Menos de um ano depois de conquistar o cinturão peso-meio-médio do UFC ao bater Belal Muhammad, Jack Della Maddalena agora vive uma fase bem mais turbulenta: vem de uma sequência de duas derrotas e, com isso, volta à tona uma pergunta incômoda sobre o que vem pela frente na divisão.
No card do último sábado, o australiano acabou no lado errado do placar no duelo principal do UFC Fight Night 275. O algoz foi Carlos Prates, que levou a melhor com uma atuação impactante, marcada por um volume de trocação que Della Maddalena, segundo o enredo do confronto, não havia enfrentado em intensidade semelhante até aqui.
Para um lutador, raramente é um bom sinal quando a melhor explicação sobre a performance se resume à resistência e à durabilidade demonstradas. Foi exatamente isso que aconteceu: mesmo suportando a pressão de Prates, Della Maddalena não conseguiu montar um ataque que freasse o ritmo do adversário. A virada ocorreu após três quedas sofridas, até que Prates conseguiu fechar a conta com uma série de golpes no chão, finalizando o trabalho com eficiência.
O revés interrompeu a trajetória que parecia apontar direto para uma revanche. Depois de perder o título de forma ampla para Islam Makhachev no UFC 322, em novembro, Della Maddalena projetava voltar rapidamente ao caminho do cinturão. Só que o interesse do público já era limitado naquela rota, e agora, com a derrota para Carlos Prates, ele fica ainda mais distante da conversa pelo campeonato.
Menos tempo no topo, mais perguntas no caminho
A queda recente representa uma mudança grande em relação ao cenário de poucos meses atrás. Ainda assim, existe um ponto positivo dentro do histórico do próprio australiano: ele já conheceu derrotas seguidas no início da carreira. Naquela fase, conseguiu reagir em alto nível e emendou uma sequência impressionante, com 18 vitórias consecutivas, até alcançar o posto de campeão do UFC. Além disso, aos 29 anos, ele ainda teria margem de crescimento e recuperação para buscar novos feitos no esporte.
Mesmo com essa janela de recomeço, o momento é delicado. Após o resultado, Della Maddalena deve continuar entre os cinco primeiros do ranking, mas isso, na prática, significa que seu próximo desafio tende a vir com alguém extremamente perigoso, com fome de derrubá-lo da lista. Duas derrotas seguidas podem rapidamente virar três caso a próxima luta não encaixe bem no cenário — e, considerando o nível atual do peso-meio-médio, praticamente qualquer confronto nessa faixa de elite vira um jogo decidido por detalhes.
Possíveis próximos nomes na mira
O desfecho do duelo entre Sean Brady e Joaquin Buckley, marcado para o UFC 328 na semana seguinte, pode colocar um adversário diretamente no radar. Além disso, existe a possibilidade de retomar um confronto que já havia sido programado anteriormente contra Leon Edwards, também vindo de derrota para Carlos Prates em sua última aparição.
Outra alternativa citada para o futuro de Della Maddalena é Gabriel Bonfim. A ideia seria que o brasileiro entre na lista de bem posicionados com uma vitória sobre Muhammad no card principal do UFC Fight Night 278, em 6 de junho.
Com tantas combinações possíveis na divisão, o cenário ganha duas faces: por um lado, abre caminhos interessantes; por outro, cria uma realidade em que a próxima luta tem grande chance de colocar Della Maddalena diante de um adversário motivado a tirá-lo do topo.
Um território perigoso para o campeão em busca de recuperação
Estar nessa zona de pressão é especialmente arriscado, e a tendência é que cada decisão — de estratégia, ajustes e escolha de adversário — pese ainda mais. Jack Della Maddalena agora precisa ter muito cuidado para navegar o momento seguinte e evitar que a escalada negativa continue.

