Por anos, John Crouch foi tratado por boa parte do público do MMA como um dos treinadores mais respeitados do esporte. À frente do The MMA Lab, em Glendale, no estado do Arizona (região de Phoenix), o técnico já trabalhou com atletas que chegaram a disputar cinturões do UFC e de outras grandes organizações, consolidando um estilo de ensino que mistura disciplina, estudo e atenção aos detalhes.
Em entrevistas, Crouch admitiu que entende o valor dos elogios ao trabalho realizado — mas não costuma se deixar levar por esse tipo de reconhecimento. Ele afirmou que, na rotina diária de preparação, o mais importante é manter o foco no que realmente sustenta o desempenho: a execução correta do treinamento e a continuidade do trabalho, independentemente do que as pessoas digam.
De acordo com Crouch, a lógica é simples: é preciso ouvir críticas e elogios com cautela. O treinador explicou que, quando o atleta (ou o próprio treinador) começa a acreditar demais no que vem de fora, isso pode ser prejudicial ao desenvolvimento. Para ele, o ciclo ideal é receber um retorno positivo por um momento, mas logo em seguida voltar ao processo — afinal, a próxima luta chega rápido e o desempenho precisa ser reapresentado.
“Eu adoro treinadores e a parte do treinamento. Isso faz parte da minha vida, então eu estudo como eles trabalham”, disse Crouch. “Claro, significa muito quando somos reconhecidos, mas você não pode exagerar nem na crítica, nem na admiração. No fim, tem de continuar fazendo o trabalho certo.”
Ele seguiu: “Se não, você começa a acreditar no que todo mundo está falando, e isso não faz bem. Então, mesmo que eu valorize, existe um ‘ok, legal’ momentâneo — e depois você volta ao trabalho. Você tem uma luta na semana seguinte e precisa mostrar de novo que está bem, senão o cenário pode virar.”
Antecedentes
Crouch tem histórico relevante no desenvolvimento de atletas de alto nível. Ele ajudou a orientar Benson Henderson na conquista de títulos nos formatos WEC e UFC na categoria dos pesos leves, além de ter participado do caminho de Jamie Varner até um título do WEC antes disso.
O treinador também coleciona vínculos anteriores com nomes que depois se tornaram campeões no UFC. Entre eles estão Sean O’Malley e Mackenzie Dern, que alcançaram o topo da categoria ao longo da carreira.
Atualmente, o elenco do The Lab reúne lutadores em evidência no cenário do UFC. Entre os atletas estão Mario Bautista e Jared Cannonier, ambos recentes desafiantes ao cinturão, além de Arnold Allen e Alex Caceres.
Mesmo com esse grupo de atletas de primeira linha, Crouch ressalta que a influência externa continua presente no dia a dia. Ele afirma que, tanto no MMA quanto em outros esportes, gosta de usar outros treinadores como referência — quase como “animais espirituais” para guiar a própria forma de pensar e ensinar.
A visão de Crouch sobre treinadores
Ao falar sobre inspirações, Crouch citou Greg Jackson como referência central dentro do MMA. Segundo ele, foi o impacto do trabalho de Jackson que mais o motivou. Ainda assim, o treinador diz que admira profissionais de diferentes vertentes, não apenas aqueles ligados diretamente ao estilo de luta.
Na conversa, Crouch afirmou que gosta de observar como grandes treinadores montam sistemas vencedores. Ele mencionou o legado de Phil Jackson e o que foi feito no período com o Chicago Bulls, além de referências como Red Auerbach e o que ocorreu com o Boston Celtics. Também citou Jimmy Johnson e a forma como ele liderou o time do Dallas Cowboys — mesmo admitindo que aquilo não necessariamente representa o estilo dele, mas destacando o tamanho do feito.
“Eu sou muito fã de treinadores em todas as áreas. Eu acabei de conhecer Joe Mazzulla, do Celtics. Ele esteve em Phoenix e passou pelo ginásio. Que cara incrível, muito engraçado e carismático no microfone, mas principalmente fazendo um trabalho excelente liderando esses atletas. Existem tantos treinadores bons que eu admiro”, disse Crouch.
Por fim, ele explicou como transforma essas influências em ferramenta prática para o próprio esporte: “Eu tento pegar as partes que eu acho que funcionam e aplicar no meu meio. É assim que eu tento evoluir.”
O método: elogios e críticas como combustível, não como distração
No fim das contas, a mensagem de Crouch é a mesma: reconhecimento é positivo, mas não pode substituir o trabalho contínuo. A estrutura do treino, a correção técnica e a preparação para o próximo compromisso são tratadas como prioridade absoluta.
Com isso, o treinador reforça que sua filosofia passa por manter a cabeça no lugar — sem se iludir com elogios e sem se desestabilizar com críticas — enquanto o atleta segue construindo desempenho para enfrentar o próximo desafio dentro do octógono.

