Strickland recupera o cinturão no sufoco e Chimaev cai na decisão dividida

O UFC 328 ficou para trás, e Sean Strickland repetiu a dose: na noite de sábado, ele recuperou o cinturão peso-médio com uma vitória na decisão dividida sobre Khamzat Chimaev, em triunfo que entrou para a lista de resultados mais improváveis do ano. No coevento principal, Joshua Van conquistou a primeira defesa bem-sucedida do título ao finalizar Tatsuro Taira no quinto round. Já Sean Brady venceu Joaquin Buckley, e o card ainda teve outros desdobramentos que agitaram o cenário de meio-médio, mosca e pesos acima. A seguir, veja as principais histórias que ficaram de UFC 328.

Antecedentes

O desafio de Strickland diante de Chimaev colocava frente a frente estilos que prometiam contraste: de um lado, o campeão buscava impor ritmo com volume e pressão; do outro, o desafiante chegava com a reputação de dominar com quedas e controle. No entanto, a balança e o caminho até o octógono já indicavam que haveria variáveis importantes no jogo do rival — e elas apareceram no combate decisivo.

A luta

  1. Round 1: Chimaev começou melhor e conseguiu levar Strickland ao chão com relativa facilidade. No período inicial, o desafiante dominou boa parte do controle no solo e colocou o campeão em situações incômodas, deixando claro que o plano de luta tinha sido executado com eficiência.

  2. Round 2: a partir do segundo assalto, o cenário começou a mudar. Chimaev passou a puxar guarda com mais frequência, dando sinais de desgaste. Em vez de insistir nas tentativas de queda, o combate foi caminhando para uma troca em distância intermediária, com Strickland conseguindo encaixar seu jogo.

  3. Round 3: o ritmo seguiu com Chimaev menos agressivo no aspecto de derrubar. Strickland, por sua vez, sustentou a movimentação e aumentou o volume de golpes, especialmente com jabs em ritmo alto. O terceiro round ficou muito disputado, e foi um dos motivos para a decisão dividida.

  4. Fechamento: mesmo com momentos de perigo no início, Strickland foi sobrevivendo às dificuldades iniciais, conseguiu impor o próprio estilo ao longo do restante do combate e terminou com vantagem suficiente nas cartas para recuperar o cinturão.

O que a vitória de Strickland representou

Com o resultado, Strickland voltou a ser campeão dos médios e reforçou a imagem de alguém capaz de transformar lutas “complicadas” em vitórias. A leitura geral do combate, inclusive em reexibições, foi de que Chimaev não apenas teve dificuldades físicas, como alterou completamente a dinâmica do confronto depois do começo. O campeão foi creditado por ter resistido ao início agressivo e, com o passar dos rounds, forçado Chimaev a lutar no terreno que favorecia o plano dele.

Além disso, o triunfo foi visto como mais um capítulo de uma trajetória marcada por reviravoltas: duas conquistas de cinturão que vieram em contextos de grande surpresa, com Strickland superando atletas de perfis distintos — incluindo um cartel construído a partir de lutas duríssimas em alto nível.

Co-main event: Van x Taira

No duelo de título peso-mosca, Joshua Van fez sua primeira defesa de cinturão com autoridade. Enfrentando Tatsuro Taira, o brasileiro-americano (no contexto do card) não só manteve controle do combate como avançou para a finalização no quinto round. O resultado levou a partida a um desfecho que confirmou Van como referência da categoria, embora o debate sobre “quem é o melhor do mundo” tenha sido inevitável por conta do peso do confronto contra o próprio topo do ranking.

Discussão sobre favoritismo na categoria

Van foi tratado como campeão legitimado pelo desempenho, mas a conversa seguiu para Alexandre Pantoja como peça central. A leitura foi que, para cravar o topo absoluto do peso 125, o ideal seria que Van cruzasse novamente caminhos com Pantoja em uma revanche. Mesmo com a parada acontecendo, a atuação de Taira foi apontada como indicativo de que o cubo ainda não estava totalmente resolvido — e que o confronto com o brasileiro tende a definir, de forma mais definitiva, quem sustenta o posto de melhor.

Outros destaques do card

Além das lutas pelo título, o UFC 328 teve vencedores importantes e resultados que reposicionaram lutadores no mapa.

Brady vence Buckley e mantém o caminho aberto

Sean Brady derrotou Joaquin Buckley em luta que reforçou o momento do lutador. O norte-americano buscou o controle com o wrestling cedo e repetiu a lógica de explorar fragilidades do adversário. O triunfo foi encarado como um recado para o peso-médio, sinalizando que Brady segue como candidato a grandes confrontos — especialmente com cartas em sequência e janelas para disputas maiores.

Jim Miller volta a vencer e chega a números históricos

Jim “F*cking” Miller foi apontado como um dos grandes vencedores do evento. Com 42 anos, ele seguiu acumulando vitórias e, em menos de cinco minutos, finalizou Jared Gordon para alcançar uma marca histórica: foi a 28ª vitória do atleta no UFC (recorde) e o 47º triunfo em lutas na organização (outro número que também figura entre os principais da casa). Após o combate, Dana White revelou que aquele foi o último compromisso do contrato anterior de Miller, e a franquia assinou imediatamente um novo acordo de cinco lutas, permitindo que o veterano mire o objetivo de 50 combates no UFC.

James Green celebra resultado marcante

King Green também apareceu como assunto forte no pós-evento. O lutador foi lembrado não apenas pelo que entregou dentro do octógono, mas pelo prêmio que recebeu, com uma repercussão ligada ao tipo de bonificação registrada na noite.

Quem saiu como derrotado

UFC 328 também teve tropeços que mexeram com a leitura do futuro de alguns atletas.

Chimaev como grande ponto de interrogação

Khamzat Chimaev foi mencionado como o principal “derrotado” do evento não só pelo resultado em si, mas pelo que ele representa para o cenário do peso-médio e para a possível mudança de categoria. Houve um consenso de que, antes do confronto, o histórico do lutador parecia apontar para uma sequência improvável de vitórias e um domínio quase incontestável. Porém, o que se viu no octógono foi outra história: a condição física após um corte pesado e a forma como o plano foi executado (principalmente após o começo forte) deixaram dúvidas sobre o teto do atleta.

Com a derrota, aumentaram as perguntas sobre o futuro de Chimaev e sobre como ele lidará com a transição para uma nova faixa de peso, já que um salto de categoria costuma cobrar adaptação real. A avaliação geral foi de que, agora, fãs e adversários passam a reavaliar a consistência do atleta — e isso pode mudar o tipo de estratégia que será adotada contra ele daqui para frente.

Jeremy Stephens e a marca histórica negativa

Jeremy Stephens também entrou na lista de derrotas marcantes do evento. Com a derrota para King Green, Stephens se tornou o primeiro lutador a alcançar 20 derrotas no UFC. O recorde consolida uma marca que, segundo a leitura do pós-evento, só não seria “tangível” por mais tempo porque Jim Miller já vinha sendo o limite de longevidade em número de lutas com resultados negativos.

Ainda assim, Stephens teve um caminho diferente dentro da própria carreira: ele chegou a se afastar do UFC em 2022 e depois retornou para seguir competindo. Sem que o motivo do reencontro com a organização fosse esclarecido no texto original, o que ficou foi que o atleta continuou buscando a chance de vitória mesmo diante do histórico recente desfavorável — e isso, dentro do esporte, ainda rende respeito.

Conclusão

UFC 328 terminou com Strickland reassumindo o cinturão dos médios em uma decisão dividida que mudou o rumo do peso-médio, enquanto Joshua Van confirmou a força no peso-mosca ao defender o título com finalização no quinto round. Entre os principais nomes, Miller voltou a escrever números históricos, Brady reforçou seu posicionamento no topo e Chimaev ficou no centro das discussões sobre futuro e consistência. O próximo passo agora será a confirmação do que vem por aí para cada um desses caminhos — especialmente com as conversas sobre revanche e campeões que ainda precisam enfrentar os maiores testes da categoria.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.