Larissa Pacheco chega a um momento decisivo na carreira ao encarar a pesagem oficial do Karate Combat 61, em Miami, com a meta de bater o peso do banho de combate na divisão até 135 libras (categoria que corresponde ao galo). Livre desde que deixou a PFL em outubro de 2025, a brasileira coloca na balança do dia 1º de maio — um dia antes de subir no ringue contra Julia Stasiuk, em 2 de maio — não apenas o compromisso com o seu próximo passo, mas também um recado direto ao mercado do MMA, especialmente ao UFC.
Ranqueamento e impacto: por que o peso vira argumento para o UFC
A trajetória recente de Pacheco chama atenção mesmo fora do UFC: ela foi uma das lutadoras femininas mais vencedoras das últimas cinco temporadas, conquistando dois títulos de temporada da Professional Fighters League e levando US$ 1 milhão por cada campanha. Além disso, impôs a única derrota na carreira de MMA de Kayla Harrison — resultado que aumentou ainda mais o peso do nome dela no cenário internacional.
Apesar do currículo forte, o caminho até o octógono tem um “porém” claro: as divisões do UFC não contemplam diretamente o histórico recente dela. A Pacheco venceu temporadas competindo em peso-leve e pena, mas, no UFC, a atleta volta a mirar a faixa de 135 libras. Ela não lutava nessa marca desde 2015, quando perdeu no UFC para Germaine de Randamie e Jessica Andrade.
- Fator esportivo: cartel e desempenho recente que a colocam como ameaça real no alto nível.
- Fator estrutural: o UFC não oferece uma “ponte direta” com as divisões em que ela foi campeã de temporada na PFL.
- Fator prático: a pesagem em 135 libras pode funcionar como prova concreta de elegibilidade.
É exatamente nesse ponto que a brasileira insiste: não se trata apenas de “convencer” o UFC, mas de se manter no padrão que define categorias no restante do esporte. Pacheco admite que seu peso ideal gira em torno de 155 e 145 libras, mas afirma que precisa se preparar para a divisão pretendida para então entregar atuação convincente. Com isso, o resultado do Karate Combat 61 e, principalmente, o cumprimento do limite na pesagem viram uma espécie de “habilitação” para novas conversas e possíveis testes.
Cinturão e próximas oportunidades: o que uma vitória (e o peso) podem abrir
Ainda que o UFC não tenha confirmado nada, a lógica que Pacheco apresenta deixa claro o objetivo: retornar ao octógono e, no futuro, disputar cinturão. Ela sustenta que, aos 31 anos, se vê no auge competitivo e com condições de lutar por uma cinta tanto no UFC quanto em outras grandes organizações.
Ao mesmo tempo, a situação do peso é tratada como um desafio que poderia ter encerrado o plano. A brasileira conta que chegou a conversar com médicos para entender se seria seguro voltar ao limite do bantamweight. Segundo ela, se não fosse viável, ela não seguiria no MMA: a alternativa seria direcionar o treino para o jiu-jitsu ou investir em outros projetos. Mas a orientação veio positiva, com a avaliação de que seria possível atingir 135 libras com segurança, ainda que com impacto no corpo nas primeiras tentativas — algo comparado por ela ao que seria fazer 145 novamente.
Esse contexto dá ainda mais peso ao que vem agora. Pacheco volta ao bantamweight na semana do evento, fazendo a pesagem no dia 1º de maio para lutar no Karate Combat 61 contra Julia Stasiuk no dia 2 de maio. Para a atleta, bater o peso é parte de uma mensagem ao cenário: ela quer competir e estar em atividade, mantendo-se visível para que ninguém duvide do nível atual.
- Cartel recente como credencial: duas campanhas vitoriosas na PFL e a derrota única imposta a Kayla Harrison.
- Janela do UFC: retorno exigiria adequação ao peso de 135 libras.
- Plano B: caso o UFC não venha, Pacheco diz que há alternativas em outras promoções ao redor do mundo, incluindo eventos associados a MVP e atividades na Rússia e na Polônia.
O cenário ganha contorno adicional por um detalhe: Pacheco participou do camp de Amanda Nunes para um compromisso no UFC 324 contra Kayla Harrison, em janeiro. O combate acabou cancelado por lesão da campeã. Na época, Pacheco estava “andando” próxima de 165 libras, mas já começou a reduzir o peso com a esperança de conseguir um encaixe no bantamweight. Ela admite frustração por causa de uma percepção que paira sobre o nome dela — a ideia de que “não consegue bater peso” — e afirma que já estava perto do limite. Pacheco também ressalta que o camp não foi exatamente o ideal, já que o Karate Combat costuma fechar lutas com curto aviso, mas diz que já tinha em mente a possibilidade de lutar no dia 2 de maio.
Próxima luta: Karate Combat 61 e a leitura para o futuro do MMA
Na prática, o passo imediato está bem definido: pesagem em 1º de maio e luta no Karate Combat 61 contra Julia Stasiuk em 2 de maio, em Miami, já no peso de 135 libras. A brasileira entende que, se o UFC buscar um “teste” e quiser que ela comprove que consegue cumprir a categoria, ela estará ali para fazer isso em cenário real.
Além disso, Pacheco mantém o discurso sobre evolução e retorno ao maior palco. Ela defende que, ao voltar, terá chance de mostrar “tudo o que evoluiu” ao longo dos anos. E, quando cita Kayla Harrison como referência para uma possível quarta luta no UFC, reforça a própria ambição: no histórico recente na PFL, Harrison venceu duas vezes por decisão, mas depois a trilogia teve desfecho diferente.
Por fim, Pacheco deixa claro que não vê o próprio cartel como algo que precisa de “prova extra” eterna. Para ela, o mundo já conhece o que ela fez. O que ainda faltaria, segundo a leitura dela, seria a oportunidade concreta de competir no UFC — e, caso ela não chegue, a atleta afirma que seguirá buscando trabalho em outras organizações ao redor do planeta, enquanto ainda houver saúde e tempo para seguir lutando.

