Jim Miller vence no UFC 328 e mira novo desafio contra desafiante em alta

Jim Miller segue desafiando as probabilidades. Após conquistar mais uma vitória por finalização diante de Jared Gordon no UFC 328, o veterano não parece disposto a desacelerar — e, aos 42 anos, mantém o ritmo mesmo com o tempo jogando contra. Depois do seu 47º compromisso dentro do octógono pelo Ultimate, Miller também assinou um novo acordo de cinco lutas, como parte do plano de atingir sua meta maior: chegar a 50 combates na organização, um recorde que pode, inclusive, durar por muito tempo.

Apesar de reconhecer que parece algo impossível sustentar tanto tempo no elenco do UFC e ainda vencer no estágio atual da carreira, Miller entende que não dá para lutar indefinidamente. Por isso, ele traçou o objetivo de chegar a 50 lutas e, a partir daí, encerrar a trajetória. “É uma coisa do dia a dia”, comentou Miller após o evento realizado no sábado. “Existe um papo que eu levo: há esse professor de faculdade bem conhecido, Henry Jones Jr., que você talvez conheça como Indiana. Ele disse que não é o tempo, são as milhas. Eu tenho muitas milhas rodadas no corpo. Eu quero chegar a 50. Eu não quero que nada de idiota aconteça. É por isso que eu treino com a equipe que eu treino. São caras incríveis. Eu não consigo ter todas as ‘leituras’ possíveis na sala, mas seria bom ter tipos físicos e estilos específicos. Ainda assim, tenho um grupo em que confio, e que confia em mim. A gente faz o que eu preciso para me preparar, e eles oferecem as situações que eu preciso, de um jeito seguro”.

Na sequência, Miller reforçou o que o motivou a colocar o limite com precisão. “Eu acho que muitas carreiras nesse esporte são cortadas por lesões bobas, lesões evitáveis que acontecem dentro do treino. Eu quero chegar a 50 e então poder sair por cima, sem nenhuma dor desnecessária”, completou.

Embora Miller não seja conhecido por fazer provocações ao longo do caminho, ele admitiu que ainda enxerga obstáculos importantes antes de pendurar as luvas. Ele já havia chamado Justin Gaethje de “luta dos sonhos”, justamente por entender que seria um confronto marcado por trocação intensa do começo ao fim. Ainda assim, Miller afirmou que existe um nome que o atrai de forma especial e que, na visão dele, poderia ser o maior combate da carreira na condição de membro do Hall da Fama.

“Quem for”, disse Miller sobre quem ele quer como próximo adversário. “Infelizmente, acho que eu quebrei a minha mão esquerda em algum momento do tempo — foram só quatro minutos de luta. Mas eu ouvi que tem um irlandês procurando briga. Eu acho que seria uma luta divertida.” O “irlandês”, obviamente, é Conor McGregor. O irlandês vem articulando seu retorno com Dana White, CEO do UFC, que recentemente declarou acreditar que o ex-campeão de duas categorias voltaria “neste verão”. Há, ainda, rumores de que McGregor poderia encarar Max Holloway já no UFC 329, marcado para 11 de julho, embora não exista acordo fechado para esse duelo.

Caso esse confronto com Holloway se concretize, o futuro de McGregor pode acabar ficando bastante condicionado ao resultado. Com dinheiro de gerações já garantido, ele não teria, necessariamente, a mesma pressão para voltar a lutar sempre. Mesmo assim, Miller enxerga valor em manter a reta final com desafios interessantes, e McGregor certamente se encaixa nesse cenário. Acima de tudo, o objetivo dele é chegar às 50 lutas sem ser interrompido por contratempos físicos, podendo encerrar a carreira com orgulho.

“Agora é como: ok, vamos chegar ao ponto em que a gente está satisfeito em lutar, e os números acabam sendo uma das minhas coisas”, declarou Miller. “Então sim, eu quero chegar a 50.”

Quanto ao último período antes da aposentadoria, Miller disse que pretende comemorar cada etapa e também afirmou que não se incomoda com a repetição das mesmas perguntas sobre sua trajetória marcante — seja com fãs, com a imprensa ou quando o UFC colocar ainda mais holofotes sobre ele no momento em que alcançar a 50ª luta. Ele também demonstrou gratidão por ainda poder competir após ter enfrentado a doença de Lyme, enfermidade que quase encerrou sua carreira.

“Estou animado com isso”, disse Miller. “Eu estava tão perto de parar. Quando eu lutei com Diego [Sanchez] no [UFC] 196, eu estava tão perto de me aposentar quanto eu estaria no UFC 200. Eu estava treinando para essa luta do 196 e falava: eu preciso passar por isso. Eu quero chegar ao 200, porque é tipo: você lutou no UFC 100 e no UFC 200, e isso vai ser legal. Acho que passar por tudo o que eu passei tornou mais fácil falar sobre isso.”

Ele ainda explicou como foi o período em que precisou lidar com as limitações impostas pela doença. “Eu já tinha enfrentado tudo. Eu já tinha uma camp onde eu não podia fazer nada. Eu estava tão destruído que os caras iriam treinar trocação leve e eu ficava correndo na esteira. Se eu sequer pensasse em fazer sparring com contato, eu ficava zoado por três dias. Eu já passei por isso. Eu já tratei desses ‘demônios’ e conquistei o ego com isso”, concluiu.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.