pode influenciar o futuro de Cong e a narrativa de Shevchenko

O UFC é uma liga de timing e exposição, e a rivalidade reacendida entre Wang Cong e Valentina Shevchenko passa a ter impacto não apenas emocional, mas também estratégico dentro do ecossistema do evento. Cong já havia feito seu chamado no início de sua trajetória no UFC, logo após a estreia, buscando um confronto direto que, até aqui, não virou luta oficial na organização.

Com o histórico antigo no kickboxing — vitória por decisão no Kunlun Fight 33 — e a sequência recente no MMA com três decisões unânimes, Cong tenta transformar o passado em argumento de legitimidade. Ao mesmo tempo, a reação pública dela contrasta com o fato de Shevchenko ser uma referência consolidada: duas vezes campeã do peso-mosca feminino no UFC, com a aura de quem já passou por grandes momentos e defendeu cinturões.

Na prática, o que Cong precisa agora é continuar a vencer para que sua posição no ranking ganhe força. O próximo passo imediato é o confronto marcado contra Tracy Cortez no UFC 329, em julho. Dependendo do desempenho e da forma como a vitória vier — especialmente se houver domínio técnico e ritmo — Cong pode transformar essa sequência em um degrau claro rumo a lutas ainda mais próximas de uma disputa por cinturão.

  • Cong mira credibilidade: histórico contra Shevchenko e sequência de decisões unânimes no UFC;
  • Próximo teste: Tracy Cortez no UFC 329, em julho;
  • Roteiro potencial: novas vitórias podem colocar Cong em conversas mais fortes com o topo do peso-mosca feminino.

Já para Shevchenko, a narrativa pública de Cong adiciona ruído em um ambiente que normalmente prioriza o octógono. Mesmo que o episódio citado envolva um evento de fãs durante a pesagem cerimonial do UFC Macau, o efeito é real: alimenta a rivalidade e pressiona por atenção em torno do nome da campeã. Ainda assim, o que vai decidir o rumo do ranking é o que acontecer dentro da jaula — e, por enquanto, Cong segue com compromisso marcado e com a chance de manter o momento competitivo enquanto tenta transformar a história em oportunidade no UFC.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.