Jon Jones admite menor chance de lutar Ngannou e fala sobre futuro no UFC

Jon Jones não descartou totalmente a possibilidade de enfrentar Francis Ngannou, mas admitiu que a chance de isso acontecer parece bem menor do que a de ele já ter encerrado a carreira. O norte-americano esteve em evidência no primeiro card do MVP MMA, realizado neste sábado, e comentou a atuação de Ngannou após o camaronês nocauteá-lo Philipe Lins ainda no primeiro round, com um golpe decisivo que interrompeu a luta cedo.

Durante a transmissão do evento, Jones também reconheceu que ainda gostaria de medir forças com Ngannou — o mesmo atleta que já foi apontado como possível adversário do “predador” anos atrás, quando surgiram rumores de que os dois poderiam se enfrentar no UFC. Ainda assim, o atual vínculo de Jones com a organização foi colocado como um obstáculo importante para qualquer negociação, já que é difícil imaginar a promoção liberando o lutador para fechar um combate por fora e, ao mesmo tempo, garantir uma troca de cartel que atenda a outro promotor.

Em declarações feitas durante o programa com Rousey vs. Carano, Jones afirmou que precisa concentrar esforços para tentar sair de seu contrato com o UFC caso a luta contra Ngannou venha a se concretizar. Para ele, essa seria a parte mais complicada do processo. O lutador ainda disse não acreditar que Dana White esteja interessado em tratar esse tipo de negócio com Francis Ngannou, o que deixaria o caminho ainda mais estreito.

Jones reforçou que, na prática, o acordo só ganharia força se envolver o MVP como via para viabilizar a luta. “Se conseguirmos destravar meu contrato, seria ótimo”, completou, deixando claro que o fator contratual é o ponto central para qualquer possibilidade de confronto com o ex-campeão em duas categorias.

O cenário de afastamento do UFC ganhou ainda mais contexto com o que aconteceu na fase mais recente da carreira de Jones. O norte-americano ainda segurava o cinturão peso-pesado quando esteve em conversas para um duelo potencial contra Tom Aspinall, mas acabou optando por abrir mão do título e se aposentar em vez de seguir com a disputa.

Poucas semanas depois, Jones voltou a falar em competir novamente quando o UFC anunciou uma atração marcada para ocorrer na Casa Branca em junho. Apesar do desejo de participar desse momento histórico, o dirigente do UFC, Dana White, repetiu que não confiava que Jones realmente apareceria para o card, afirmando que não havia chance de ele disputar o evento.

Com isso, Jones acabou, de forma efetiva, deixando a ideia de retorno para trás mais uma vez. E, segundo ele, a probabilidade de já ter lutado pela última vez no MMA parece maior do que a chance de o confronto com Ngannou realmente sair do papel.

“Acho que eu [estou aposentado]”, declarou Jones. Ele disse acreditar que está vivendo um momento profissional que mantém sua rotina ativa, citando que tem um agente muito bom, os irmãos Kawa, e que os compromissos seguem constantes. Jones ainda mencionou que viaja com frequência, cria negócios próprios e faz parcerias e endossos com outras empresas, argumentando que não sente pressão para voltar ao octógono.

Na visão do lutador, caso as coisas estivessem indo mal, ele se sentiria compelido a retornar à jaula. Como isso não está acontecendo, ele afirmou não ver motivo para lutar novamente, mantendo a postura de que não existe urgência em buscar uma nova luta neste momento.

Sobre a vitória de Ngannou no sábado, Jones disse ter ficado impressionado com o que viu, mas também ressaltou um ponto que, para ele, precisa ser considerado: Lins teria chegado ao confronto bem maior e com vantagem física, sem que a luta tivesse começado de forma equilibrada. Jones argumentou que, antes mesmo do combate rolar, o adversário de Francis demonstrou medo de se engajar, o que teria limitado o confronto.

“Esta noite ele pareceu muito bem, mas ele lutou contra um cara que pesava algo como 220 libras”, comentou Jones sobre Ngannou. O norte-americano ainda afirmou que Lins não teria estado no mesmo nível técnico de trocação que Francis, destacando a diferença de abordagem e de capacidade de impor ritmo no kickboxing.

Por fim, Jones resumiu a própria leitura do desempenho: disse que Ngannou foi muito convincente, especialmente por começar a lançar chutes com mais frequência. Ele mencionou que o camaronês acertou chutes altos bem legais durante a luta e afirmou estar animado para entender o que vem pela frente na trajetória do campeão após essa vitória.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.