Joselyne Edwards conta que, em um ponto de virada mental, algo “clicou” depois de ver a sequência de três vitórias ser interrompida em uma decisão bastante contestada. Na avaliação dela, não era para o resultado ter ido para as cartas — e a sensação de injustiça foi o gatilho para uma postura ainda mais agressiva, que hoje sustenta a sua arrancada atual de quatro lutas sem derrotas, todas terminadas de forma contundente antes do fim.
Em 2023, lutando em território adversário, Edwards (17-6 no MMA, 8-4 no UFC) perdeu por decisão unânime para Nora Cornolle, na França. Os três jurados marcaram a luta para a atleta francesa, com dois placares em 30-27. Ainda assim, Edwards acreditou que tinha feito o suficiente para vencer — e ela não foi a única: uma parcela relevante de membros da imprensa que disponibilizaram cartões de pontuação para o MMA também viu triunfo da brasileira, com mais da metade desses scorecards apontando para ela. Foi justamente nesse momento que “La Pantera” adotou uma mentalidade extrema, mas considerada por ela como altamente eficiente, que a impulsionou para o ciclo atual de vitórias violentas, todas encerradas com interrupção.
Em entrevista ao programa Hablemos MMA, em espanhol, Edwards detalhou como a derrota para Cornolle serviu como lição sobre o peso das decisões. Segundo ela, ao perceber que o veredito teria destino contrário, a frustração foi imediata: “Foi exatamente quando eu perdi para a Nora que eu entendi que a decisão foi para ela. E, sinceramente, eu achei que tinha vencido aquela luta”.
A lutadora foi além e explicou o contexto físico daquele combate, afirmando que entrou no encontro com a mão lesionada em ambas situações — e que, mesmo assim, julgou ter levado vantagem. “Imagine: com Ailin Perez, eu lutei com a mão machucada, e com Nora, eu lutei com a mão quebrada. Duas semanas antes de viajar (para a França), eu quebrei a mão. Ela estava roxa; eu sabia que não estava bem. Eu fui para o combate com uma mão fraturada e, mesmo assim, eu achei que tinha vencido. Isso me irritou muito. Eu me disse: ‘A partir de agora, todo mundo vai morrer. Não importa quem esteja naquele octógono, vai morrer’”.
Edwards também reforçou a diferença entre a postura fora e dentro do cage. “Fora do octógono eu não tenho problema com ninguém, mas dentro eu vou te finalizar. Quando você deixa a luta nas mãos dos juízes, você entrega a decisão a um ser humano que pode errar como você. Eles têm vieses. A luta foi na França. Eu me falei: ‘Eu vou fazer tudo para minhas lutas não irem para a decisão’. Se a luta chegar às cartas, aí pronto: minha adversária fez tudo para não morrer”.
Apesar da mudança de mentalidade, Edwards teve um revés no caminho até a fase atual. Ela sofreu uma derrota por decisão para Ailin Perez, mas afirma que aquele confronto era uma luta que não deveria ter aceitado. Na visão dela, as emoções falaram mais alto. Além disso, entre as duas atletas havia uma rivalidade intensa: antes mesmo da assinatura do combate, elas tiveram um bate-boca no UFC Performance Institute.
Ao explicar o que ocorreu na luta contra Perez, Edwards foi direta sobre como o problema foi a reação ao clima do duelo. “Não foi tanto perder para a Ailin. Quando eu perdi para a Ailin, eu ainda estava com o problema na mão, e eu estava com a mão imobilizada. A luta foi marcada e, como eu estava muito irritada, tomada pela raiva e pelo clima do momento, eu acabei aceitando o combate sem ter liberação médica para lutar”, contou.
Ela acrescentou que o médico havia estabelecido um prazo para recuperação e início de fortalecimento, mas que, quando a imobilização foi retirada, a decisão de aceitar o duelo já tinha sido tomada. “O médico me disse: ‘Neste mês, a sua mão vai começar a fortalecer, e então eu vou te liberar para treinar’. Quando eles tiraram a imobilização da minha mão, eu já tinha aceitado a luta. Eu nem tinha começado terapia. Eu perdi aquela luta por ser uma idiota, por ter me deixado levar pelo calor do momento e tudo isso”.
O retorno de Edwards neste sábado
Edwards volta ao octógono neste sábado para o maior compromisso da carreira no MMA. Ela enfrenta Norma Dumont, atualmente número 3 no ranking do UFC no peso-galo feminino (13-2 no MMA, 9-2 no UFC), em luta co-principal do UFC Fight Night 274. O evento acontece no Meta APEX, em Las Vegas, com transmissão pelo Paramount+.
Para Edwards, a oportunidade chega no timing ideal — e ela descreve como recebeu a notícia do combate e lidou com a preparação de forma positiva, destacando que não está lesionada e que encara a chance como um momento especial. “Eu estou lutando contra a número 3 do mundo no UFC”, afirmou. “Quando eu estreiei, eu já via que isso ia acontecer, mas está acontecendo muito rápido. Eu tive uma grande oportunidade, e eu sou grata pela vida. Deus sabe por que e quando ele faz as coisas. Eu recebo as notícias duas semanas depois que eu lutei — eu me sinto bem, não estou lesionada, e eu tenho a oportunidade. É um momento importante, e eu estou aproveitando cada segundo. Eu estou fluindo”.

