Jacob “Mamba” Malkoun trouxe ao público uma explicação curiosa sobre um ensinamento que recebeu de seu treinador de boxe e que, de certa forma, resume a forma como ele encara altos e baixos na carreira. A história, popularizada pelo próprio atleta nas redes com a hashtag #chinesefarmer, gira em torno de um fazendeiro que perde e depois recupera um cavalo, tem o filho que quebra a perna, mas escapa de uma guerra. Em meio a tudo isso, o personagem central não tenta classificar cada virada como “boa” ou “ruim”, apenas entende que cada etapa pode fazer sentido no futuro.
O ensinamento do “fazendeiro chinês” e a leitura de Malkoun sobre o jogo
Malkoun afirma que esse tipo de reflexão apareceu para ele quando tentava compreender uma derrota bem próxima, por decisão, para Brendan Allen em junho de 2022. O lutador australiano, que fará sua próxima luta neste sábado no UFC Fight Night: Della Maddalena vs Prates, contra Gerald “GM3” Meerschaert, comentou que, no fim das contas, a “lógica do fazendeiro” serve como guia emocional para não se prender ao que acontece durante o caminho.
“Você não sabe qual situação vai acabar sendo a melhor para você no final”, disse Malkoun. O atleta ainda brincou com a própria expectativa: em alguns momentos ele diz que até se irrita com a ideia do fazendeiro, e em outros sente vontade de “dar um soco na cara” do personagem, deixando claro que o tema é mais sobre controle mental do que sobre concordar com tudo.
Volta ao UFC após contusão e a chance de “aproveitar com as duas mãos”
Mesmo com quase dois anos afastado por uma lesão nas costas, Malkoun vê como “positivo” o período de recuperação porque, segundo ele, o tempo fora do octógono ampliou o valor da própria posição dentro do UFC. A avaliação do atleta é que, mais do que simplesmente “ter de lutar”, agora existe a chance real de colocar o trabalho em prática em um palco que ele considera raro para a maioria.
Antes do compromisso em Perth, na Austrália, o peso-médio declarou que enxerga sua nova fase como uma oportunidade: “É menos sobre eu ter que lutar, e mais como eu ter a oportunidade de lutar”. Ele completou dizendo que está em um cenário incomum, que precisa ser agarrado, trabalhar duro como sempre fez e tentar transformar sua vida com o desempenho no evento.
Cardio, ritmo e lições do período sem lutar
A parte física sempre foi um ponto forte de Malkoun: condicionamento e cadência aparecem como armas centrais para o estilo do lutador. Ainda assim, o intervalo entre março de 2024 e o retorno bem-sucedido em fevereiro de 2026, quando ele enfrentou Torrez Finney, ensinou que oportunidades no UFC não ficam esperando.
Com alguns problemas físicos e dificuldades na preparação para o duelo contra Finney, ele diz que não deixou que esses contratempos contaminassem sua performance. E, ao falar do resultado da luta anterior, Malkoun relembrou o começo da própria trajetória, destacando que, nos primeiros anos, ele sentia que não conseguia mostrar tudo o que tinha — e que agora acredita que vai brilhar sob as luzes do show.
A leitura sobre a luta com Torrez Finney
Malkoun apontou que chegou ao UFC com cartel 4-0, mas acabou nocauteado cedo em uma fase inicial, o que, na visão dele, atrapalhou a demonstração completa do repertório. O lutador (9-3-0) descreveu que sente confiança para entrar no octógono sabendo que pode performar quando a atmosfera muda.
Na apresentação que ele cita como referência, Malkoun demonstrou controle diante de Torrez Finney, castigando o adversário em pé até chegar a uma decisão unânime em Sydney. Apesar de estar perto de finalizar com um nocaute técnico, ele não conseguiu concluir a finalização. Para Malkoun, isso se deveu à combinação de “falta de ritmo” por conta da longa pausa e também à resistência do oponente.
“Eu fui pra cima, mas acho que quando eu machuquei ele, eu não tive aquela postura e tranquilidade pra escolher os golpes certos”, avaliou. Ele reforçou que, contra um atleta com características como as de Finney, é necessário manter mais calma, e confessou que não esperava que o rival fosse tão duro e tão resiliente. Segundo Malkoun, ele imaginou que, se a luta passasse das primeiras etapas, o oponente iria desistir, considerando outros combates e o modo como Finney lida com a parte de grappling. Ainda assim, o atleta reconheceu a resistência do adversário e sugeriu que mudanças na preparação — inclusive por ter treinado com Daniel Cormier (DC) — podem ter alterado a forma como Finney lutou.
Quem é Gerald “GM3” Meerschaert e o respeito de Malkoun
Após a vitória, Malkoun comentou que chamou para si um oponente que estivesse no top 10. Tanto ele quanto “GM3” chegam ao confronto sem colocação no ranking no momento, mas o brasileiro de coração — ou, no caso, o australiano que é destaque por seu carisma — não demonstra amargura por não ter sido colocado diretamente contra um nome ranqueado. O foco do “Mamba” é claro: ele acredita que uma grande vitória sobre Gerald Meerschaert pode abrir portas para enfrentar alguém ranqueado e acelerar sua escalada na divisão.
“Com o tempo fora, pra ser honesto, eu não merecia alguém do top 10”, afirmou. Ainda assim, ele diz que a esperança era receber um adversário para conseguir subir posições. Para ele, um triunfo grande com uma atuação forte faria com que o UFC precisasse lhe dar uma chance de chegar ao topo.
Estatísticas e momento de “GM3”
Gerald Meerschaert entra no sábado como um veterano: ele tem cartel de (37-21-0) e está na casa dos 38 anos. Profissional desde 2007, “GM3” carrega um dado que pesa contra qualquer planejamento: ele possui o maior número de vitórias por finalização na história da categoria peso-médio.
Apesar disso, Meerschaert chega ao combate após uma sequência de quatro derrotas seguidas. Malkoun, porém, não compra a ideia de que esse recorte define completamente o adversário e deixa claro que respeita a capacidade do lutador, principalmente quando a oportunidade aparece.
“As pessoas falam que ele vem de derrotas, mas uma coisa sobre ele é que, se você der uma pequena janela pra ele vencer, ele vai aproveitar”, comentou.
Treino em Gracie Smeaton Grange, Robert Whittaker e a busca por encerrar no sábado
Como parte da preparação, Malkoun treinou no Gracie Smeaton Grange, na região do sudoeste de Sydney, em um ambiente que inclui o ex-campeão do UFC na divisão de pesos-médios, Robert Whittaker. Ele explicou que vê seu treinador e acompanha o trabalho no local todas as noites da semana, das 16h às 20h. Na visão do “Mamba”, esse tipo de rotina reforça o camp, em vez de atrapalhar.
“Eu estou sempre nos treinos de solo. Antes eu achava que isso tirava o foco do meu treinamento e da minha luta, mas agora eu penso que ajuda bastante”, disse Malkoun. Ele afirmou que não fazia nada “sem sentido” antes, mas que a prática constante ajuda a manter a concentração no que importa: evoluir como lutador e, também, se tornar uma pessoa melhor.
Planos para o octógono: vitória e atenção total ao adversário
O objetivo de Malkoun é continuar a retomada com uma vitória que venha por finalização diante de seus compatriotas neste sábado. Ainda que ele deseje um triunfo grande e, em seguida, um oponente ranqueado, ele não pretende subestimar o estilo e a experiência de Meerschaert.
“Se você der pra esse cara uma pequena chance, uma pequena janela pra ele ganhar, ele vai pegar. Então eu tenho que fechar ele em todos os lugares”, declarou. Por fim, o lutador resumiu a estratégia com duas possibilidades: ele espera que o caminho termine com finalização, mas caso não ocorra, ele garante que, de qualquer forma, o resultado precisa ser uma vitória para ele.

