Dricus du Plessis não vê qualquer polêmica no resultado da luta entre Khamzat Chimaev e Sean Strickland, que terminou com uma grande virada no peso-médio do UFC. O campeão passou a analisar o desfecho após o combate principal do UFC 328, realizado neste mês no Prudential Center, em Newark, nos Estados Unidos.
Strickland, que chegava com campanha de 31 vitórias e 7 derrotas no MMA e 18 triunfos e 7 revezes no UFC, derrubou o então dono do cinturão ao superar Chimaev, com cartel de 15-1 no MMA e 9-1 na organização. A disputa pelo título dos médios foi a luta principal do evento e teve decisão por placar fracionado (split decision).
O ponto decisivo para o resultado aconteceu no quinto round, que acabou sendo determinante para a vitória do desafiante. Na apuração de notas da imprensa especializada, os registros ficaram quase no limite entre os lados, mas du Plessis afirmou ter ficado surpreso com o fato de um dos juízes ter assinalado o combate para Chimaev.
Du Plessis comenta sobre a decisão
Em entrevista ao programa Fight Forecast, du Plessis foi direto ao destacar que não entende a narrativa de “roubo”. Ele disse: “O mais louco é quando as pessoas falam ‘ah, foi uma roubada’. Eu não consigo acreditar que tenha sido decisão dividida. Para mim, foram três rounds muito claros para o Strickland e dois para o Khamzat. Foi isso — e foi uma luta excelente”.
O sul-africano também avaliou o que viu dentro do octógono: “Eu acho que o Strickland fez exatamente algo que muita gente dizia que ele não conseguiria. Mas, estando lá com os dois, dá para sentir que ambos são atletas fenomenais no que fazem. A diferença, na minha leitura, é que o Strickland conseguiu ser mais completo na luta do que o Khamzat”.
A ideia de revanche e a “aura” após o UFC 328
Chimaev, inicialmente, havia sinalizado interesse em subir para a categoria dos meio-pesados. No entanto, após a derrota para Strickland, ele mudou o discurso e passou a pedir uma revanche imediata contra o novo campeão.
Du Plessis, por sua vez, demonstrou resistência à possibilidade de um retorno rápido ao confronto: “Eu sinto que muito daquela ‘aura’ se perdeu com essa história. Mas, falando do Khamzat, ele continua sendo um lutador incrível, incrível. As pessoas talvez não gostem tanto do estilo dele, mas ele é dominante e tem sido assim”.
O lutador ainda projetou dois caminhos para Chimaev após o revés: “Essa luta pode ir por duas vias para ele. Vai acabar quebrando o cara ou vai servir de motivação para ele dizer: ‘escuta, eu não posso depender só da minha luta e do wrestling; eu preciso lutar MMA’. No fim das contas, é para onde o esporte está indo. O wrestling dominou tanto que todo mundo começou a se ajustar e a evoluir”.
Finalizando a análise, du Plessis comentou a contradição entre os planos de peso e o pedido de rematch. Segundo ele, Chimaev teria anunciado mudanças de categoria, mas depois voltou a mirar Strickland: “O Khamzat falou que quer ir para 205. O caminho mais fácil, com certeza, seria tirar o peso da equação para reduzir o peso da luta e o estresse do corte. Só que eu não sei. Com o Khamzat é assim: ele fala uma coisa e depois fala outra. Ele disse para o Dana que está indo para 205, mas agora está chamando o Strickland para revanche”.
Du Plessis também questionou o mérito para receber uma nova chance pelo cinturão: “Eu não acho que ele mereça uma revanche. E, sinceramente, ele não merece, porque ele não tem nenhuma defesa de título — zero. Então, isso não justifica uma nova luta agora. Ainda assim, vai ser interessante ver o que ele vai fazer daqui para frente”.

