À medida que a reta final se aproxima do UFC Freedom 250, marcado para 14 de junho na Casa Branca, a divisão dos leves deve concentrar boa parte do foco — mas o interesse no card não para por aí. Pouco menos de um mês após o duelo de unificação do cinturão em 155 libras entre Ilia Topuria e Justin Gaethje, o peso-pesado de movimentação na categoria continua, com combates que podem reorganizar caminhos no ranking e indicar quais nomes realmente estão acelerando na segunda metade do ano.
Com isso em mente, vale mergulhar no que está programado, observar a trajetória de atletas entre os melhores do ranking e apontar possíveis figuras para ficar de olho no restante do calendário. Abaixo, confira a sequência de lutas que mexe diretamente com os planos de quem mira voos mais altos em 2026.
Fares Ziam vs Tom Nolan — UFC Fight Night: Muhammad vs Bonfim (6 de junho)
Ilia Topuria vs Justin Gaethje — UFC Freedom 250 (14 de junho)
Mauricio Ruffy vs Michael Chandler — UFC Freedom 250 (14 de junho)
Rafael Fiziev vs Manuel Torres — UFC Baku (27 de junho)
Nazim Sadykhov vs Matheus Camilo — UFC Baku (27 de junho)
Conor McGregor vs Max Holloway — UFC 329 (11 de julho) *
Benoit Saint Denis vs Paddy Pimblett — UFC 329 (11 de julho)
Antes de entrar nas possibilidades, duas observações importantes. Primeiro: ainda haverá tempo de analisar o combate principal do UFC Freedom 250 em detalhes, mas, por enquanto, a prioridade é entender os outros quatro confrontos programados, que parecem prometer informações bem valiosas conforme a noite avança.
Fares Ziam é um dos lutadores mais ignorados dentro do plantel. Ele tem um perfil discreto, mas é um destaque silencioso: soma seis vitórias seguidas, incluindo na última apresentação um triunfo por interrupção com pressão constante sobre Sadykhov. Tom Nolan, por sua vez, vem da Contender Series e também chega embalado, com quatro triunfos seguidos. Além disso, ele possui porte acima da média para a divisão. Os dois fazem parte de uma lista de talentos com menos de 30 anos ainda buscando espaço em lutas de maior evidência. Um bom desempenho pode alterar o status de qualquer um deles, enquanto também deixa mais claro onde cada atleta está, neste momento, na curva de crescimento.
Mauricio Ruffy encara Michael Chandler no gramado da South Lawn vindo de um resultado forte: uma interrupção no segundo round sobre Rafael Fiziev, na qual ele demonstrou grande intensidade. Ainda assim, Ruffy está a apenas uma luta de distância de ter sido parado por Saint Denis em Paris. “Iron Mike” vem enfrentando dificuldade para produzir resultados positivos recentemente, mas mantém um estilo agressivo e conta com qualidade no wrestling. Por isso, a expectativa é entender o que acontece quando um atleta com essa abordagem encontra um brasileiro dinâmico no octógono — especialmente porque uma derrota para o veterano americano poderia ser um alerta importante e expor um possível “ponto fraco” no jogo de grappling do lutador.
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O confronto entre Rafael Fiziev e Manuel Torres tende a ser empolgante enquanto durar e pode desenhar com mais nitidez em que nível cada um se encontra dentro da hierarquia. Fiziev já foi presença constante entre os integrantes do Top 15 por vários anos, mas perdeu quatro das últimas cinco lutas. Torres, por outro lado, entrou na lista no ano passado após nocautear Grant Dawson no UFC 323. No papel, Fiziev parece estar um degrau acima em técnica e resultados, mas o momento é justamente para confirmar se isso se sustenta na prática.
De algum modo, Benoit Saint Denis ainda parece subestimado. Ele tem campanha de 4-0 e, desde que se conectou com Nicolas Ott, acumula quatro vitórias por finalização. Um novo desempenho dominante contra Paddy Pimblett pode abrir espaço para uma conversa real de disputa de cinturão. “Paddy the Baddy” teve a chance de estar do outro lado contra Topuria no próximo mês, mas caiu para Gaethje em janeiro. Agora, é uma nova oportunidade para provar que é um candidato legítimo; porém, se ele tropeçar novamente, o torcedor do “Scouser” pode ter dificuldade para voltar rapidamente ao radar das lutas pelo título.
Os demais lutadores ranqueados
Depois de passar pelos combates que somam nove dos 16 atletas presentes no ranking, o próximo passo é olhar para os outros sete que ainda ocupam posições importantes e pensar em quais rumos podem surgir para cada um deles.
(Observação: as ideias a seguir são minhas, com pitadas de planejamento imaginário e “bola de cristal”, não sendo reportagens nem rumores de pareamentos)
Arman Tsarukyan: ele emplacou cinco vitórias seguidas e deve atuar como reserva no UFC Freedom 250. Além disso, virou queridinho do público por causa da frequência de atuação e do desempenho no circuito de grappling. Não há dúvida de que ele está entre os melhores pesos-leves do mundo. Ainda assim, toda a movimentação extra e os episódios de bastidores — que parecem ser iniciados por ele ou acompanhá-lo — tornam Tsarukyan um nome mais complexo de confiar quando a oportunidade é grande e o foco é máximo.
Próximo passo: uma nova chance de disputar o cinturão parece bem próxima considerando o papel de reserva no UFC Freedom 250, mas qualquer confusão fora do octógono pode alterar completamente esse cenário.
As novas promessas do UFC Freedom 250
Charles Oliveira: “Do Bronx” vem com duas vitórias seguidas e carrega o cinturão BMF. Só que ele também está a menos de um ano de distância da derrota para Topuria no UFC 317. A vitória sobre Gaethje aumenta as chances para uma disputa de título caso o americano confirme o caminho de alta no próximo mês. Ainda assim, a tendência é que Oliveira defenda o cinturão BMF mais tarde ainda neste ano.
Próximo passo: como todo mundo, Oliveira provavelmente vai acompanhar de perto o UFC 329 — afinal, uma vitória de McGregor pode desenhar um duelo BMF contra o irlandês. Porém, uma luta contra Saint Denis parece um acerto imediato para um espetáculo: basta que o francês em ascensão vença Pimblett.
Mateusz Gamrot: o veterano polonês está bem estabelecido entre as faixas de 6 a 10 no ranking e vem de uma vitória por finalização no segundo round sobre Esteban Robovics no UFC 327. O estilo dele se encaixa bem na descrição clássica: é “melhor do que os que vêm logo atrás”, mas encontra dificuldade para lidar com quem está acima. Isso vale mesmo para o debate envolvendo o resultado de anos atrás, quando houve questionamentos sobre o triunfo diante de Tsarukyan.
Próximo passo: “Gamer” chamou Diego Lopes após a vitória em abril. Se os planos dele forem subir para outra divisão depois do UFC Freedom 250, a luta entre os dois é uma opção fácil e bem interessante. Caso não aconteça, eu ficaria irritado se a organização deixasse de lado um confronto de Gamrot com Pimblett mais adiante no ano.
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Dan Hooker: o lutador da City Kickboxing é, no fundo, o equivalente de “striker” de Gamrot. Porém, ele está em uma sequência negativa de derrotas consecutivas: foi parado por Tsarukyan em novembro e também perdeu para BSD no UFC 325. Existem menos caminhos à frente do que atrás na carreira, mas, se a tendência continuar, as próximas apresentações devem ser bastante movimentadas.
Próximo passo: Hooker tem atrito com Pimblett, então faz sentido que uma luta entre eles aconteça se “The Baddy” cair em julho. Caso contrário, um confronto de Hooker com o próximo nome da lista também seria uma escolha direta para garantir um duelo de alto nível de trocação e intensidade.
Renato Moicano: o brasileiro encerrou uma sequência de duas derrotas com uma finalização no segundo round sobre Chris Duncan, em sua terceira aparição como luta principal em quatro apresentações. Ele vive um momento curioso: ele já finalizou Saint Denis dois anos atrás, mas depois sofreu derrotas para Islam Makhachev e também para Beneil Dariush.
Próximo passo: uma luta contra Hooker funciona em qualquer dia da semana, e duas vezes no domingo. Ainda assim, também imagino que Moicano possa prosperar em um papel semelhante ao de “máquina de verdade” para veteranos, como fez contra Duncan.
MAIS UFC FREEDOM 250: Lutadores em ascensão
Quillan Salkilld: com menos de 18 meses dentro do UFC, o atleta formado na turma de 2024 do DWCS tem retrospecto de 5-0 na organização, além de três finalizações consecutivas ainda no primeiro round — também com bônus. Ele ainda ocupa o número 12 ao lado do seu nome. A sensação é que ele vem “correndo” para resolver tudo rápido, mas este é o tipo de fase em que as coisas começam a ficar mais nebulosas.
Próximo passo: a ideal é que Salkilld siga avançando com lutas adiante na hierarquia após ter parado Beneil Dariush em Perth no começo deste mês. Só que não parece que um Top 10 vai correr para encarar ele agora. Um dos vencedores das lutas marcadas para as próximas sete semanas pode ser, na prática, o alvo mais lógico.
Beneil Dariush: o atleta de 37 anos vem de duas derrotas seguidas e quatro tropeços nos últimos cinco compromissos, com todas as interrupções acontecendo ainda no primeiro round. É provável que ele perca posição no ranking quando o UFC 329 terminar, e a grande pergunta passa a ser como ele vai decidir os próximos passos.
Próximo passo: se Dariush ainda quiser competir, migrar para um papel de “referência” como King Green e Jim Miller — um tipo de adversário que faz o adversário realmente provar seu valor — parece inevitável.
A divisão dos leves vive um cenário peculiar: existem apenas alguns prospectos com menos de 30 anos em rota de ascensão. O restante do grupo ou está mais velho, ou já se encontra bem estabelecido na posição atual, ou ainda está distante demais do ranking para ser considerado neste momento.
Salkilld lidera o grupo da nova onda. Ziam e Nolan entram com ele no pódio, mas além desses nomes, há figuras como Mairon Santos — vencedor do TUF —, os ex-alunos do DWCS Nurullo Aliev e Manoel Sousa, e talvez Rongzhu, dependendo do que ele mostrar mais tarde nesta semana, que precisam estar no radar do público que acompanha o recorte “abaixo dos 30”.
Também existe um conjunto de atletas um pouco mais experientes que merecem atenção, pois podem causar impacto com mais algumas vitórias de qualidade. Entre eles estão Grant Dawson, Jalin Turner, Lance Gibson Jr. e Ludovit Klein — embora todos lidem com o peso das derrotas que acumularam.
Muita coisa pode mudar em pouco tempo em qualquer categoria. Por isso, é hora de acompanhar cada evento, encontrar os lutadores que você quer seguir de perto e aproveitar o espetáculo.
