O “5º Draft Promocional” do MMA Fighting foi realizado em clima de fantasia esportiva, mas com uma lógica que mexe diretamente com a elite do esporte: cada GM “reserva” estrelas para uma organização específica por um contrato de cinco anos, enquanto lutadores não selecionados voltam ao vínculo atual. No sorteio de escolhas, a RAF de Jed Meshew puxou Arman Tsarukyan, Khamzat Chimaev e Gable Steveson no início, a FIGHTS (PFL rebatizada) apostou pesado em Islam Makhachev e Alex Pereira, a BKFC de Mike Heck acelerou com Ilia Topuria e Conor McGregor, e a UFC de Alexander K. Lee buscou revitalizar o elenco com nomes como Mike Perry, Dakota Ditcheva e Francis Ngannou. A seguir, confira o que cada rodada reservou e como esse “mercado” interfere no futuro próximo do esporte.
Como funciona o Draft e o que esse modelo muda no MMA
Antes das escolhas, a regra central do draft foi relembrada: todos os atletas podem entrar na lista, e ao serem escolhidos eles ficam presos a um contrato de cinco anos com a organização que os selecionou. Esse vínculo, porém, não obriga a lutar imediatamente pelo novo “lar” — o ponto determinante é que o lutador não pode competir por qualquer outra companhia durante o período da trava contratual.
O formato segue o Draft da NFL: são sete rodadas. Ao final, quem não for selecionado retorna para a empresa em que já estava vinculado. No calendário anterior do “jogo”, as promoções envolvidas foram BKFC, PFL, UFC e a GFL — e a experiência não foi bem-sucedida, o que levou a uma reestruturação: a GFL passou a atuar como liga de desenvolvimento, enquanto a Real American Freestyle entrou no centro do “evento”.
- O draft tem 7 rodadas.
- Ele “trava” o lutador em contrato por 5 anos com a organização que o escolher.
- Não escolhido volta ao seu vínculo atual.
- A ordem por rodada foi: RAF, depois PFL/FIGHTS, depois BKFC, com a UFC fechando cada volta.
Com isso definido, a noite em Pittsburgh (no universo do texto) virou uma espécie de “mercado de cartéis” no MMA — e as escolhas seguintes desenharam quem tenta construir o próximo ciclo de eventos, disputas e narrativas.
Rodadas 1 a 7: quem foi para RAF, FIGHTS, BKFC e UFC
Round 1
- RAF (Jed Meshew): Arman Tsarukyan
- FIGHTS (Damon Martin): Islam Makhachev
- BKFC (Mike Heck): Ilia Topuria
- UFC (Alexander K. Lee): Mike Perry
Na primeira rodada, a RAF justificou a escolha com a ideia de “construir em cima” do atleta que já aparece como headline frequente das demais noites do grupo. Já a FIGHTS (antiga PFL) colocou Islam Makhachev como o primeiro nome do período “FIGHTS era”, citando o valor de um atleta do topo do peso por peso e o início do novo ciclo. A BKFC optou por Ilia Topuria, mirando “chamada de atenção” e o impacto de levar um campeão dos pesos-leves do UFC para o card de uma organização que vive de violência e espetáculo. Fechando, a UFC escolheu Mike Perry, defendendo uma virada de postura: menos dependência de defender o status quo, e mais “ataque” com um rosto conhecido dentro do octógono.
Round 2
- RAF (Jed Meshew): Khamzat Chimaev
- FIGHTS (Damon Martin): Alex Pereira
- BKFC (Mike Heck): Conor McGregor
- UFC (Alexander K. Lee): Dakota Ditcheva
Na segunda rodada, a RAF tratou Arman Tsarukyan como peça central e buscou um “par” imediato: Khamzat Chimaev, apresentado como atual campeão (em tom de “agora ex”) do UFC no peso-médio. A FIGHTS respondeu com um nome capaz de transitar entre categorias e “desmontar a concorrência”, cravando Alex Pereira como âncora do futuro do grupo. A BKFC escolheu Conor McGregor, posicionando a volta aos holofotes como uma espécie de reentrada para um cenário ainda maior, com a promessa de um confronto de alto impacto contra Ilia Topuria para coroar um “rei” do circuito — dentro do texto, ligado ao evento BKFC KnuckleMania 6.5 em Dublin, Irlanda. Já a UFC foi para Dakota Ditcheva, apontando uma intenção de renovar o interesse em divisões femininas, com foco em um talento que virou assunto recorrente no ciclo recente.
Round 3
- RAF (Jed Meshew): Gable Steveson
- FIGHTS (Damon Martin): Sean Strickland
- BKFC (Mike Heck): Brock Lesnar
- UFC (Alexander K. Lee): Wyatt Hendrickson
O terceiro round foi mais “estrutural” para a RAF: a organização selou Gable Steveson como mais um bloco do tabuleiro, exaltando o potencial de um atleta com medalha olímpica e projetando grandes confrontos no futuro. A FIGHTS foi na direção de emoção e audiência com Sean Strickland, argumentando que ele costuma gerar reação forte — mesmo quando o desempenho não é “o mais empolgante” para todos — e que isso cria tração no público. A BKFC buscou Brock Lesnar como manchete, citando que o atleta virou agente livre e que a estratégia de pareamento será “cirúrgica” por conta do estilo e da dificuldade em levar pancadas. A UFC, por fim, puxou Wyatt Hendrickson, sustentando que a transição dele para o MMA faz sentido por existir interesse no futuro de luta em jaula, e que o “ponto olímpico” do caminho pode ser ignorado para acelerar a chegada ao octógono.
Round 4
- RAF (Jed Meshew): Josh Hokit
- FIGHTS (Damon Martin): Eddie Hall
- BKFC (Mike Heck): Justin Gaethje
- UFC (Alexander K. Lee): Francis Ngannou
Na quarta rodada, a RAF trocou o plano após perceber que o nome de Gable havia “perdido força” em sua leitura do draft: o grupo decidiu puxar Josh Hokit como reposição para os pesos pesados, destacando que ele já tentou confronto com Gable no passado e que traz energia promocional. A FIGHTS abriu o “evento de estreia” da era com Eddie Hall contra Alex Pereira no card principal, descrevendo Hall como força bruta e citando a expectativa de uma luta curta, mas intensa, até a exaustão derrubar um dos lados. A BKFC foi de Justin Gaethje, defendendo que o atleta encaixa no estilo e que o draft tenta manter a linha de grandes lutas — inclusive mirando o vencedor de Topuria vs McGregor como caminho para o pós-Perry. A UFC escolheu Francis Ngannou, com a mensagem de que o retorno ao cenário da organização seria um grande nome no peso pesado, embora o pareamento exato ficasse “para depois” no texto.
Round 5
- RAF (Jed Meshew): Kayla Harrison
- FIGHTS (Damon Martin): Paddy Pimblett
- BKFC (Mike Heck): Jon Jones
- UFC (Alexander K. Lee): Cédric Doumbé
O quinto round foi de valor tardio para a RAF, que puxou Kayla Harrison como medalhista olímpica duas vezes, usando como justificativa a construção do setor de wrestling feminino e lembrando que existem possibilidades de confrontos com atletas do próprio elenco. A FIGHTS escolheu Paddy Pimblett, destacando a capacidade do lutador em atrair público no Reino Unido, além de citar que ele chega após uma derrota para Justin Gaethje em sua última apresentação e que, apesar do revés, ainda haveria espaço para crescimento. A BKFC cravou Jon Jones como aposta de “credencial máxima”, conectando a mensagem atribuída a Paul Heyman no texto com a vontade do lutador de enfrentar o “GOAT”, e projetando Jon Jones no card principal de BKFC KnuckleMania 6 3/4: Season’s Beatings, no fim de dezembro, contra Brock Lesnar. Fechando a rodada, a UFC escolheu Cédric Doumbé, descrevendo que a categoria de meio-médio precisa de reorganização e que ele vira um “bloqueio” de manchete sempre que a organização visitar Paris.
Round 6
- RAF (Jed Meshew): Khabib Nurmagomedov
- FIGHTS (Damon Martin): Joe Rogan
- BKFC (Mike Heck): Jiri Prochazka
- UFC (Alexander K. Lee): Kennedy Blades
No sexto round, a RAF assumiu um risco: em vez de conseguir Islam Makhachev, o grupo tentou Khabib Nurmagomedov, lembrando que ele se aposentou após a morte do pai, Abdulmanap, e que jurou à mãe que não voltaria a lutar. A justificativa, no entanto, foi que “wrestling não é luta” dentro do recorte do texto, e a esperança seria convencer Khabib a voltar a “colocar os livros de lado” e participar de algum trabalho no esporte. A FIGHTS buscou Joe Rogan como peça de tração, argumentando que o crescimento do produto exige mais do que o acordo de transmissão: Rogan seria um motor tanto como comentarista quanto como apresentador do maior podcast do planeta, com uma cena sugerida de bastidores envolvendo Alex Pereira e Eddie Hall antes do evento “Battle of the Monsters”. A BKFC escolheu Jiri Prochazka como retorno às origens, dizendo que o atleta perdeu o “fio” ao ficar tempo demais no canto do UFC e que a organização quer vê-lo atuando em múltiplos pesos — inclusive com estreia anunciada em BKFC Sea: The Bruise Cruise em 23 de janeiro. A UFC fechou com Kennedy Blades, defendendo um movimento de redesenho do setor feminino do peso-médio para além do corte de peso tradicional, colocando Blades como “rosto” dessa nova divisão e citando que ela competiu a 168 libras para conquistar prata nos Jogos Olímpicos.
Round 7
- RAF (Jed Meshew): Bo Nickal
- FIGHTS (Damon Martin): Abdulrashid Sadulaev
- BKFC (Mike Heck): Eric Bischoff
- UFC (Alexander K. Lee): Deontay Wilder
Na última rodada, a RAF foi para Bo Nickal, com um argumento de que não havia mais grandes nomes disponíveis e que o plano seria “terminar o draft” com alguém que pode nunca ter migrado para o MMA se a RAF não existisse — mas que, no texto, já existe relação com Nickal, e a ideia seria pareá-lo com Chael Sonnen para assumir a comunicação pública e acelerar a construção como pilar da promoção. A FIGHTS fechou com Abdulrashid Sadulaev, apresentado como um dos melhores wrestlers das últimas duas décadas, medalhista olímpico duas vezes, com histórico de treinamento com a equipe do pai do estilo (Khabib) e com projeção de virar um problema do peso pesado ao meio-médio. O texto também cita o objetivo de apoiar a campanha para que Sadulaev busque ser campeão olímpico pela terceira vez em 2028, além de destacar a capacidade do atleta em atrair público em cartões pela Europa. A BKFC escolheu Eric Bischoff, justificando como a peça “fora da raia” que ajudaria RAF a manter ritmo e produção, citando que o último evento KnuckleMania não teria agradado por demorar demais e por ter perdido o senso de tempo e fluxo; com Bischoff, a promessa é “voltar ao modo sem pausa”. A UFC fechou com Deontay Wilder, apontando que ele vem de uma vitória convincente sobre Derek Chisora e que ainda haveria margem para organizar um acerto antes de ele encerrar a carreira, com a ideia de modificar regras para viabilizar um confronto entre Wilder e Ngannou sob o guarda-chuva da UFC.
Quem “ganha” o Draft e o que isso pode significar para cinturões e próximas lutas
Como o texto apresenta o draft como um jogo promocional, a “vitória” não é necessariamente por mérito esportivo imediato, e sim por construção de elenco. Ainda assim, dá para ler claramente quais casas tentam acelerar disputas e quais apostam em narrativa e espetáculo.
- RAF: monta um bloco de estrelas com Arman Tsarukyan, Khamzat Chimaev e Gable Steveson, adiciona Kayla Harrison e ainda tenta Khabib Nurmagomedov no componente “wrestling”. Finaliza com Bo Nickal para virar pilar de futuro.
- FIGHTS: cria um eixo de “poder e audiência” com Islam Makhachev e Alex Pereira, mistura com Sean Strickland e Paddy Pimblett para puxar reação e público, e fecha com Abdulrashid Sadulaev para consolidar wrestling de elite. Ainda adiciona Joe Rogan como amplificador do produto.
- BKFC: prioriza nomes de impacto com Ilia Topuria e Conor McGregor, reforça com Brock Lesnar e Jon Jones como manchetes de peso, e joga Justin Gaethje no meio para manter o card “brutal”. Fecha com Jiri Prochazka e Eric Bischoff para ajustar ritmo e produção.
- UFC: tenta renovar o elenco com Mike Perry, Dakota Ditcheva e Kennedy Blades, e reforça o topo do peso pesado com Francis Ngannou e Deontay Wilder. Para completar, adiciona Wyatt Hendrickson e Cédric Doumbé como possíveis cabeças de cartaz.
Em termos de “cinturão” e próximos passos (dentro do que o texto provoca), os ganchos mais diretos aparecem na BKFC: a organização trata Ilia Topuria e Conor McGregor como um caminho para coroar um novo “rei” no evento BKFC KnuckleMania 6.5, enquanto projeta o confronto Brock Lesnar x Jon Jones como luta principal de BKFC KnuckleMania 6 3/4, ainda com data apontada como antecedente do Natal. Já na UFC, o texto deixa no ar a possibilidade de um grande confronto de peso pesado entre Francis Ngannou e Deontay Wilder, com a ressalva de que regras poderiam precisar ser ajustadas para que isso aconteça sob a bandeira da organização. Na FIGHTS, o ponto mais concreto é a estreia da era com Eddie Hall enfrentando Alex Pereira no evento principal, descrito como “Battle of the Monsters” no cenário narrativo do draft.
Resultados finais do Draft (elencos escolhidos)
- RAF (Jed Meshew)
- Arman Tsarukyan
- Khamzat Chimaev
- Gable Steveson
- Josh Hokit
- Kayla Harrison
- Khabib Nurmagomedov
- Bo Nickal
- FIGHTS (Damon Martin)
- Islam Makhachev
- Alex Pereira
- Sean Strickland
- Eddie Hall
- Paddy Pimblett
- Joe Rogan
- Abdulrashid Sadulaev
- BKFC (Mike Heck)
- Ilia Topuria
- Conor McGregor
- Brock Lesnar
- Justin Gaethje
- Jon Jones
- Jiri Prochazka
- Eric Bischoff
- UFC (Alexander K. Lee)
- Mike Perry
- Dakota Ditcheva
- Wyatt Hendrickson
- Francis Ngannou
- Cédric Doumbé
- Kennedy Blades
- Deontay Wilder
Ao fim, a pergunta que fica no texto é quem venceu o 2026 Promotional Draft, com a indicação de que o resultado foi definido por votação do público e acompanhado por vídeo e podcast.

