O presidente do UFC, Dana White, confirmou um desgaste antigo que vinha sendo especulado nos bastidores: uma ruptura entre ele e a lenda do MMA Anderson Silva. De acordo com White, “Spider” não mantém contato com o dirigente mesmo depois de anos de trabalho próximo ao longo do auge do brasileiro na organização.
- Resultado: não se trata de uma luta; a “disputa” envolve o rompimento de relação entre Dana White e Anderson Silva
- Método: não aplicável (declarações públicas sobre afastamento)
- Rodada/tempo: não aplicável
- Categoria de peso: não aplicável (referência histórica ao peso-médio)
- Local: entrevista do dirigente antes do UFC Freedom 250
- Cartel dos lutadores (referência citada): Anderson Silva deixou o UFC após sequência ruim no fim da passagem pela organização e, no boxe, registra 4-1
Ruptura confirmada: Silva não fala com White
White afirmou que Anderson Silva, amplamente tratado como o maior nome do peso-médio (185 libras) em sua categoria, se recusa a conversar com ele “até hoje”. Segundo o dirigente, a situação teria começado depois de ele declarar que o ciclo do brasileiro havia terminado, enquanto Silva, ainda na casa dos 40 anos, não concordava com a decisão.
Na entrevista, White descreveu Anderson como um atleta de comportamento incomum no trato, mas que, mesmo assim, continuou envolvido com o UFC por anos. O dirigente também mencionou que o brasileiro teria perdido “oito ou nove” seguidas, pontuando que, apesar de discordâncias sobre números exatos, o ponto central é que Silva não aceitou o recado e teria enfrentado resistência para encerrar a carreira naquele momento.
O que White diz que aconteceu no fim da era Anderson
White ainda reforçou que, na última década, a relação entre os dois foi ficando mais fria. A confirmação veio em meio a uma análise do dirigente sobre como a comunicação entre estrelas e gestão pode desandar quando o atleta acredita estar pronto para continuar, enquanto a organização entende que chegou a hora de parar.
O dirigente citou o argumento que, segundo ele, teria sido usado por Silva: a ideia de que ninguém poderia dizer ao brasileiro que ele estava encerrado naquilo que amava fazer. White também descreveu o contexto de Silva, apontando que ele estava na faixa dos 40 anos quando a conversa sobre encerramento foi colocada na mesa.
Saída do UFC: três derrotas seguidas e queda no desempenho
Mesmo com a discrepância entre a contagem de derrotas mencionada por White e o que se via na carreira, o brasileiro realmente deixou a promoção em um momento de instabilidade. Anderson Silva encerrou sua passagem pelo UFC com uma sequência de três lutas sem vitória e, antes de sair, havia perdido sete dos oito confrontos mais recentes na organização.
A saída ocorreu em outubro de 2020, e a história inclui um capítulo que, para White, foi um dos primeiros sinais claros da ruptura: após a derrota por nocaute técnico (TKO) para Uriah Hall, realizada cerca de seis anos atrás, o presidente do UFC disse à imprensa no pós-luta que Silva estava aposentado. Na visão de White, Anderson não comunicou essa decisão nem aos fãs nem ao próprio ecossistema do evento, mantendo a intenção de seguir lutando.
Enquanto Silva queria continuar, White indicou que a posição dele era de encerramento. Segundo o dirigente, o impasse terminou com a liberação do contrato do brasileiro, apesar de ainda existir uma luta restante no vínculo.
Boxe após o UFC e 4-1 no esporte
Depois de ser desligado do UFC, Anderson Silva, hoje com 51 anos, direcionou o foco ao boxe. White explicou que o brasileiro sempre teve vontade de atuar no esporte, mas que a organização não havia permitido antes. Na prática, Anderson teria precisado “cumprir” o acordo longo assinado com o UFC para conseguir, então, avançar rumo a esse novo objetivo.
No boxe, Silva conquistou um cartel de 4-1. A única derrota em sua trajetória no novo esporte aconteceu em 2022, quando ele foi derrotado por decisão em um confronto contra Jake Paul.
Atritos públicos: Hall da Fama e postura de recusa
Ao longo dos anos, a dupla teria trocado farpas discretas na mídia. Para White, um dos momentos mais evidentes de tensão foi em 2023, quando Anderson Silva foi finalmente incluído no Hall da Fama do UFC. Mesmo com o reconhecimento, o brasileiro não compareceu à cerimônia, o que foi tratado como mais um sinal de que a relação já não era a mesma.
White também relacionou esse cenário com a postura da empresa em relação ao fim de carreira: a percepção de que o UFC teria sido resistente em oferecer lutas a Silva e de que, ao mesmo tempo, a organização queria que o brasileiro encerrasse as atividades com as luvas.
Por que estrelas “passam do ponto”, segundo Dana White
O presidente do UFC afirmou que esse tipo de situação é comum dentro do trabalho dele. White ressaltou que, quando o atleta está no topo, existe uma tentação enorme de lutar além do prazo natural, seja pelo aspecto financeiro ou pelo peso emocional de “mais uma apresentação”.
Em sua fala, White citou a lógica do “mais um pagamento” como um fator determinante. Ele também desenhou o cenário de um grande ícone entrando em um estádio lotado e convivendo com a empolgação do momento — como, por exemplo, a imagem de sair pelo túnel em um local com 22 mil pessoas gritando, algo que ele associou ao nível de estrelato de Anderson.
Por fim, White argumentou que, justamente por não existir clareza imediata do fim, o atleta só percebe que não consegue mais “disparar” com a mesma eficiência quando está dentro do octógono — e, então, acaba sendo derrotado. Esse conjunto de elementos, segundo o dirigente, explica por que o tempo de continuidade pode virar o ponto de ruptura entre gestão e lutador.

