Tudo o que Eddie Alvarez acredita sobre artes marciais mistas aponta que Conor McGregor não deveria ter qualquer chance de superar Max Holloway no UFC 329. Ainda assim, “The Notorious” construiu sua trajetória justamente quebrando expectativas e entrando como azarão em cenários improváveis.
Alvarez é um defensor constante da ideia de “ferrugem” de ringue, e McGregor terá exatamente cinco anos de inatividade antes de retornar ao octógono para encarar Holloway no confronto principal do dia 11 de julho. A luta está marcada para o T-Mobile Arena, em Las Vegas, com transmissão pelo Paramount+.
O período longe das lutas é o único fator totalmente certo no retorno do irlandês. O que permanece em aberto é o quanto o atlética e o repertório técnico de um atleta de 38 anos podem ter sofrido depois de um intervalo tão grande sem competição.
“Eu não gosto quando as pessoas deixam esse esporte de lado. Eu acho perigoso quando você coloca essa modalidade para baixo”, disse Alvarez. “Não é algo que você simplesmente consegue largar e retomar quando quer. É muito perigoso. Quando eu luto, eu sempre comparo com alguém que está se preparando para um papel em um filme. Você precisa virar o personagem. E quando você está no personagem, aí você entrega uma boa atuação. Só que demora para você se tornar aquele cachorro feroz que você precisa ser para entrar ali e lutar de forma violenta, do jeito que a gente luta. Você não consegue colocar isso de lado e voltar quando quiser. Leva um tempo para entrar no ritmo.”
“Essa volta precisa ser construída com uma quantidade grande de treinamento, lutas de preparação e coisas desse tipo para você crescer até um combate gigante — ainda mais voltando contra um cara como o Max Holloway. O Max tem estado ativo. Ele é mais jovem. Ele ficou bem mais frequente no esporte, não colocou a carreira no modo de espera. Você está encarando um adversário que esteve bem alimentado no jogo, que colocou o esporte para funcionar. Ele disse: ‘Eu não quero fazer isso agora’. E agora ele está voltando. Existe muita incerteza sobre o Conor e sobre qual Conor a gente vai ver. Vamos descobrir.”
Alvarez foi derrotado por nocaute técnico no segundo round quando enfrentou McGregor no UFC 205, em novembro de 2016. Na trajetória do irlandês, aquele foi o último triunfo realmente importante dentro do MMA, já que o resultado o colocou como campeão dos leves, além de ter conquistado antes o cinturão dos penas.
O ex-campeão do UFC e do Bellator já viu de perto o tipo de lutador que McGregor pode ser quando está no auge. Mesmo que seja difícil acreditar em uma recuperação total do nível anterior, Alvarez apontou que o irlandês carrega uma característica decisiva, capaz de equilibrar o jogo mesmo em um cenário em que tudo parece estar contra ele.
“O Conor tem uma obsessão dentro dele. Ele consegue compensar anos sem treinar em um período curto que outros caras não conseguem”, afirmou Alvarez. “Se alguém for capaz de fazer isso, vai ser ele. Mas, para mim, essa seria sem dúvida uma das melhores histórias de retorno que o esporte já viu.”

