Grant Dawson mira recuperação no UFC 328 e enfrenta Mateusz Rebecki no octógono

Grant Dawson inicia sua primeira participação no UFC em 2026 com um retorno a um cenário que ele conhece bem, buscando reagir após um revés na última apresentação. O lutador volta a competir em território do estado de Nova Jersey e encara Mateusz Rebecki no UFC 328, neste sábado à noite.

Retorno ao Prudential Center e “missão” de recuperação

  • Dawson volta a lutar em Nova Jersey pela segunda vez na carreira no UFC.
  • O combate contra Rebecki acontece no UFC 328, neste sábado.
  • Ele destacou a relação positiva com o Prudential Center após UFC 302, em junho de 2024.
  • Dawson tenta aproveitar o ambiente de grande arena como parte do plano de reação.

Dawson afirmou que está ansioso para voltar ao Prudential Center, local que funcionou muito bem para ele na última vez em que esteve lá, no UFC 302, em junho de 2024. Na ocasião, vinha de uma derrota — e, agora, também chega para o combate com a mesma necessidade de reencontrar o caminho das vitórias.

“Foi bom. Eu estava saindo de uma derrota naquela época, e agora eu também estou vindo de um revés. Então parece que é o meu momento de redenção, seja chamando de estado ou de cidade, do jeito que você quiser”, disse o lutador.

Ele também relembrou a experiência fora do octógono na região: “As memórias da última luta aqui foram ótimas. A gente teve um AirBnB legal, com bastante gente conhecida por perto. Então estou satisfeito com isso”.

UFC 328: quarto card numerado do lutador e adaptação ao clima de arquibancada

  • O confronto será o quarto card numerado de Dawson no UFC.
  • Ele venceu Joe Solecki por decisão unânime no UFC 302.
  • O lutador espera repetir e melhorar o desempenho no retorno.

Naquela mesma noite do UFC 302, Dawson superou Joe Solecki por decisão unânime. Agora, a missão é fazer ainda melhor na segunda passagem pelo estado, enquanto prepara o duelo contra Rebecki no UFC 328.

Em conversa, Dawson comentou como se sente diante de um público grande em comparação com outros ambientes. “Com certeza parece mais em casa do que provavelmente foi na primeira vez. Mas, no fim das contas, quando você entra no octógono e leva na cara, diante de 10 milhões de pessoas ou de 10 pessoas, vai doer do mesmo jeito”, afirmou.

Ele completou a análise sobre locais e estilo de competição: “Tem vantagens e desvantagens em lutar na APEX, e também tem vantagens e desvantagens em lutar diante de uma grande multidão. Estou feliz que desta vez seja para uma torcida grande”.

O lutador disse que aprendeu lições importantes da experiência em Nova Jersey e que está animado para retornar. “Esteja pronto para uma torcida barulhenta”, avisou.

“Esteja pronto também para as pessoas querendo ver sangue. Eu acho que vão ver bastante sangue nesta luta — eu acredito que vão conseguir o que querem. E, além disso, como é a cultura local, a comida é deliciosa. Então estou empolgado para viver isso de novo depois do combate”, acrescentou.

Reação após derrota no UFC 323 e mentalidade de “não buscar perfeição”

  • Dawson vem de derrota por nocaute técnico no UFC 323, em dezembro passado, contra Manuel Torres.
  • Ele afirmou que não entrou no esporte para ser perfeito.
  • Para ele, a prioridade é voltar ao caminho das vitórias e evoluir para a próxima chance.

No aspecto esportivo, o duelo representa uma oportunidade de Dawson retornar às vitórias após perder por nocaute técnico (TKO) para Manuel Torres no UFC 323, em dezembro do ano passado. Enquanto muitos atletas podem ruminar o revés, Dawson tratou a derrota como um risco inerente à rotina do esporte.

“Eu não entrei neste esporte para ser perfeito”, declarou. “Se eu tivesse entrado com essa ideia, eu nem teria ido para o UFC. O UFC tem os melhores lutadores do mundo, e quase é impossível seguir perfeito quando você chega lá.”

Ele também reforçou que o revés não o define: “Essa não foi a minha primeira derrota, e eu odeio estragar o roteiro de vocês, mas provavelmente não vai ser a última. Eu entrei no esporte para me tornar campeão mundial, e a gente já viu caras perderem lutas que não deveriam e depois voltarem rápido. Esse é o meu plano aqui”.

Experiência com derrotas e foco em “voltar ao topo”

  • Dawson disse estar acostumado com derrotas.
  • Antes do MMA, ele atuava no wrestling e “perdia o tempo todo”.
  • Ele citou que campeões invictos são cada vez menos vistos no cenário atual.

Dawson explicou que sua forma prática de encarar derrotas vem, em parte, do que viveu antes do MMA. “Sinceramente, eu estou bem acostumado a perder. Antes de estar no MMA, eu era wrestler, e eu perdia o tempo todo! MMA é praticamente a única coisa em que eu sou bom. Então, na vida inteira fora do octógono, eu já estou acostumado com as coisas não irem do meu jeito”, admitiu.

Segundo ele, tudo se resume ao objetivo final: “O que você está tentando fazer? E, no meu caso, é virar campeão mundial. Ser invicto ajuda, mas a gente não vê muitos campeões invictos hoje em dia. Eu sei que tem o Ilia (Topuria), e o (Islam) Makhachev está praticamente perto de ser invicto, mas é tudo sobre como você responde à adversidade e consegue se recuperar”.

Apesar de lidar com as derrotas de maneira direta, Dawson só conheceu o gosto do tropeço três vezes ao longo de sua carreira profissional no MMA. Desde a derrota para Torres, ele vem trabalhando intensamente na academia da American Top Team e afirmou que, nas últimas semanas do camp, sentiu que destravou um novo patamar em suas habilidades.

“Eu realmente acho que, especificamente neste camp, aconteceu alguma coisa que clicou para mim. E eu acredito que vocês vão ver um Grant Dawson mais completo e mais agressivo. E eu acho que isso é perfeito para o tipo de matchup que vai acontecer”, disse.

Ele também projetou como a luta tende a se desenhar: “A gente sabe que o Rebecki vem trocando o tempo inteiro, 24 horas por dia, então obviamente a gente ainda vai lutar agarrado, mas eu acho que vai ter muito mais emoção para o público do que as pessoas imaginam que vai ter”.

Chris Duncan e o “guia” contra o estilo de Rebecki

  • Parte do camp de Dawson contou com o companheiro de equipe Chris Duncan.
  • Em agosto do ano anterior, Duncan venceu Rebecki por decisão unânime.
  • O lutador destacou a troca intensa entre Duncan e Rebecki como uma das melhores lutas do ano.

Um elemento importante do camp de Dawson foi a presença do colega de ATT, Chris Duncan, que bateu Rebecki por decisão unânime no mês de agosto do ano anterior. Duncan enfrentou o polonês dentro do mesmo tipo de postura agressiva, com os dois se “enterrando” na luta, e saiu com a vitória.

Dawson afirmou que a experiência de treinar por 15 minutos com o adversário foi valiosa para a preparação. “O Chris e ele fizeram uma guerra absurda, uma das melhores lutas do ano”, relembrou.

“Eu tenho quase certeza de que as últimas quatro lutas do Rebecki foram todas candidatas a ‘Luta do Ano’. Então a gente sabe que ele é empolgante. A gente sabe o que ele vai trazer. Eu não acho que alguém esteja olhando para essa luta e não saiba o que o outro vai oferecer. A preparação foi completa.”

Ele acrescentou o foco do camp: “A gente treinou para uma guerra, sem conseguir quedar. E ter o Chris Duncan aqui na preparação fez diferença grande, porque ele tem muita experiência com esse cara”.

Potencial para “Fight of the Night” e mudanças na motivação

  • Dawson entende o confronto como uma chance real de luta da noite.
  • Ele comentou que a mudança do prêmio do UFC para US$ 100 mil altera sua postura sobre esse tipo de bônus.
  • Apesar disso, ele reiterou que a prioridade é voltar ao cartel de vitórias.

No papel, o confronto tem cara de luta que pode render o prêmio de “Fight of the Night”, e Dawson admitiu que a alteração do bônus do UFC deixou ele mais confortável em buscar esse tipo de desfecho do que no passado. “Eu costumava dizer que eu nunca quero vencer ‘Luta da Noite’, porque isso significa que os dois caras vão sair machucados”, afirmou.

“Só que eles mudaram ‘Luta da Noite’ para US$ 100 mil. Aí eu fico tipo: ‘quanto machucado eu estou disposto a levar por aqui?’ Porque isso é muito dinheiro. É dinheiro que muda a vida para muita gente — e para mim também. Então, se vier o bônus, ótimo. Mas o principal foco é voltar para a coluna das vitórias.”

Plano de luta: vantagem no chão e dificuldade para finalizar

  • Dawson acredita que pode se sobressair na parte de baixo do octógono.
  • Ele disse que a estrutura do adversário pode dificultar uma finalização.
  • Ele mencionou a possibilidade de buscar posições comprometedoras e descer cotoveladas.

Para Dawson, o caminho mais consistente para esse retorno à vitória provavelmente passa pelo chão. Ele enxerga que suas ferramentas podem superar a energia do adversário no grappling, embora admita que prender uma finalização pode ser complicado por causa do biótipo do polonês.

“Eu consigo sim ver que finalizar pode ser difícil, porque ele não tem braços e não tem pescoço. Então fica aquela pergunta: o que você vai realmente torcer e pressionar?”, comentou. “Mas eu também consigo ver eu colocando ele em uma situação comprometida no chão e descendo cotoveladas nele, tipo eu fiz na luta contra o Rafa Garcia. É mais ou menos nessa linha de pensamento que eu estou agora.”

Se tudo caminhar como ele espera e Dawson voltar ao caminho das vitórias, existe a possibilidade de mirar adversários ranqueados na divisão dos meio-médios (até 155 libras), que é conhecida por ser recheada de nomes. Ainda assim, ele deixou claro que o que acontecer no resultado do duelo vai direcionar o próximo passo.

“Tudo depende de como essa luta vai ser”, resumiu.

Ele detalhou como diferentes cenários podem alterar o rumo: “Se por algum motivo eu nocautear ele no primeiro round ou finalizar no primeiro round, eu acho que isso mostra que eu preciso de mais um cara do topo 15 — eu preciso de mais uma chance na faixa dos 15. Se eu vencer de forma dominante por decisão, talvez seja só mais uma luta e aí sim top 15. Se for uma decisão dividida… aí a gente não sabe o que vai acontecer”.

“Então, no momento, o principal objetivo é tirar esse cara de cena, tentar voltar para o top 15 ou, pelo menos, conseguir um adversário que me coloque nessa briga de novo”, concluiu.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.