Frankie Edgar, membro do Hall da Fama do UFC, não estava exatamente com vontade de voltar a competir, mas uma proposta do BKFC fez o lutador retornar ao camp de preparação para enfrentar Jimmie Rivera em um confronto de trocação de bare knuckle no estado de origem do adversário, em Nova Jersey. O plano, porém, durou pouco: após semanas treinando, Edgar recebeu uma comunicação tardia informando que havia sido retirado do card por preocupações relacionadas aos exames médicos.
- Resultado: A matéria não registra luta realizada; Frankie Edgar foi retirado do card do BKFC antes de enfrentar Jimmie Rivera.
- Método: Não aplicável (luta não ocorreu).
- Round e tempo: Não aplicável (luta não ocorreu).
- Categoria de peso: Não informado na fonte.
- Local: Nova Jersey (contexto do evento do BKFC).
- Cartel dos lutadores: Não informado na fonte.
O “giro” após o BKFC e o desgaste que ficou
Edgar teve alguns nocautes nas últimas aparições dele no UFC, e quando o BKFC assinou o veterano alguns meses antes, o cenário parecia repetido: ele já vinha com histórico parecido e, ao mesmo tempo, estava quase três anos sem lutar. Mesmo assim, a oportunidade foi aceita e transformada em preparação intensa. Só que a saída do evento por questões médicas deixou um gosto amargo.
Segundo o próprio Edgar, a experiência foi tão negativa que ele passou a acreditar que havia encerrado de vez a carreira competitiva. A sensação de frustração era grande, e ele admitiu que chegou a pensar em “fechar a porta” para o wrestling e, de modo geral, para qualquer tipo de competição depois de tudo o que aconteceu.
Declarações sobre a fase difícil e o que Clay Guida tentou incentivar
Em conversa, Edgar relembrou que, após ter passado por um período marcado por lesões, a ideia de voltar a lutar parecia cada vez menos atraente. Ele contou que Clay Guida o procurou e tentou convencê-lo a retomar o wrestling no RAF (contexto de treinamento do programa), mas Edgar ficou dividido na época.
Para o lutador, o problema não era apenas o fato de estar machucado; havia também a raiva e o impacto emocional do que ele viveu. O resultado foi um sentimento que ficou “na boca”, como ele descreveu, e que reforçou a percepção de que ele não queria passar por algo semelhante novamente.
RAF chama de novo: volta às raízes no wrestling
Com o tempo, Edgar superou o que ocorreu no BKFC e voltou a receber convites do RAF. Desta vez, a proposta era mais alinhada com o que ele sempre soube fazer: retornar ao wrestling. A ideia o levou a revisitar suas origens, incluindo o histórico universitário de quatro vezes como classificado no torneio da NCAA pela Clarion University.
Mesmo sendo improvável que ele volte a responder qualquer mensagem do BKFC no futuro, Edgar demonstrou uma reação bem diferente quando o RAF falou sobre uma disputa de wrestling em estilo livre. O veterano descreveu como as conversas já vinham acontecendo e que mencionaram a possibilidade de irem para o estado de Jersey para lutarem em uma estrutura universitária, com treinamento e competição em Rutgers. A chance, porém, não se concretizou do jeito planejado.
O convite que virou compromisso: cinco semanas e um novo camp
Edgar contou que estava nos Estados Unidos, no U.S. Open, competindo com o filho em Las Vegas, quando se conectou com sua equipe. Ele disse que falou com o treinador/gerente Ali Abdelaziz e deixou claro que tinha interesse. Na sequência, ele afirmou ter esbarrado com Izzy Martinez no torneio e, “de repente”, Abdelaziz ligou informando que Merab Dvalishvili seria o adversário em cinco semanas.
Edgar aceitou na hora e o motivo era simples: depois do episódio do BKFC, a perspectiva de competir apenas no wrestling o animou. Para ele, a empolgação vinha também do fato de ser um esporte que ele domina e que não carrega o mesmo tipo de risco que uma luta de trocação.
Merab Dvalishvili é o adversário: contraste entre estilos e experiência
O confronto coloca Edgar frente a Merab Dvalishvili neste sábado, em um dos pareamentos mais chamativos do card. No papel, Edgar tem uma vantagem considerável por conta do histórico no wrestling. Por outro lado, Dvalishvili cresceu treinando judô, embora tenha se adaptado e se tornado um dos maiores nomes na arte de derrubar e controlar adversários dentro do UFC.
Edgar explicou que foi justamente essa mistura de credenciais que chamou atenção. Para ele, mesmo que Dvalishvili não apresente um currículo equivalente ao dele no wrestling “clássico”, não há como negar o que o georgiano construiu com a base nas lutas profissionais.
O veterano reforçou que é “wrestler do começo ao fim”, citando que treinou no nível de escolas e que atuou no programa em Rutgers por três anos. Ele também disse que segue muito ligado à modalidade por conta de seus filhos, que competem e fazem wrestling. Na prática, Edgar afirmou que nunca deixou o esporte: ele adicionou jiu-jitsu ao pacote, mas continua treinando wrestling constantemente.
Edgar ainda destacou o peso do wrestling no MMA. Ele citou Merab como exemplo, mencionando que, na visão dele, o adversário tem o maior número de quedas na história do UFC. Para o lutador, o wrestling é parte central da luta e a permanência dos filhos no esporte o manteve envolvido.
Ameaça nas esteiras e a busca por desafio
Mesmo reconhecendo que wrestling em estilo livre e wrestling dentro do MMA são esportes diferentes, Edgar enxerga Dvalishvili como um perigo real também nas esteiras. Ele ressaltou que o rival não foge de desafios: originalmente, a ideia era que Dvalishvili enfrentasse o medalhista olímpico Henry Cejudo em uma disputa de wrestling, o que, segundo Edgar, mostra disposição para testar limites.
Como Edgar enxerga o confronto de sábado
Edgar espera que Dvalishvili vá para cima desde o início e tente impor o ritmo. Ainda assim, ele se diz confiante para responder ao cenário. Para o americano, a diferença de regras não apaga semelhanças: atributos tendem a atravessar modalidades. Ele descreveu Merab como um “martelo”, afirmou que o adversário vai estar em forma e ressaltou que o rival tem um motor acima da média.
O veterano também acredita que a agressividade pode virar uma faca de dois gumes, oferecendo oportunidades ao próprio Edgar. Por isso, ele resumiu a perspectiva como um duelo interessante: na visão dele, há um “equilíbrio” em que o wrestling dele traz experiência e pode fazer diferença.
O wrestling como escolha “mais segura” e a porta aberta para repetir
Preparar-se para essa disputa, segundo Edgar, foi algo divertido. Ele ainda deixou claro que não se opõe a viver uma nova experiência no mesmo formato caso surja uma oportunidade. Depois de quase apagar qualquer esperança de continuar competindo após o episódio do BKFC, ele diz estar aberto novamente, pelo menos quando o assunto é RAF.
Edgar afirmou que, depois que o acordo foi assinado, algo “acordou” nele. Ele disse que gosta do processo de preparar-se para competições e que, do ponto de vista de risco, a situação parece mais segura para a cabeça. Ainda assim, ele condiciona a continuidade à resposta do corpo: enquanto estiver tudo bem e as condições permitirem, ele pretende seguir.
O lutador também indicou que a data de referência para esse novo capítulo é 30 de maio. Ao mesmo tempo, ele deixou claro que, na parte de lutar de fato, não quer mais se envolver em agressões e trocação como antes. Para Edgar, voltar ao wrestling se mostrou uma escolha mais adequada — e, segundo ele, uma decisão que a família acolhe com mais tranquilidade do que vê-lo em eventos de bare knuckle.
“Não fico mais jovem” e a estratégia de encarar o tempo de forma inteligente
Edgar encerrou refletindo sobre a idade e sobre o tipo de desgaste exigido pela luta. Ele afirmou que não está ficando mais jovem e que luta é, de modo geral, um esporte de pessoas mais novas. Ele questionou se conseguiria vencer Merab em uma luta nos moldes tradicionais agora, considerando como está o corpo dele e como seria um combate de 15 ou 25 minutos.
Na comparação que faz, Edgar disse que, em uma partida de wrestling de seis minutos, ele gosta mais das próprias chances. Com isso, ele deixou evidente como pretende jogar: aproveitar o formato em que se sente mais competitivo e apostar na modalidade que sempre o sustentou.

