O kickboxer Rico Verhoeven causou sensação no último fim de semana ao levar Oleksandr Usyk ao limite máximo, em uma disputa que colocou frente a frente o campeão do kickboxing e um dos principais nomes do boxe pesado da atualidade. A leitura que muitos fizeram é que, para impedir a vitória de Verhoeven, foi necessário todo o “aparato” do boxe: as anotações dos jurados penderam para Usyk, e o árbitro ainda interrompeu a luta no 11º round em circunstâncias consideradas no mínimo questionáveis.
Apesar das controvérsias, o impacto do que foi visto ficou. A atuação de Rico fez crescer ainda mais o respeito por ele, e também colocou Peter Fury no centro do debate — treinador que, além de trabalhar com Tyson Fury, tem histórico forte no desenvolvimento de lutadores de alto nível. E sim: outro Fury na história. Trata-se do tio de Tyson, que foi responsável por preparar “The Gypsy King” no caminho de uma vitória marcante sobre Wladimir Klitschko, em 2015.
Enquanto estava envolvido com a equipe de Tyson, Peter Fury também atuava com um atleta jovem chamado Tom Aspinall. Hoje, campeão dos pesos pesados no UFC, Aspinall virou alvo de conversas envolvendo uma possível tentativa no boxe — cenário que o próprio Peter Fury acredita que poderia ser bem-sucedido.
Nas palavras do treinador Peter Fury
Em entrevista no The Ariel Helwani Show, Peter Fury relembrou o vínculo com Tom Aspinall e explicou como o trabalho contribuiu para o crescimento do boxe do atleta. O treinador relatou que “ele teve uma luta profissional comigo, por volta de 2015”, e que não recorda as datas exatas, mas afirmou que Aspinall treinou na mesma estrutura por dois ou três anos, período em que ele “desenvolveu bastante as habilidades no boxe”.
Peter Fury ainda destacou a continuidade do trabalho e tratou o grupo como parte de sua equipe. Segundo ele, “Andy e Tom Aspinall fazem parte do meu time” porque, ao longo do tempo, houve envolvimento direto com o atleta e também com o pai dele. O treinador resumiu esse período como algo próximo de “três ou quatro anos juntos”, em que Tom e seu entorno foram acompanhados de perto.
O treinador também reforçou que o relacionamento foi construído com base em evolução técnica, citando que, mesmo com apenas uma experiência profissional anterior no período em que estiveram juntos, Aspinall aproveitou o ambiente para crescer no boxe. Peter Fury acrescentou que o pai do atleta é “um treinador excepcional” no MMA, e que, na visão dele, a equipe entende muito de luta agarrada — especialmente de wrestling — apontando que o domínio na base é “o melhor que existe”. Ele concluiu dizendo que está satisfeito por ver o que Tom Aspinall realizou.
Ao falar sobre características físicas e dinâmica, Peter Fury descreveu: “Tom Aspinall tem braços muito rápidos”. Na avaliação do técnico, o atleta é rápido, ágil e, mesmo com o porte pesado — citando 18,5 stone, o equivalente a 117 kg — a velocidade e o jeito de se movimentar seriam “fenomenais”. A partir disso, o treinador levantou a possibilidade de o britânico conseguir se adaptar ao boxe, comparando o cenário ao de Rico Verhoeven: “dá para fazer a transição”, e ele acredita que a troca de modalidades pode funcionar porque Aspinall conviveu com o boxe durante anos.
Peter Fury também sustentou que o entendimento do esporte facilita a mudança. Ele afirmou que os atletas “conhecem o jogo” porque já convivem com ele, e que as conversas acontecem por horas — além de dizer que todos sabem como funciona o esporte e que “estão nesse ambiente há anos”. Com isso, a conclusão do treinador foi direta: “a transição do Tom deve ser bem fácil”, e ele disse acreditar que o atleta pode “fazer coisas grandes”.
O planejamento de Tom Aspinall e o que vem pela frente
Apesar do debate sobre uma eventual entrada no boxe, Tom Aspinall já deixou claro que pretende priorizar o MMA por enquanto. A lógica faz sentido porque ele ainda tem duas lutas restantes no contrato, com a ressalva de que o acordo também se renova automaticamente por uma cláusula típica de campeão.
Mesmo assim, se existe algum nome do elenco do UFC que muitos gostariam de ver tentando o boxe em algum momento, Aspinall aparece como um dos mais prováveis — especialmente depois do que Peter Fury descreveu sobre a base construída e sobre a facilidade de adaptação ao esporte de mãos pesadas.

