O técnico John Wood acredita que a derrota rápida para Ronda Rousey abriu um espaço importante na trajetória da Gina Carano — e que a lutadora ainda pode ter muito a oferecer se decidir voltar ao octógono novamente. A avaliação ganha força após a participação de Carano no duelo principal do evento MVP MMA 1, disputado neste sábado no Intuit Dome, em Inglewood, na Califórnia.
Carano volta ao MMA e é finalizada em 17 segundos
Gina Carano, com cartel de 7-2, foi superada por Ronda Rousey, que chegou ao 13-2, com uma finalização aplicada em apenas 17 segundos. O confronto aconteceu no combate principal do MVP MMA 1 e marcou o retorno da lutadora à competição pela primeira vez desde 2009.
Wood, que esteve diretamente envolvido na preparação de Carano para enfrentar Rousey, reforçou a confiança de que ainda existe caminho para a brasileira seguir lutando em alto nível, caso aceite a próxima oportunidade.
Nas palavras do treinador: “ainda há muita luta pela frente”
Ao comentar o momento de Carano após o combate, John Wood disse que não considera o capítulo da lutadora encerrado. Segundo ele, ainda existe “coceira” para voltar a competir, embora o futuro dependa de escolhas pessoais.
“Eu não acredito que essa vontade tenha sido totalmente resolvida ainda para a Gina, mas vamos ver”, afirmou Wood. Ele acrescentou que há movimentos em andamento nos bastidores e que, no fim das contas, a decisão será da própria atleta.
“Tem muita coisa já chegando para ela. Por trás dos panos, eu consigo perceber que existe muita atividade acontecendo. No final, quem decide é ela”, declarou o treinador. Wood também destacou que o retorno de Carano não foi motivado por dinheiro, e sim por um objetivo mais íntimo.
“Nunca foi uma questão de necessidade financeira. Isso era algo pessoal para ela voltar e fazer”, disse.
O que Wood viu no retorno de Carano
O treinador ainda apontou que Carano encontrou novamente o sentimento que move um lutador: o amor pelo combate. Para Wood, o ambiente de treino e o que foi observado durante a preparação indicam que ela segue capaz de lutar e vencer.
“Verdadeiramente, para mim, ela reencontrou o carinho pela luta. E como treinador, eu vejo alguém dentro do ginásio que ainda consegue lutar”, ressaltou. Wood completou que enxerga adversárias que ainda podem ser superadas e que, com os confrontos corretos, a lutadora pode viver lutas agradáveis no futuro.
“Eu garanto que ainda existem muitas pessoas que ela pode vencer. E eu acho que, com os encaixes certos e confrontos justos, dá para ter diversão lá dentro. Então vamos ver o que ela decidir fazer”, finalizou.
O peso, a incerteza e o desejo de ver Carano de volta
Além do desfecho no octógono, o retorno de Carano também envolveu um esforço significativo fora dele: a lutadora perdeu 100 libras (cerca de 45 kg) para chegar ao combate. Wood afirmou que esse tipo de conquista já seria, por si só, um feito — mas reconheceu que Carano ainda demonstra dúvidas sobre continuar.
Para o treinador, o cenário ideal para convencer a atleta a seguir seria encontrar a adversária certa e proporcionar um novo camp focado apenas em lutar, sem que o peso e a parte mais desgastante do corte sejam novamente o centro do trabalho.
“Eu, particularmente, gostaria de ver ela fazer isso de novo. Eu gostaria de ver ela aproveitar o trabalho que fizemos e ter outro camp, só com foco em lutar, porque todo o esforço pesado, a parte do corte de peso e o resto do processo já ficou para trás”, disse Wood.
Na visão dele, um novo período de preparação permitiria que Carano voltasse a ter uma luta “divertida” — algo que, segundo o próprio treinador, faz parte do motivo que levou a atleta a retornar.
“Eu adoraria ver ela ter mais um camp e fazer uma luta legal”, acrescentou.
Wood projeta decisão: “eu tenderia a dizer que sim”
Por fim, Wood deixou claro que, apesar da incerteza que paira sobre o futuro de Carano, seu palpite é positivo. Ele admite que não tem como garantir, mas indicou que acredita mais na continuidade do que no encerramento.
“Eu acho que ela vai fazer? Eu tenderia mais para o sim do que para o não”, concluiu.

