A promessa portuguesa em ascensão, Ketlen Cavalcanti, chega com a confiança de quem vê seu trabalho finalmente “encaixado” em Las Vegas e mira um salto imediato na hierarquia do peso-galo. Em um duelo que coloca frente a frente uma candidata em trajetória perfeita na organização e uma veterana carregada de experiência e disputas históricas, a atleta tenta transformar a luta contra Ketlen Vieira (Vieira) em um divisor de águas para o ranqueamento — e, principalmente, para a rota rumo ao cinturão.
Vida em Las Vegas e evolução no UFC: por que o cartel de Cavalcanti chama atenção
Cavalcanti detalhou como mudou para Las Vegas havia três anos e, no início, não conhecia ninguém. Com o passar de alguns meses, passou a integrar o dia a dia do ambiente de treino: encontrou um novo treinador, novas pessoas e fez novos amigos. A avaliação dela é que, após esse período, a equipe e os relacionamentos se alinharam de vez — e que a estrutura local, incluindo o Performance Institute, tem ajudado diretamente no desenvolvimento.
Esse “funcionar em conjunto” aparece no desempenho dentro do octógono: nas primeiras cinco aparições no UFC, a lutadora de 28 anos soma campanha invicta de 5-0 e ocupa a 11ª posição no ranking da divisão. A escalada em 2025 começou com vitória sobre Julia Avila e seguiu com encerramento do ano também em alto nível: triunfo por decisão unânime sobre Mayra Bueno Silva, antiga desafiante ao título, consolidando o crescimento da “dark horse” da categoria.
Antes do compromisso atual, Cavalcanti afirmou que uma vitória poderia mudar a vida e comentou a percepção de que precisava conduzir a perseguição às atletas do topo com paciência, reconhecendo o abismo de experiência no UFC em relação às mais bem colocadas. Agora, seis meses depois de atravessar com sucesso o confronto contra “Sheetara”, a sensação é outra: ela entende que está mais próxima de encostar no topo — e quer provar isso em uma adversária que representa um degrau acima.
Ranking e disputa por cinturão: Vieira como “teste final” e o salto necessário
O duelo contra Vieira representa um salto grande para a atleta que chega com retrospecto de 10-1. Do outro lado, a representante da Nova União, com 34 anos, é uma das mais longevas e bem-sucedidas do peso-galo: ela fica atrás apenas de Raquel Pennington em número de vitórias e aparições no UFC. Vieira vem participando da conversa pelo cinturão há anos, e mesmo sem ter conseguido ainda emendar triunfos suficientes para garantir nova chance pelo título, essa tentativa não ocorreu por falta de trabalho.
Nos últimos cinco anos, poucas lutadoras tiveram um calendário tão duro quanto o de Vieira. Ela já dividiu o octógono com três ex-campeãs — Miesha Tate, Holly Holm e Pennington — além da atual campeã Kayla Harrison. Ainda que o cartel de 5-4 não represente, na prática, a qualidade exibida, o histórico recente mostra que o caminho dela vem sendo feito em lutas de alto nível e, muitas vezes, decididas em detalhes.
- Entre as derrotas, duas saíram por decisão dividida: a perda para Raquel Pennington em janeiro de 2024 e o revés mais recente diante de Norma Dumont.
- Além disso, a derrota de fevereiro de 2021 para Yana Santos também foi bastante debatida, com argumentos de que a atleta poderia ter vencido.
Vieira também foi encarregada de medir forças com Kayla Harrison antes de a campeã avançar para buscar o título no ano passado — e o combate foi mais difícil do que as lutas contra Holm e contra a ex-campeã Julianna Pena. Para Cavalcanti, o “pacote” da adversária é completo: ela citou que Vieira tem jiu-jitsu muito bem desenvolvido, boas tentativas de queda e também capacidade de se impor em pé.
A lutadora portuguesa ressaltou que a trajetória da veterana no ranking mudou com o tempo: “alguns anos atrás ela estava no topo dois”, mas agora figura no grupo dos cinco primeiros. Ainda assim, para Cavalcanti, a posição não altera o plano: ela diz estar pronta para lidar com o jiu-jitsu, com o wrestling e com qualquer direção que a luta tome. Segundo a atleta, a vantagem de experiência dela vem de períodos anteriores ao UFC e, por isso, o desafio é tratado como mais um obstáculo a ser superado: “vencer, dar outro passo e seguir avançando”.
Próximo passo provável: vitória pode empurrar Cavalcanti para o Top 5 e abrir portas
Cavalcanti projeta que o confronto no sábado pode seguir um roteiro que ela considera familiar: assim que ela entrar no octógono com Vieira e passar pelo primeiro intercâmbio, quer mostrar mais do seu jogo — com ênfase em trocação e também no MMA como um todo. De acordo com a atleta, muitos adversários tentam se aproximar apenas para trocar golpes, mas depois que sentem as mãos e os chutes, percebem a ameaça e partem para tentativa de levar a luta ao chão.
Ela citou diretamente como acredita que o plano de Vieira deve funcionar: após sentir as mãos e os chutes, a tendência é que a adversária tente derrubar — e Cavalcanti afirmou que pretende defender essas investidas, manter a pressão e voltar a conectar socos e chutes. A ideia é clara: sobreviver ao início, controlar a transição e impor o ritmo que transforma a luta em mais um degrau rumo ao topo.
Se vencer Vieira, Cavalcanti não apenas melhoraria seu cartel no UFC para 6-0, como também passaria a disputar de igual para igual a maior sequência ativa de vitórias na divisão, emparelhando com Ailin Perez. Além disso, a vitória tem grande chance de colocá-la acima da argentina na escalada e levá-la para o Top 5 — onde, na visão dela, as opções de próximos passos fazem sentido para acelerar a rota ao cinturão.
Sobre o que vem depois, Cavalcanti não parece estar presa a nomes específicos, mas definiu prioridades: depois de Vieira, ela quer o Top 1 ou o Top 2. Na sequência, reforçou que aceita também o Top 3, e então fez questão de resumir o objetivo com uma frase direta: ela quer estar no Top 5. A atleta também indicou que não quer que as adversárias fiquem tempo demais fora do combate, perdendo posição e dificultando oportunidades para quem está chegando.
Assim, o confronto contra Vieira ganha peso extra: é uma luta que pode mudar o cenário do peso-galo em curto prazo. Caso Cavalcanti avance, o próximo passo deixa de ser “se” ela entra na briga — e passa a ser “quem” vai ser a próxima a responder o chamado para enfrentar a nova sequência que se desenha no horizonte do ranking.

