Pokes nos olhos seguem como um ponto de atrito recorrente no UFC, e Jorge Masvidal acredita ter uma solução para reduzir a prática—principalmente quando ela acontece de forma deliberada. O ex-campeão do “BMF” defendeu punições imediatas que vão além da perda de pontos, com impacto financeiro direto no bolso do atleta que cometer a infração.
Nas palavras do campeão: punição “no estilo Japão”
Em entrevista no programa Deep Waters, Masvidal foi direto ao sugerir uma linha dura contra lutadores que, por imprudência (ou intenção), acertam jabs na região dos olhos. Para ele, não basta esperar o árbitro aplicar advertências repetidas: a correção precisa ser feita já no momento do ato, com penalidades visíveis para quem está no octógono.
“Façam como no Japão. Acerte o cara na hora com o cartão amarelo. Desconta pontos imediatamente e tem dedução também”, disse Masvidal. “Eu já fui atingido com poke no olho duas vezes em lutas diferentes, e uma delas ficou em mim por umas três semanas.”
Segundo o americano, os efeitos foram graves o suficiente para exigir acompanhamento médico. “Eu ainda via ‘manchas’ três semanas depois. O olho estava inchado, tive que ir ao médico para checar. Usei medicação, antibiótico nos olhos… foi horrível. Aconteceu também com [Lorenz] Larkin e foi muito, muito ruim. Os dois pokes foram péssimos.”
O lutador reforçou ainda que, na leitura dele, existe diferença entre um evento acidental e um comportamento intencional, e que os árbitros conseguem perceber quando o atleta repete o movimento de forma “marcada”. “Eu nunca dei poke no olho na minha carreira inteira. Tenho 52 ou 53 lutas. Então existe algo em nosso controle”, afirmou.
Na visão do ex-desafiante ao título do peso-médio, quando o árbitro identifica intenção, a resposta precisa ser imediata. “Eu sei que numa luta pode acontecer por acidente. Mas muitas vezes, como árbitro, dá para entender quando é deliberado ou quando o cara fica fazendo essa coisa estúpida. Você sabe… um pouco no estilo Jon Jones: toda vez que ele entra, eu vou fazer uma checagem no olho”, completou, sugerindo que o juiz mantenha postura preventiva.
Masvidal detalhou o que gostaria de ver como punição automática. “Faz a dedução na hora, cartão amarelo. Tira dinheiro da bolsa também. Tira 20%.”
A concordância de Dustin Poirier e o “grau” das infrações
O coapresentador Dustin Poirier entrou na conversa para ampliar o argumento. Ele concordou que existem diferentes níveis de poke no olho e que, conforme a gravidade e o impacto, a decisão do árbitro precisa ser tomada rapidamente—sem esperar uma sequência de avisos antes de agir.
“Atacar onde dói”: dinheiro como gatilho de mudança
Para Masvidal, o componente financeiro é o caminho mais eficaz para mudar comportamentos. Na lógica dele, quando o castigo atinge diretamente o rendimento do atleta, a tendência é que a prática diminua porque passa a representar risco real.
“Você tem que acertar onde dói. Eu sou lutador e, quando você fala que mexeu com meu salário, eu já fico: ‘ah, então se eu atrasar aqui vão descontar?’ Eu nunca vou me atrasar”, afirmou. “Mas se você não falar disso, eu apareço quando eu quiser, você sabe?”
O “BMF” também cravou que o dinheiro descontado deveria ir para quem sofreu o golpe ilegal, e não para estruturas burocráticas. “Esse dinheiro vai para o outro lutador. Não vai para comissão, não vai para essa coisa toda de comissão. Eu já estou cansado dessas comissões… de troca, de ficar com o controle e no fim não chegar na pessoa que tomou o poke.”
“Todo mundo está roubando a gente”, completou, defendendo que a vítima seja compensada diretamente.
Limite do percentual e por que ele acredita que o recado precisa ser forte
Masvidal admitiu que existiriam outras faltas que também merecem atenção, mas sustentou que o poke no olho costuma ser o tipo de infração mais prejudicial e, muitas vezes, com maior capacidade de interferir no desfecho de uma luta.
Ele não cravou necessariamente o mesmo percentual para todas as situações, mas insistiu que a mudança precisa começar com um recado pesado. “Talvez cinco por cento na primeira, cinco por cento na segunda”, disse. “Estou te falando: ninguém vai dar poke no olho mais. É assim que tem que ser. Não faz isso com os olhos das pessoas.”
Reflexão final: punição financeira gera efeito… mas levanta debate
O tema, apesar de parecer simples, esbarra em um ponto sensível: mexer com o dinheiro tende a educar pela consequência imediata, porém tirar renda de atletas que já recebem pouco também é considerado duro e pode gerar desconforto. Ainda assim, a proposta de Masvidal coloca o foco em um objetivo claro—reduzir uma prática que, quando não é acidental, pode custar caro para a saúde e para a carreira.
Enquete: a discussão segue aberta para o público, com a percepção de que o “peso” da penalidade pode ser o fator decisivo para evitar que o problema continue se repetindo.

