Joselyne Edwards encara desafio na luta principal após mudança no card em Las Vegas

Quando surge uma chance grande, o melhor a fazer é agarrá-la — e Joselyne Edwards parece ter seguido exatamente esse roteiro em Las Vegas. Com a necessidade de mudança no card, a lutadora encontrou uma oportunidade de destaque e agora vai receber um desafio de peso na luta principal de apoio do UFC Fight Night: Sterling vs Zalal.

Yana Santos acabou sendo retirada da programação por causa de uma lesão, e Edwards foi chamada para ocupar o lugar. Assim, a atleta panamenha vai encarar a número 3 do ranking, Norma Dumont, no coevento do evento que acontece em Las Vegas.

Edwards encara Dumont e mira o topo da categoria

Para Edwards, o combate representa uma grande vitrine. Ela chega animada para entrar em cena como substituta e, com isso, tentar invadir de vez a rota do cinturão na divisão dos 135 libras.

“Estou me sentindo muito bem, muito feliz por essa oportunidade. O camp foi ótimo, e eu estou pronta para colocar um show. E, acima de tudo, mais do que fazer espetáculo, eu estou preparada para sair daqui com uma vitória por essa chance incrível que me deram”, disse a lutadora ao site oficial do UFC.

A luta, por sua vez, se desenhou de forma inesperada, já que Edwards recebeu o convite para substituir a adversária em cima da hora. Mesmo colocando em jogo uma sequência de quatro vitórias, e sem contar com um período completo de preparação, a atleta afirmou que está mais do que pronta para responder no dia do combate.

“Sem risco, neste caso. Eu sempre treino forte, treino pesado lá no Xtreme Couture, treinando com as melhores pessoas. E eu sempre ficava de olho nessas lutas, porque eu estava em 11º no ranking, olhando para cima e pensando que talvez uma oportunidade aparecesse”, completou.

“Você sempre precisa estar focada e pronta para lutar. E eu sinto que eu estava preparada e bem preparada. O mais importante é manter a cabeça no lugar e estar pronta para entrar em ação.”

Treino em Las Vegas e adaptação rápida ao camp

A mudança de rotina de treinamentos regulares para um período mais curto de preparação não foi um problema para Edwards. Agora, ela está instalada com tranquilidade em Las Vegas, onde o Xtreme Couture virou o seu lar profissional.

“Morar em Las Vegas e poder treinar aqui tem sido incrível. Fez uma diferença enorme. Além disso, você tem acesso ao UFC PI para treinar também. Você conta com parceiros de treino muito bons. Isso tira você completamente da zona de conforto. E para mim foi muito importante estar aqui — e foi isso que mudou tudo.”

Assim como a rival deste fim de semana, Edwards vive o melhor momento de sua trajetória no UFC. “La Pantera” chega em uma sequência de quatro vitórias, sendo duas por nocaute e duas por finalização. O crescimento é evidente, mas os resultados recentes também chamam atenção: nas últimas quatro vitórias dentro do octógono, todas terminaram com as atletas levando a luta até as anotações dos jurados.

Apesar da evolução, Edwards explicou que o segredo não foi uma grande mudança técnica ou um “upgrade” repentino. Segundo ela, a base do crescimento está em manter o que já vinha sendo feito e seguir com consistência.

“Eu não acho que tenha sido tanta mudança. Foi persistência. Foi consistência. Foi continuar trabalhando, continuar colocando o trabalho em prática e continuar se motivando mesmo quando não aparece motivação. Eu acho que eu precisei fazer uma reflexão sobre mim e pensar nas derrotas que eu tive”, admitiu.

“Depois da minha última derrota, antes dessa sequência de vitórias, eu pensei: ‘Por que você está perdendo essas lutas? É tão sem sentido do jeito que você perde, porque na real você podia vencer e não está saindo com a vitória. Então é sobre o seu estilo. Você sabe o que tem, você sabe o que você tem como ferramenta, você sabe do que é capaz. Mas por que você está perdendo essas lutas de um jeito bobo?’ Então eu voltei para a ‘Pantera’ que eu era antes de entrar no UFC.”

Combate na Meta APEX e plano agressivo

Com a persistência e a regularidade, Edwards acredita que recuperou o “fogo” que a colocou no caminho da chance no UFC. Agora, ela quer manter o ritmo quando enfrentar Dumont neste sábado, na Meta APEX.

“Eu acho que vai ser uma grande luta e, obviamente, um grande desafio. Ela é uma adversária difícil, muito inteligente, e sabe o momento certo de atacar. E isso é exatamente o que eu preciso entender: o tempo correto para atacar. Você sabe o que eu venho fazer. Eu venho destruir. Eu venho para acabar.”

“Eu vejo ela como número três. Eu quero roubar esse lugar. E ela também não quer que uma atleta ranqueada em 11º roube a posição dela. Então sabemos que vai ser um desafio bom, vai ser uma luta boa, e vai ser uma guerra lá dentro.”

Edwards também deixou claro o caminho que enxerga para vencer. “O jeito de ganhar é, obviamente, derrotar ela, colocar pressão e ser agressiva. Tem que ser nocaute ou finalização. Não existe espaço para decisão no sábado.”

Disputa pelo topo e caminho para o cinturão

Para Edwards, o compromisso deste sábado não é apenas uma chance de entrar na briga entre as principais candidatas. A lutadora vê o resultado como um passo para chegar cada vez mais perto do grupo de frente e, com isso, forçar o avanço na fila do título.

Ela afirmou que tem leitura do cenário na parte alta da categoria e acredita que vencer Dumont deve colocá-la em posição privilegiada para disputar o cinturão após o desenrolar do resto do ano. Nesse contexto, o retorno ao centro das atenções envolve o confronto da campeã Kayla Harrison, com previsão de um retorno ao octógono mediante recuperação, contra a ex-campeã de duas divisões Amanda Nunes.

“Eu acho que minha recompensa deveria ser ser a próxima desafiante do título, e eu acho que eu mereci isso com a vitória no sábado. Eu vejo o que está acontecendo: a Amanda (Nunes) saiu da aposentadoria. Ela já fez dinheiro suficiente, mas eu acho que, pelo valor que devem estar pagando para ela, vale a pena colocar esse dinheiro no bolso ainda neste ano”, disse Edwards.

“E sobre a Kayla (Harrison), ela fez tudo o que podia. Eu acho que talvez ainda tenha uma luta para ela. Provavelmente ela está perto de se aposentar também. Mas, com uma vitória convincente no sábado, eu deveria ser a próxima da fila. Talvez, se eles quiserem me colocar contra Raquel Pennington ou Julianna Peña, eu aceito a luta. Mas eu estou pronta para lutar pelo cinturão.”

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.