Atletas do UFC cobram Hype Fighting por pagamentos atrasados no Brasil

A Hype Fighting voltou a ser alvo de críticas após uma onda de reclamações nas redes sociais envolvendo atletas que ainda não teriam recebido pelos compromissos assumidos pela organização. A insatisfação veio à tona depois que lutadores passaram a afirmar publicamente que seguem aguardando o pagamento relativo a lutas disputadas em dois eventos realizados no Brasil, em março e abril.

Reclamações após os cards no Brasil

Uma apuração feita junto a 17 participantes dos eventos confirmou que todos seguem sem receber. Entre eles estão lutadores da parte preliminar, que competiram em lutas de trocação sem luvas, além de estrelas do card principal. No grupo que teria sido afetado também aparecem vários nomes que já atuaram no UFC.

Além dos atletas, pessoas contratadas para promover o espetáculo e celebridades ligadas ao evento também teriam ficado sem remuneração, segundo o que foi apurado. Os valores pendentes mencionados por lutadores das lutas sem luvas variam de quantias pouco acima de US$ 500 até patamares de quatro dígitos.

Um dos atletas envolvidos resumiu a situação dizendo que não esperaria mais ser pago.

Conversas com dirigentes e acusações sobre “atraso”

Parte do material obtido inclui conversas entre integrantes da Hype e lutadores que foram às redes para reclamar. Nesses diálogos, teria havido ameaça por parte de um responsável pela organização de “não enviar o dinheiro” caso a postagem não fosse apagada, citando um “pequeno atraso” como justificativa para a cobrança e para a tentativa de controlar a repercussão.

Também foi relatado que alguns atletas teriam recebido a promessa de vagas em futuras edições da Hype no Brasil, condicionadas a não fazerem novas reclamações publicamente sobre o caso.

O que diz o contrato sobre prazo de pagamento

O teor do contrato assinado pelos lutadores prevê que a quantia seja quitada em até 30 dias úteis contados a partir da data da luta. Com isso, o prazo teria chegado ao fim nesta quarta-feira para o card de São Paulo. Já para o evento de 11 de março, realizado no Rio de Janeiro, o período teria passado há bastante tempo.

Dirigentes da Hype Fighting optaram por não se manifestar sobre a situação.

Como foram os eventos citados na denúncia

Os dois cards mencionados pelos reclamantes aconteceram no Brasil, com a organização tendo eventos no Rio de Janeiro e em São Paulo. O primeiro deles, no Rio, teve como luta principal um duelo entre Arman Tsarukyan e Muhammad Mokaev. No coevento principal, Jean Silva enfrentou Bryce Mitchell em uma disputa de grappling, enquanto Edson Barboza e Shara Magomedov também marcaram presença em outro confronto de luta agarrada.

Quatro semanas depois, a Hype realizou um card em São Paulo. No confronto principal, Jean Silva teria encarado Marlon Vera. Já no coevento principal, Deiveson Figueiredo foi escalado para encarar Raul Rosas Jr. em mais uma luta de grappling.

Detalhe dos valores e do impacto entre participantes

  • 17 atletas envolvidos nos eventos confirmaram que seguem sem receber pelos combates.
  • O grupo inclui lutadores de card preliminar, inclusive em confrontos sem luvas, e também atletas do card principal.
  • Celebridades e equipe contratada para promoção do show também teriam ficado sem pagamento.
  • Os atrasos relatados em lutas sem luvas variam de pouco acima de US$ 500 até valores na faixa de quatro dígitos.
  • O contrato prevê pagamento em até 30 dias úteis após a data do combate.
  • Para o card de São Paulo, o prazo teria encerrado na quarta-feira; para o show de 11 de março no Rio de Janeiro, o limite já teria sido ultrapassado.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.