Jaqueline Amorim desembarcou em Abu Dhabi em outubro animada para o UFC 321, chegando para encarar a japonesa Mizuki após uma sequência positiva de quatro vitórias consecutivas. A brasileira, atleta de base no jiu-jitsu, vinha com ritmo para mirar a faixa do Top 15 no peso-palha, mas a veterana voltou com um plano diferente.
Reta final antes do UFC 321
- Jaqueline Amorim chegou a Abu Dhabi em outubro para o UFC 321 contra Mizuki.
- A brasileira vinha de uma sequência de quatro vitórias seguidas.
- Amorim tinha chance de entrar no ranking (ou, no mínimo, conseguir um confronto ranqueado) com mais um triunfo.
Antes do duelo, Amorim já tinha mostrado força ao manter, até então, um aproveitamento perfeito de finalizações no octógono. Depois de estrear na organização com uma derrota em sua estreia promocional, ela respondeu com vitórias que chegaram por interrupção em confrontos contra Montserrat Ruiz, Cory McKenna, Vanessa Demopolous e Polyana Viana.
Com isso, a lutadora brasileira, faixa-preta em jiu-jitsu, se colocou na porta do grupo das 15 melhores do peso-palha. No caminho, também construiu marcas relevantes no circuito: subiu ao pódio nos Mundiais e no Campeonato Mundial No-Gi durante seu período de competição como atleta do tatame.
Para Amorim, a derrota para Mizuki no passado acabou funcionando como uma espécie de “lição” no momento de transição e evolução no MMA. Ela destacou que, em algum ponto, qualquer grappler de destaque precisa encarar o fato de que mudar de modalidade exige recomeçar — como se fosse uma espécie de “começo do zero” dentro do octógono.
“Eu não gosto de perder, ninguém gosta — é ruim. Mas acho que às vezes você precisa disso. O mais importante é que isso me motiva a abrir os olhos para coisas que eu preciso desenvolver para crescer como lutadora de MMA”, disse Amorim.
A brasileira seguiu explicando que voltou ao trabalho com mentalidade ajustada, voltando para a academia e para o “quadro de planejamento” para lapidar detalhes. Segundo ela, certas coisas que pareciam já dominadas ainda precisavam de evolução para que seu jogo ficasse mais completo.
Troca de ambiente e ajustes no camp
- Após perder para Mizuki em outubro, Amorim tratou lesões e reorganizou a preparação.
- A lutadora trocou de equipe: saiu da American Top Team e passou a treinar com Roger Krahl e Troy Worthen na MMA Science Academy, em Sunrise (Flórida).
- Amorim citou busca por mais atenção individual e foco em detalhes no camp.
Depois da luta contra Mizuki em outubro, Amorim tirou mais tempo do que o usual para lidar com incômodos físicos que permaneceram e para analisar a própria situação de treino. Nesse período, ela decidiu mudar de estrutura, deixando a American Top Team para trabalhar com Roger Krahl e Troy Worthen na MMA Science Academy, em Sunrise, na Flórida.
De acordo com a atleta, a mudança teve como centro a necessidade de receber mais atenção individual e mais cuidado com os detalhes. Ela explicou que, quando o assunto é competir no mais alto nível, a percepção é que existe uma demanda maior por acompanhamento e direcionamento constante.
“Eu sempre quis um camp menor, porque assim fica mais focado em você. Eu sei que isso pode soar egoísta, mas eu acredito que, no nível mais alto, você precisa ter esse tipo de atenção”, afirmou. “Eu senti que precisava de algo mais específico para mim: as áreas em que eu preciso crescer.”
Amorim também reforçou que os treinadores atuais têm trabalhado com ela exatamente onde a evolução é mais necessária. Para ela, o diferencial do novo ambiente é ter uma equipe presente no dia a dia, acreditando na melhora contínua e na possibilidade de alcançar o topo da carreira.
Mesmo fazendo questão de reconhecer a fase anterior, a brasileira declarou que, apesar do crescimento na ATT, chegou a um ponto em que desejava algo mais direcionado. Ela afirmou que passou cerca de três anos na equipe e reconheceu que o início foi excelente, com uma academia grande e muitas pessoas diferentes ajudando no desenvolvimento. Ainda assim, entendeu que precisava de uma abordagem mais específica para o momento da carreira.
Na nova preparação, Amorim disse perceber uma mudança clara no estilo de trabalho. Em vez de apenas “empurrar” treinos de forma contínua, ela passou a sentir mais foco em correções e detalhes, mantendo o ritmo intenso, mas com prioridades alinhadas às áreas que precisam de avanço.
Ela citou, por exemplo, a divisão mais inteligente do treinamento, conectando a parte de trocação com as transições de jiu-jitsu e também com o trabalho de quedas. Segundo Amorim, o camp foi desenhado para que melhorias em áreas do striking contribuam diretamente para a capacidade de sair para o chão e controlar a luta no grappling.
“Eu acho que a maior diferença foram os detalhes. Estou muito empolgada para mostrar o quanto melhorei porque agora eu entendi: esse é o camp que eu quero fazer, essa é a atleta que eu quero ser. Foi uma diferença grande para mim”, completou.
Confronto de estilos: Amorim x Loma Lookboonmee
- Amorim destacou o duelo como um choque clássico de estilos contra Loma Lookboonmee.
- A brasileira afirmou que o jogo dela é o chão, enquanto a adversária é mais confortável em pé.
- Amorim disse esperar uma luta difícil, sem tratar como confronto fácil.
Amorim também demonstrou empolgação pelo embate de estilos com Loma Lookboonmee. A brasileira ressaltou que a rival é campeã mundial de Muay Thai e, por isso, a tendência é que Lookboonmee tente manter a luta em pé, onde se sente mais à vontade.
Por outro lado, Amorim afirmou que o seu jogo é o ground game e que não é segredo o que as duas equipes procuram no combate. Ela acredita que a adversária está ajustando o próprio repertório e também lembrou que ambas chegam famintas por vitória: a lutadora tailandesa teria treinado desde criança e ainda vem de uma derrota, enquanto Amorim quer retomar a sequência.
“Eu acredito que, assim como eu, ela tem ajustado o jogo dela muito bem, e eu não espero uma luta fácil. Eu acho que ela vem treinando desde criança e também está vindo de uma derrota, então eu penso que as duas estão com fome para colocar o resultado a nosso favor. Vamos entrar e dar o melhor para vencer, impor o nosso plano”, afirmou.
Antes de Lookboonmee retornar, a própria história recente dela era semelhante no quesito sequência: a lutadora também havia emplacado quatro vitórias seguidas em sua fase mais recente. O desempenho a colocou na parte inferior do ranking do peso-palha.
Contudo, após sofrer uma derrota por decisão unânime para a estreante Alexia Thainara em setembro, Lookboonmee caiu de faixa, saindo do Top 15. Agora, ela volta com a missão de retomar o caminho e voltar a se aproximar novamente do grupo das melhores.
Amorim, porém, deixou claro que tentará impedir essa recuperação na prática. Ela disse que pretende colocar a luta no grappling, sobrepor o próprio estilo à trocação da adversária e buscar a finalização, mas afirmou que o time está preparado para qualquer cenário dentro do combate.
“Claro que eu vou tentar impor meu grappling sobre a trocação dela e finalizar. Mas a gente está preparado para qualquer coisa”, comentou, sorrindo. “Eu sei que não é uma luta fácil, mas a gente está pronto.”
Mais do que qualquer outra coisa, Amorim quer voltar a vencer depois de um período longo sem atuar e de uma fase em que ficou perto de entrar no ranking. Ela disse que quer se livrar do gosto amargo de ver sua campanha refletida de forma negativa quando consulta o próprio cartel online.
Ao ser perguntada sobre o que espera ao sair de Macau com um triunfo, Amorim mostrou bastante confiança. “Vai ser incrível! Eu não vejo a hora de voltar para a coluna das vitórias. Eu não gosto desse negócio vermelho no topo do meu Tapology!”, concluiu.
