Jafel Filho quer gravar o próprio nome nos livros de história do UFC com um dos feitos mais incomuns dentro do octógono: aumentar ainda mais o número de finalizações com chaves e transições pouco vistas. E a chance de somar mais um capítulo na carreira chega com um compromisso diante de Cody Durden em luta na categoria de peso combinado no UFC Vegas 116. O evento acontece no dia 25 de abril, no Meta APEX, em Las Vegas.
O que Jafel Filho busca no UFC e o histórico de finalizações
Charles do Bronx é o detentor do recorde histórico de mais finalizações na história do Ultimate, com 17 interrupções por submissão. Para chegar nesse patamar, ele fez adversários desistirem em oito técnicas diferentes: mata-leão com atraso (rear-naked choke), mata-leão com triângulo de braço (arm-triangle choke), estrangulamento guilhotinado (guillotine choke), estrangulamento tipo anaconda (anaconda choke), triângulo (triangle choke), chave de perna com corte de panturrilha (calf slicer), chave de braço (armbar) e torção no rosto (face crank).
Jafel Filho, ainda no começo do ciclo dele no UFC, já conseguiu três vitórias no octógono por meio de três manobras distintas: kimura, mata-leão com atraso e estrangulamento com triângulo de braço. O brasileiro, no entanto, acredita que pode ir além e surpreender novamente — inclusive com um ajuste que ele afirma ter sido pouco explorado pelos fãs no esporte.
“Quero finalizar de qualquer posição”
Após a última vitória, em que venceu por kimura no primeiro round no UFC Rio, Jafel Filho explicou que a ideia não é ficar preso a um único alvo durante as lutas. Para ele, o objetivo é transformar qualquer oportunidade em finalização.
— “O Clayton Carpenter tinha um jiu-jitsu excepcional e eu realmente quis que a luta virasse um duelo de grappling”, disse Filho. “Eu sabia que, se ele sentisse minhas mãos, ele tentaria me agarrar, e foi exatamente isso que aconteceu. Eu falo para mim mesmo que vou ser um dos poucos lutadores do UFC a conseguir submissões a partir de cada posição do jiu-jitsu. Eu não sou o tipo que caça só o pescoço, ou só o braço, ou só a perna. Eu pego o que estiver ali. Se estiver para mim, eu vou agarrar.”
Submissão “reversa” em transição a partir da kimura
Com o duelo marcado contra Cody Durden, Jafel Filho também falou sobre uma posição que ele utiliza e que, segundo ele, vem da rota da kimura. O plano descrito pelo lutador é levar o adversário para baixo, buscar as costas e travar um triângulo invertido.
De acordo com o brasileiro, ele até batizou a posição com o próprio nome. A sequência pode começar tanto a partir da kimura quanto saindo de uma tomada de controle nas costas com pegada estilo “cinto de segurança”. A partir daí, a transição ocorre como se fosse uma tentativa de armbar, mas, no fim, o controle termina no triângulo invertido, gerando pressão ao mesmo tempo sobre a região da coluna cervical e sobre o pescoço.
— “Existe uma posição bem interessante que eu uso e que vem da kimura”, afirmou. “Eu levo ele para baixo, pego as costas e travo um triângulo reverso. Eu até dei nome para aquela posição. Quem sabe aconteça agora? Ela começa a partir da kimura ou pelas costas, com uma pegada tipo cinto. A partir daí, eu consigo fazer a transição como se estivesse indo para um armbar, mas acaba virando um triângulo reverso, colocando pressão na cervical e no pescoço.”
Troca de adversário: Durden entra com seis dias de antecedência
Jafel Filho tinha expectativa de enfrentar Lucas Rocha neste fim de semana em Las Vegas. No entanto, o brasileiro foi substituído por Cody Durden com apenas seis dias de aviso.
Durden chega ao confronto com um histórico de forte aproveitamento em finalizações no MMA profissional. Ele soma 11 vitórias por submissão em um total de 17 triunfos. Além disso, ele quase conseguiu um feito ainda maior na estreia dele no UFC, quando esteve perto de finalizar Muhammad Mokaev.
Agora, a tarefa de Filho é encontrar mais uma finalização no dia 25 de abril e, se depender do que ele vem treinando, testar essa transição que ele afirma ser capaz de produzir pressão em ângulos diferentes.
Preparação, “fase alinhada” e o susto no Rio de Janeiro
Jafel Filho afirmou que chega ao UFC Vegas 116 em “um dos melhores momentos” fisicamente, psicologicamente e espiritualmente, dizendo que “o coração, a mente e tudo” está alinhado para este camp.
Com a idade prestes a completar 33 anos, o lutador também comemorou a volta aos treinos depois de um “grande susto” em janeiro, no Rio de Janeiro. Na ocasião, ele estava voltando para casa após ir à igreja quando um carro o fechou e três homens armados saíram do veículo correndo na direção deles.
Família ficou bem, mas o trauma permaneceu
Segundo Filho, a família escapou sem sofrer lesões físicas, mas o medo ficou. Ele relatou que, no começo, foi muito difícil lidar com a situação, com receio até mesmo na hora de sair e dirigir. Ainda hoje, ocasionalmente, ele sente um pouco de insegurança, embora diga que, “graças a Deus”, passou.
— “No começo foi bem difícil porque eu fiquei muito assustado”, contou. “Até para sair, para dirigir, eu fiquei bem abalado. Mesmo hoje, de vez em quando eu ainda sinto um pouco de medo, mas graças a Deus passou.”
Por que ele não seguiu com o caso nas autoridades
Filho optou por não levar o caso adiante com as autoridades, justificando que não havia registros em vídeo do crime e que seria muito difícil localizar os responsáveis. Com isso, ele decidiu “buscar paz” para focar na vida e na carreira.
— “Aí o camp começou e eu decidi não mexer nisso para não estressar”, disse. “Deus me protegeu.”
Ranqueamento no radar: luta contra Durden como passo decisivo
Com a família em segurança e a mente voltada para o octógono, Jafel Filho mira vencer Cody Durden e, com isso, abrir caminho para entrar no ranking dos flyweights do UFC.
O brasileiro se mostrou realista sobre o caminho, mas acredita que os números e o que ele entrega dentro da jaula já justificam uma posição mais alta. Ele lembrou que existem lutadores que já acumularam muito mais tempo de octógono, mas reforçou que, em desempenho, estilo e resultados — incluindo finalizações e nocautes — ele entende que já está no patamar esperado.
— “Eu acredito que esse momento vai chegar”, afirmou sobre aparecer ranqueado. “Mas tem caras ali que nem fizeram uma fração do que eu já fiz dentro do octógono. Eu não tenho muitas lutas e eu não quero ficar dizendo que eu mereço mais do que todo mundo. Eu sou realista com isso. Só que, quando o assunto é desempenho e o que eu trago para uma luta — os números, as submissões, os nocauteis — eu creio que eu já estou lá. E se ainda não aconteceu, eu acredito que com uma atuação forte aqui nesta luta, na qual eu tenho certeza que vou dar tudo para entregar, eu vou entrar no ranking. Eu acredito que este é o momento.”

