Khamzat Chimaev mira “grandes lutas” e tenta evitar último capítulo no UFC 328

O campeão dos meio-médios do Ultimate Fighting Championship (UFC), Khamzat Chimaev, está a poucos dias de realizar a primeira defesa de cinturão da carreira. O duelo contra o desafiante Sean Strickland acontece no card principal do UFC 328 neste sábado (9 de maio de 2026), no Prudential Center, em Newark, no estado de Nova Jersey. O confronto, marcado como a luta mais importante da noite, também reacende a discussão sobre o futuro do “Borz” na categoria.

Nas palavras do campeão

Durante a semana, Chimaev reforçou que o torneio de possibilidades já começa a passar dos 185 libras. Questionado por repórteres se o UFC 328 poderia ser a última luta dele pelo peso-médio, o invicto respondeu de forma descontraída, mas direta:

“Espero que sim. Eu gosto de comer pizza. Vamos ver”, disse Chimaev, ao ser perguntado sobre permanecer ou não no limite do meio-médio.

A fala, embora leve, encaixa em um cenário maior. O lutador russo (de raízes chechenas) vem repetindo o desejo de subir para o peso-pesado-leve (light heavyweight) para encarar o ex-campeão Alex Pereira. E, nesta semana, ele voltou a apontar o caminho como algo já desenhado, com base no que deve ocorrer no próximo evento que envolve Pereira.

Chimaev afirmou que, se Alex Pereira perder para Ciryl Gane no UFC White House no mês seguinte, ele espera que “Poatan” retorne ao peso até 205 libras. Com isso, abriria uma janela para um confronto de grande apelo comercial e esportivo.

“Eu só quero lutas grandes. O Alex Pereira, se ele perder para o Ciryl Gane, ele vai descer [para o light heavyweight]. Ele é luta grande, é nome grande. Se não for assim, eu vou para o heavyweight. Eu preciso de nomes grandes, dinheiro grande”, declarou o campeão.

Por que uma mudança pode ficar mais fácil

Além da leitura do próprio Chimaev sobre o mercado e os desafios, a divisão de até 205 libras vive um momento que pode facilitar qualquer transição. O recém-coroado campeão dos meio-pesados, Carlos Ulberg, está afastado devido a uma lesão no joelho, especificamente uma ruptura do ligamento cruzado anterior (ACL). Com Ulberg fora de cena, a categoria fica mais “aberta” e tende a demandar novos pretendentes rapidamente.

Para Chimaev, esse tipo de janela é exatamente o que torna a possibilidade de mudança mais plausível. A combinação entre a procura por confrontos maiores e uma divisão com menor previsibilidade de mando faz com que a trajetória ao cinturão em outra faixa pareça, no papel, mais viável.

Chimaev rejeita o “corredor” do meio-médio

Mesmo com o cinturão dos 185 à disposição, o campeão deixou claro que não tem interesse em ficar “rodando” pelo ranking da categoria. Ele argumentou que, no peso-médio, não vê as mesmas oportunidades de impacto que enxerga em lutas de outro calibre — inclusive pelo histórico recente de resultados envolvendo nomes importantes do período.

“Eu não acho que [no meio-médio] existam grandes coisas. Nem o Sean é um ‘grande’ pra mim. Porque o cara que eu bati antes dele para vencer as cinco rodadas… o Dricus du Plessis venceu ele duas vezes. Se eu ficar aqui, eu ganho do Sean e depois eu ganho do Nassourdine Imavov — o Imavov foi derrotado pelo Sean — então qual é o sentido? É ficar indo e voltando, brincando de roleta russa?”, explicou Chimaev.

Ao colocar esse raciocínio na mesa, Chimaev transforma a defesa do cinturão em mais do que uma etapa esportiva: para ele, é o primeiro degrau de uma escalada que pode levá-lo a um novo cenário de grande visibilidade.

O obstáculo imediato: Strickland no sábado

Apesar das conversas sobre o futuro, Chimaev não pode pensar além do cinturão antes de passar pelo desafiante. Antes de qualquer mudança de divisão, ele precisa vencer Sean Strickland na noite de sábado, no main event do UFC 328. Só depois disso é que o campeão poderá transformar declarações em realidade, seja mantendo o ritmo no meio-médio ou acelerando rumo a uma nova categoria.

Com o evento se aproximando, o foco permanece na luta principal — e em como o resultado do duelo pode redefinir tanto a hierarquia quanto os próximos grandes nomes do UFC.

By Rafael Costa

Rafael é jornalista esportivo focado em MMA e UFC. Ele acompanha eventos nacionais e internacionais, trazendo análises detalhadas de lutas, rankings e desempenho dos atletas.