Dustin Poirier gostou do que viu em Josh Hokit. O último sábado foi marcado pelo UFC 327, evento que reuniu um elenco de peso e entregou resultados à altura: Carlos Ulberg conseguiu um dos nocaute mais dramáticos do ano ao apagar Jiri Prochazka e assim conquistar o cinturão vago dos meio-pesados; Paulo Costa conseguiu uma grande surpresa ao derrotar o invicto Azamat Murzakanov; e Cub Swanson teve a mão erguida em sua luta final.
Apesar de todo o destaque do card, o nome mais comentado ao fim da noite pode ter sido Josh Hokit. Em sua terceira aparição no UFC, ele conseguiu impor mais volume no boxe contra o sempre perigoso Curtis Blaydes e, com isso, fechou a luta com vitória por decisão. Além do triunfo, Hokit ainda levou dois bônus — Luta da Noite e Performance da Noite — somando US$ 200 mil em premiações.
No programa “About Last Fight”, Poirier apontou Hokit como o responsável por roubar a cena. O ex-campeão também colocou o jovem na mesma trajetória de astros que “falam e fazem”, citando a lógica que, segundo ele, já apareceu em nomes como Conor McGregor. Na leitura do brasileiro, quando a conversa vira atuação dentro do octógono, o reconhecimento vem em sequência.
“Olha, quando as estrelas começam a se alinhar — você já viu isso no Conor — quando a pessoa fala e faz, você vê ‘Sugar’ Sean [O’Malley], você vê Chael Sonnen, e a gente vê isso sempre: o cara fala, mas depois vai lá e cumpre. E ele fez isso esta semana”, disse Poirier. “Ele falou bastante, entrou lá e entregou uma das melhores lutas de pesos-pesados que a gente já viu, e saiu com a mão erguida. Quando isso acontece, coisas boas começam a acontecer. Você vira uma estrela.”
Hokit deve entrar no top 10 após vitória sobre Blaydes
Quando o UFC atualizar o ranking oficial na terça-feira, Hokit deve saltar diretamente para o grupo dos dez melhores com o triunfo diante de Blaydes, que chegava ao UFC 327 ocupando a quinta colocação. A ascensão, porém, chama ainda mais atenção pelo intervalo curto de tempo até o patamar atual.
“É surreal o ritmo que ele conseguiu em pouco tempo”, comentou Poirier. “Eu vi um dado agora mais cedo: o Curtis Blaydes estava lutando contra Francis Ngannou no UFC um ano antes de [Hokit] fazer a estreia dele no MMA. Para chegar até aqui em tão pouco espaço é simplesmente incrível.”
Hokit construiu essa trajetória rapidamente. Ele fez sua estreia no circuito profissional em 2023 e foi contratado pelo programa de Dana White menos de oito meses antes do combate no UFC 327.
Barulho antes do combate e atuação que consolidou o hype
Antes mesmo do dia de luta, Josh Hokit já estava no radar do público — e isso incluía tanto conversas positivas quanto críticas. No media day de quarta-feira, ele fez questão de confrontar publicamente Ulberg e Prochazka. Depois, seguiu promovendo o duelo com cortes de fala em diferentes “personas”, incluindo uma em que apareceu com um acento inusitado e fez piadas de teor racista.
Mesmo com toda a repercussão envolvendo suas atitudes, o fato é que Hokit continuou chamando atenção e levou o assunto para o octógono. A sequência culminou em uma noite de apresentações marcantes, com uma atuação de final de luta em estilo de pro-wrestling, repetindo a linha de entrevistas elaboradas que ele adotou após o combate.
Poirier disse que ficou particularmente impressionado com o que viu na dinâmica da luta, incluindo provocações frequentes feitas por Hokit no decorrer do duelo. Para o veterano, o recado também foi direto: se o lutador “fala daquele jeito”, precisa sustentar a mesma postura dentro do ringue.
“Quando você fala do jeito que ele vem falando a semana inteira, você tem que lutar assim”, completou Poirier. “Você tem que sair lá e lutar desse jeito. Ele estabeleceu um recorde de fazer o maior número de ‘manos’ do dedo do meio.”

